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Casamento e gravidez precoce em debate

Tatiana Marta | Ucuma

Uma campanha provincial contra casamentos e gravidez  precoce foi lançada ontem, na comuna de Cacoma, município do Ucuma, pela Direcção Provincial da Família e Promoção da Mulher do Huambo, para desencorajar os jovens e adolescentes destas práticas.

Organização das Nações Unidas condena o casamento infantil por privar as raparigas da vivência de sua infância e do processo educativo
Fotografia: AFP

O director dos assuntos sociais do município do Ucuma, João Pedro Caquinda, disse que a campanha serve também para educar e sensibilizar as famílias e a sociedade em geral sobre os impactos negativos dos dois fenómenos.
Uma gravidez precoce compromete o futuro de uma jovem, que vê-se obrigada a interromper a formação académica e consequentemente o seu enquadramento na sociedade, referiu João Pedro.
“Estudos revelam que em Angola os adolescentes iniciam as relações sexuais com idades entre os 11 e 12 anos, uma realidade que faz com que muitas engravidem antes de atingir a idade adulta, numa altura em que 70 por cento desta faixa etária é sexualmente activa”.
Os factos socioculturais e económicos, disse João Pedro, são determinantes na proliferação de gravidez  e casamentos precoces no país, por isso acuso certas tradições de estarem a fomentar os dois fenómenos. Em função da actual realidade, João Pedro apelou à juventude para ter mais responsabilidade e a mudar de consciência, de modo a contribuir  no combate ao casamento e gravidez precoces, que ainda são muito comuns entre as famílias.
Durante a abertura da campanha, foi realizada uma conferência em que foram debatidos temas como a “Gravidez e Casamento Precoce” e “O Papel da Família, Igreja e a Comunidade na Prevenção de Casamento e Gravidez Precoces”.
Na sua intervenção, Ezequiel Pires Neto  afirmou que a Organização das Nações Unidas condena o casamento infantil, por privar as raparigas da vivência de sua infância, perturbar o seu processo educativo, aumentar o risco de sofrer violência e abuso e colocar em risco a sua saúde física e mental.
Pires Neto considerou preocupante o aumento do número de menores que engravidam e dão à luz com idades impróprias a nível da província do Huambo.

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