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Casos de malária tendem a aumentar

Lourenço Bule | Menongue

Mais de 50 mil casos de malária, que culminaram em 226 óbitos hospitalares, foram notificados na província do Cuando Cubango, de Janeiro a Dezembro do ano em curso, informou sexta-feira, na cidade de Menongue, o director provincial da Saúde.

Autoridades locais apostam na expansão dos serviços de Saúde para diminuir os índices de mortalidade nas comunidades
Fotografia: Lourenço Bule | Menongue

Fernando Cassanga salientou que os casos de pacientes com malária tendem a aumentar, visto que, no mesmo período do ano passado, foram registados 33.682 doentes, que resultaram em 160 mortes hospitalares. Acrescentou que o aumento de mortes deve-se ao facto de muitos pacientes procurarem apenas os serviços sanitários quando se encontram em estado grave.
Fernando Cassanga disse que, de Janeiro a Dezembro de 2015, foram ainda registados 1.392 casos de HIV-Sida, contra 1.921 do ano anterior, e 623 casos de tuberculose, contra 472 do mesmo período de 2014. Foram também diagnosticados 66 casos de lepra, contra 782 de 2014, sete casos de sarampo, contra 493 do ano passado, e 4.693 de malnutrição, contra 3.159 do período anterior.
No primeiro trimestre do ano em curso, acrescentou, foram diagnosticados 596 casos de hipertensão arterial, dez dos quais terminaram em mortes.  Fernando Cassanga referenciou que o perfil epidemiológico da província não difere dos restantes pontos do país, com as doenças infecciosas a continuar a liderar, seguindo-se as crónicas e transmissíveis, tais como a hipertensão arterial, diabetes, cancro do útero e da mama e os acidentes de viação, este último que constitui um grande problema de saúde pública. Realçou que os indicadores de desempenho da vigilância epidemiologia são uma componente da estratégia para a erradicação da poliomielite, visto que a busca activa de casos de paralisia flácida aguda e a colheita das amostras e seu envio oportuno aos laboratórios da África do Sul certificam a circulação ou não do vírus selvagem da pólio.
Fernando Cassanga realçou que actualmente o Cuando Cubango conta com um médico para 11 mil habitantes, contra os 16 mil do ano de 2014, antes da realização do censo populacional, melhorando assim, de forma substancial, os indicadores de saúde, com destaque para a materno infantil.
Fez saber que actualmente o sector que dirige controla 1.525 funcionários, dos quais 45 médicos, entre nacionais e estrangeiros, 86 técnicos superiores de enfermagem e uma de fisioterapia, que asseguram o funcionamento dos 79 postos e 16 centros de saúde e nove hospitais existentes na região. Fernando Cassanga salientou que a vacinação de rotina é uma forma estratégica para a erradicação das doenças, com realce para a poliomielite. Fez saber que, durante o ano de 2015, foram vacinadas contra a poliomielite 104.183 crianças e 88.385 contra o sarampo.

Metas preconizadas

Fernando Cassanga sublinhou que, no âmbito do Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário 2013/2017 (PNDS), o sector que dirige tem como meta, para o próximo ano, a prevenção e controlo das doenças imunopreveníveis, em particular a erradicação da poliomielite, estender os serviços de vacinação de rotina de 19 para 48 unidades sanitárias e evitar o surgimento de casos de sarampo na região.
Constam ainda das acções a serem desenvolvidas a implementação do programa de vacinação de rotina nas comunidades e de programas radiofónicos, sendo realizados através de estratégias fixas, avançadas, móveis e suplementares. Acrescentou que o sector que dirige tem ainda como estratégia para 2016 a prevenção, controlo e eliminação da malária, com o aumento de cinco para nove os municípios com equipas de luta anti-vectorial, para a pulverização intra e extra-domiciliar, bem como a luta anti-larvar no Cuando Cubango
“Estas acções serão intensificadas através de actividades de promoção e mobilização social das comunidades, para que estas reconheçam os sinais e sintomas da malária e procurem os serviços de saúde atempadamente, para o tratamento adequado”, disse.
Estender os serviços de consultas pré-natais de 24 para 54 unidades sanitárias, garantindo um aumento de 69 por cento de cobertura, prevenir e inspeccionar as infecções de transmissão sexual (ITS) e promover acções para o controlo da tuberculose constam também das prioridades, segundo Fernando Cassanga.

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