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Camponeses do Lucala voltam a cultivar arroz

Paulo Mateus| Lucala

Os camponeses do município do Lucala voltam a cultivar arroz, no âmbito de um projecto integrado que visa a produção do cereal, através de uma parceria entre Angola e a Coreia do Sul.

Projecto vai arrancar a partir de experiências com algumas variedades de cereais
Fotografia: Pedro Miguel

Os camponeses do município do Lucala voltam a cultivar arroz, no âmbito de um projecto integrado que visa a produção do cereal, através de uma parceria entre Angola e a Coreia do Sul.
O chefe da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA), Manuel Francisco Pimenta, que prestou ontem a informação, disse que a região, nos anos 70 foi grande produtora de arroz porque possui condições favoráveis para o desenvolvimento de várias espécies de cereais nas localidades da Coreia e Cacala.
Numa primeira fase, o projecto vai arrancar a partir de experiências com algumas variedades num hectare e meio e, seguidamente, é seleccionar a espécie que melhor se adaptar ao terreno.
O projecto, segundo Manuel Pimenta, visa igualmente a integração social de várias famílias camponesas e garantir que melhorem a qualidade de vida, conseguindo a auto sustentação alimentar para diminuir a fome e a pobreza.
Manuel Francisco Pimenta acrescentou que estão em curso, no município do Lucala, outros programas, com destaque para o cultivo de banana, batata e mandioca.
Os projectos estão a ser executados nas aldeias da Pamba, Kigia e Talanzambi, com o envolvimento directo de 30 famílias, numa iniciativa da organização não governamental Acção de Desenvolvimento de Povo para Povo.

Horticultura com boa safra

Os agricultores do município do Lucala, durante a fase normal de produção, colheram 1.810 toneladas de produtos hortícolas, como milho, feijão manteiga e amendoim. O agricultor António Aarão, que está associado a uma cooperativa, cultivou cinco hectares na área do Candente. Afirmou que, apesar de estar a enfrentar dificuldades na aquisição de fertilizantes, espera colher mais de cinco toneladas de hortícolas.
No início da campanha agrícola semeou 55 quilos de milho, 50 de feijão manteiga, 100 de amendoim e diversas quantidades de cebola, alho, couve, repolho, cenoura, tomate, melancia, quiabo e alface.
Ana Luís, que cultiva no perímetro irrigado de Cacala, lançou à terra 200 quilos de feijão manteiga, 25 quilos de milho, 50 de amendoim e repolho, cebola, alho e couve-china.
Os agricultores utilizam técnicas de cultivo modernas que permitem em diferentes épocas colher grandes quantidades dos produtos.
O município tem várias áreas de cultivo com condições férteis para a prática da agricultura. A Cacala, Coreia , Petizes, Clementes, Pintos, Cariombua, Malembes, Kilessa, Kanguari, Caxima e  Maua são algumas destas localidades.

Famílias mobilizadas

No município do Lucala foram mobilizadas 4.558 famílias camponesas na última fase da campanha agrícola, que cultivaram 500 hectares, o que permitiu a colheita de 26.109 toneladas de produtos.
Manuel Francisco Pimenta informou que o destaque foi para a produção da batata-doce, mandioca e inhame, representando um aumento superior a 40 por cento em relação à colheita anterior.
O chefe da Estação de Desenvolvimento Agrário do Lucala disse que durante a campanha foram colhidas cerca de 14 toneladas de mandioca, e duas toneladas e meia de inhame, além de grandes quantidades de milho, amendoim e feijão.
Manuel Pimenta revelou que dos hectares cultivados, 218 foram preparados de forma manual pelas famílias camponesas, 118 pelos agricultores e 200 pelas associações e cooperativas.
O Lucala tem 24 associações de camponeses e nove cooperativas agrícolas, distribuídas pela Cacala, Coreia, Candente, Hala, Helege, Pambas e Kiangombe. Nesta campanha agrícola, os homens do campo receberam 40 semeadoras, duas moto-bombas, catanas, limas, enxadas e uma moagem, o que permitiu uma boa safra.

Exploração florestal

Manuel Pimenta deu a conhecer que existem garantias do Governo Provincial para a distribuição aos camponeses de mais cinco tractores com as respectivas alfaias. Os tractores ficam ao serviço das associações e cooperativas e cada hectare lavrado vai custar 25.000 kwanzas.
O município do Lucala vai ter em breve uma escola para a formação na área da exploração florestal, com capacidade para acolher 40 alunos internos. A escola vai igualmente ministrar cursos de marcenaria, carpintaria e serração.
O projecto, financiado pelo Governo da Coreia do Sul, está a ser erguido numa área de dois hectares, na localidade de Maquela, arredores da vila do Lucala.
Os jovens do município e das regiões vizinhas aguardam com expectativa a conclusão das obras. As autoridades locais têm esperança de que a nova escola ajude a impulsionar o emprego no seio da juventude.
O professor João Domingos refere que a escola vai melhorar a qualidade de vida dos jovens do município do Lucala.
A estudante Maria Magalhães disse à nossa reportagem que a entrada em funcionamento da escola cai criar grandes oportunidades aos jovens e reforçar o sector da Educação no Lucala.

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