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Centro de investigação construído no Uíge

António Capitão | Uíge

A Universidade Kimpa Vita está a construir um centro de investigação científica no átrio da sua reitoria, para a pesquisa, identificação, prevenção e combate às doenças mais frequentes na região.

Os investigadores que vão garantir as pesquisas têm formação em Medicina e estão concentrados no curso superior de enfermagem
Fotografia: António Capitão | Uíge

O director do gabinete do reitor, Augusto Lunganga, disse que a construção desta infra-estrutura de pesquisa científica  integra os vários subprojectos desenvolvidos pela Universidade  Kimpa Vita.
O principal objectivo do centro de investigação é identificar as principais patologias que afectam as populações da região e encontrar soluções para a sua erradicação.
“Neste momento, estamos a trabalhar na construção da infra-estrutura que vai albergar o centro de pesquisa, que vai ser um valor acrescentado para os serviços de saúde na província do Uíge, sobretudo na formação de especialistas em análises clínicas”, referiu Augusto Lunganga.
As instalações e o número de laboratórios projectados vão permitir efectuar grandes estudos sobre as doenças que afectam a região, considerada bastante endémica devido à sua característica geográfica. Para suporte do futuro centro de investigação existem alguns subprojectos, como o processo de catalogação de plantas medicinais, em fase de execução avançada, o estudo da incidência e prevalência da pólio e doenças infecciosas tropicais.

Jardim Botânico

Em 2015 vai ser desenvolvido o projecto de rastreamento das doenças infecciosas da província e nesta fase procuram-se respostas para as endemias que mais afectam as populações para, depois, se partir para as pesquisas sobre as questões mais complexas, explicou.
“Este vai ser um dos contributos sociais da Universidade Kimpa Vita à região, no domínio da saúde”, disse o director do gabinete do reitor.  Por outro lado, o Jardim Botânico da Universidade Kimpa Vita está a ser criado num espaço de 73 hectares localizados no futuro campus universitário, a cerca de seis quilómetros da cidade do Uíge.
O espaço vai servir para a produção de plantas medicinais, como primeiro passo para o surgimento da indústria farmacêutica na região, além de fortalecer a fitoterapia em Angola, com medicamentos cientificamente aprovados. “O Jardim Botânico tem duas finalidades: a criação de plantas medicinais que vão servir para estudo e comercialização ou a produção de medicamentos”, adiantou Augusto Lunganga, ao referir que está a ser preparado um catálogo para todas as plantas medicinais existentes no Uíge, sua composição e utilização médica. Mais de 150 plantas medicinais já foram estudadas e certificadas, fruto da cooperação entre a Universidade Kimpa Vita e a Universidade Técnica de Dresden (Alemanha).
As plantas foram recolhidas no Uíge e levadas para laboratórios da Alemanha, onde foram identificadas e devidamente caracterizadas, estando nesta altura a ser listadas numa base de dados. “Já arrancámos com a fazenda experimental, um serviço auxiliar do Jardim Botânico, onde estão a ser produzidas variedades de plantas medicinais e outros produtos agrícolas para o estudo das suas capacidades de adaptação aos solos”, disse.
A fazenda tem também por objectivo ajudar o Governo no programa de combate à pobreza, através de acções de maior produtividade agrícola, para garantir a auto-suficiência alimentar da região.
Os investigadores que vão garantir as pesquisas têm formação em Medicina, Química e Biologia, e estão concentrados no curso superior de enfermagem da escola superior politécnica, onde são docentes. No projecto, a Universidade Kimpa Vita vai contar com a cooperação de Universidades da Alemanha, Portugal e Brasil.
“O incremento do projecto vai trazer muitos ganhos para a região, tendo em conta algumas situações más a que assistimos há anos, como o surto de marburg, que assolou a província em 2005 e cujas consequências foram nefastas, devido à falta de soluções imediatas”, lembrou o director do gabinete do reito.
“Com a criação do centro de investigação e a chegada de especialistas estrangeiros, também vamos poder auxiliar na actualização dos profissionais do sector da Saúde”, referiu Augusto Lunganga, ao recordar que os professores do curso superior de Enfermagem têm auxiliando o Hospital Geral do Uíge, transmitindo a sua experiência.

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