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Casos de sarampo estão a aumentar

Carlos Paulino | Menongue*

Centenas de novos casos de sarampo foram registados entre Janeiro e Setembro desde ano, na província do Kuando-Kubango, re­velou, na cidade de Menongue, o representante local da Organização Mundial da Saúde (OMS), Luzamba Kabamba.

População da região continua a ser aconselhada a procurar as unidades sanitárias logo após os primeiros sintomas da doença
Fotografia: Jornal de Angola

Centenas de novos casos de sarampo foram registados entre Janeiro e Setembro desde ano, na província do Kuando-Kubango, re­velou, na cidade de Menongue, o representante local da Organização Mundial da Saúde (OMS), Luzamba Kabamba.
Embora as autoridades sanitárias não tenham assinalado qualquer caso de morte, Luzamba Kabamba está preocupado com o surto de sarampo na região, pois, como sublinhou, em 2011 foram registados 338 novos casos de sarampo, e este ano 420, o que mostra um aumento significativo.
Em declarações ao Jornal de Angola, o representante da OMS no Kuando-Kubango apontou os municípios de Menongue e do Cuchi como as localidades mais afectadas e defendeu o reforço das campanhas de vacinação contra a doença, para evitar a sua propagação nas comunas, aldeias e quimbos onde ainda não foi registo nenhum caso.
O facto da população preferir recorrer muitas vezes à medicina tradicional em busca de tratamento está a contribuir para o alastramento da doença, disse Luzamba Kabamba, sublinhando que o ano passado as autoridades sanitárias fizeram uma cobertura de vacinação na ordem dos 90 por cento da população alvo.
“Este ano nota-se uma fraca cobertura devido a ignorância dos pais e encarregados de educação e, como resultado, estamos a assistir a uma subida assustadora dos casos de sarampo, sobretudo no município de Menongue, onde já foram notificados mais de 350 casos”, reconheceu.
Luzamba Kabamba recordou que o sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, que afecta principalmente as crianças. Os sintomas começam geralmente nos primeiros cinco dias após a infecção, com febre alta, erupções cutâneas ou borbulhas no corpo, olhos vermelhos e pequenas manchas brancas na parte interna da boca. Luzamba Kabamba apelou a todos os pais a dirigirem-se à unidade sanitária mais próxima de suas casas ou ao Hospital Central de Menongue, onde foi criado uma área de isolamento para atender todos os casos de sarampo, logo após os primeiros sintomas da doença.

Bié aposta na vacinação

O Centro de Tratamento do Sarampo, do Hospital Central do Bié, recebe diariamente, em média, seis crianças afectadas por esta doença, segundo a sua responsável adjunta. Francisca Chinela afirmou que muitas crianças chegam ao Hospital Central em estado adiantado da doença, resultando, por vezes, em mortes, que podiam ser evitadas com a adesão da população às campanhas de vacinação.
O sarampo está a ser um problema tão sério para as autoridades sanitárias  decretaram o “estado de alerta” devido aos inúmeros casos que a província do Bié regista.
O médico João Campos, chefe de departamento de Saúde Pública e Controlo de Endemias, referiu que, como medida preventiva, existe a obrigatoriedade do uso do cartão de vacinas, pois, esclareceu, a vacina contra o sarampo é administrada nos primeiros nove meses de vida. “A criança vacinada pode apanhar o sarampo, mas de uma forma pouco grave”, disse o médico.
João Campos informou que o sector da Saúde no Bié privilegia as campanhas de rotina e mobilização das mães no sentido de levarem os filhos à vacinação. “Devido ao surto epidémico, vamos realizar a campanha de vacinação em toda a província dentro de dias”, anunciou, pedindo aos pais para levarem as crianças aos centros e postos médicos, antes mesmo do início da campanha de vacinação”, disse João Campos.

*Com João Constantino | Cuito  

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