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Camponeses pedem apoio em meios mecânicos

Adelina Victorino | Cuito

Os camponeses associados da província do Bié solicitaram ontem, na cidade do Cuito, apoio em meios mecânicos, com vista a darem respostas às exigências do mercado e aumentarem a produção agrícola.

A prática da agricultura familiar na província do Bié tem influenciado a melhoria e diversificação da dieta alimentar da população
Fotografia: Edson Fabrízio | Cuito

O presidente da União Nacional dos Camponeses de Angola (Unaca), no Bié, Mariano Sassoma, salientou que os camponeses da região, na sua maioria, continuam a usar os meios rudimentares, o que torna a produção agrícola menos eficaz.
A falta de sistema de irrigação em muitos campos agrícolas tem igualmente dificultado a produção, numa altura em que muitos ficam somente dependentes das águas da chuva para produzir mais e irrigar as sementes. Mariano Sassoma defendeu a análise e aplicação do sistema mecanizado de forma intensa para aumentar a capacidade de produção e atingir patamares mais altos da agricultura.
A oferta de mais insumos e créditos bancários são caminhos que ajudam a contribuir igualmente para a potencialização do sector agro-industrial e diversificação da economia. Sassoma referiu que é preciso reforço dos projectos de construção de novos mercados rurais, para facilitar a vida dos camponeses, deixando de percorrer longas distâncias para a comercialização dos seus produtos.
Os camponeses ainda carecem de tractores, gado de tracção, charruas, semeadores, enxadas, catanas, limas, fertilizantes, sementes, pesticidas, entre outros meios. Neste momento, avançou que 55 cooperativas e 418 associações de camponeses estão inscritas na Unaca, como instituições legais e autorizadas a desempenharem actividades agrícolas.
A Unaca pretende aumentar a produção e distribuir os produtos agrícolas nas regiões onde a actividade agrícola é inferior. O Governo Provincial do Bié tem criado estratégias no sentido dos camponeses conseguirem ultrapassar as dificuldades relacionadas com produtos mais consumíveis.

Agricultura familiar

A prática da agricultura familiar tem influenciado na melhoria e diversificação da dieta alimentar da população, uma forma que serve para valorizar também os produtos locais. O director do lar de idosos “Elavoko ly omuenho”, Caridade Massoli, disse que a prática do cultivo pelos idosos daquele lar da cidade do Cuito tem facilitado no ajuste da economia alimentar.
 A relação de qualquer produtor deve ser com os grandes centros de consumo e as condições iniciais como água, energia e rede viária devem ser prioridades, ressaltou. Mais de três hectares de terra estão preparados no interior do centro dos idosos para o cultivo de produtos nacionais.

Variedades na produção

O director provincial da Agricultura, Marcolino Sandemba, afirmou que a província do Bié possui variedades na produção, por ser uma terra fértil.
Em função disso, o responsável do sector a nível da província salientou que o investimento neste ramo deve ser multidimensional.
A aposta na agricultura abrange igualmente a industrialização e o comércio para banir a exportação de produtos em várias regiões do país. Para melhores resultados e investimentos, o director provincial referiu que todos os sectores que se ramificam na agricultura devem ser desenvolvidos. Apesar da região centro não ter o hábito do cultivo da mandioca, actualmente já produz em grande escala.
Todos os municípios da província têm espaço suficiente para o investimento empresarial no sector agrícola. O investidor interessado na aposta agrícola não pode apenas produzir sem considerar a integração dimensional de outros sectores que servem de propagação do produto cultivado.
“Se as condições básicas não forem resolvidas por completo, os produtos colhidos chegarão ao centro de consumo a preço alto”, disse Sandemba.

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