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Chinguar a caminho do desenvolvimento sustentável

Sérgio V. Dias | Chinguar

O Chinguar, a 75 quilómetros a sudoeste do Cuito, capital da província do Bié, celebra, amanhã, 45 anos desde que ascendeu à categoria de vila, a 8 de Setembro de 1971.

A chegada do comboio ao município do Chinguar está a facilitar as trocas comerciais e o escoamento dos bens do campo
Fotografia: Miqueias Machangongo

Denominado anteriormente Nguali (perdiz), nome de uma aldeia e do antigo soba e caçador da área, a região foi fundada em 1810, aquando da chegada dos primeiros portugueses, provenientes da embala Chyundu.
A região era, na altura, adstrita ao actual município de Cachiungo (ex-Bela Vista), administrativamente pertencente à província do Huambo.
Com uma extensão de 3.300 quilómetros quadrados, o Chinguar conta com uma população estimada em mais 120 mil habitantes, que se dedicam essencialmente à actividade agrícola, distribuídos pela sua sede e pelas comunas do Cutato e de Cangote.
Com muitos recursos naturais, a região dispõe de uma rica bacia hidrográfica, que alimenta os rios da província do Huambo, como o Cuche e o Cutato dos Bângalas, onde se prática a pesca fluvial, e conta ainda com várias embalas, quimbos e povoações.
 
Melhoria dos serviços
 
Nos últimos tempos, o Chinguar ganhou notoriedade, sobretudo por ter registado melhorias no domínio socioeconómico, através do Caminho-de-Ferro de Benguela, bem como pela estrada internacional que liga Angola, Zâmbia e o Congo Democrático.
A chegada do comboio do CFB à província e à circunscrição, particularmente, veio impulsionar, igualmente, as trocas comerciais, entre os munícipes e a população de outros pontos do Bié e províncias vizinhas, como o Huambo e o Moxico.
A guerra que assolou o país, em particular a província do Bié, destruiu grande parte das infra-estruturas sociais e económicas desta circunscrição, dentre elas pontes e parte da linha do caminho-de-ferro, escolas e hospitais. Apesar deste cenário, provocado pela guerra, o Chinguar tem vindo a dar sinais positivos, fruto dos investimentos do Governo. Regista-se hoje uma melhoria e o aumento dos serviços sociais básicos à população.
Nestes catorze anos de paz efectiva, o município ganhou várias escolas, postos de saúde e outras infra-estruturas socioeconómicas, que impulsionam o bem-estar da população. De infra-estruturas há também a destacar no Chinguar os projectos habitacionais, particularmente os dos duzentos fogos por município e as casas rurais.
A administradora municipal, Beatriz Diniz Napembe, destaca o projecto das cem casas rurais, afectas ao Aldeamento ki Kuia”. O referido projecto, financiado pelo Ministério do Comércio, em parceria com o Governo do Bié, insere-se no Programa de Combate à Fome e à Pobreza, em curso no país. As casas são construídas na aldeia de Cantão 4, numa superfície de 25 hectares. No mesmo espaço, estão também em construção posto de saúde e escolas primária e do I ciclo do ensino secundário.
O “Aldeamento ki Kuia”, de acordo com Beatriz Diniz Napembe, enquadra-se no programa “Eco Vilas”, que prevê a construção de sistemas de produção de alimentos, fomento da aquicultura e a criação de um viveiro de frutas, entre outros projectos.
A nível da rede bancária, o município do Chinguar conta hoje com dependências dos bancos de Poupança e Crédito (BPC), do Internacional Comercial (BIC) e do Sol, segundo a administradora.
 A fazenda Vinevala é uma referência obrigatória do município. Propriedade de Alfeu Vinevala, conhecido empresário do ramo agrícola, a mesma dispõe de uma diversidade de culturas, como as de batata rena, trigo, feijão e milho.

Aumento da produção

Recentemente, por ocasião da quarta edição das festas do Bié, que ganharam formato provincial, pela aproximação da data das comemorações dos municípios do Cuito, Nharea e Chinguar, Alfeu Vinevala prometeu expandir os seus negócios.
“Temos possibilidades de expandir os negócios e trocar experiências com os empresários das províncias vizinhas”, disse o proprietário da fazenda Vinevala, que ostenta o estatuto de maior produtora de batata no país.
A fazenda Vinevala, no município Chinguar, produziu este ano, a título experimental, 50 toneladas de trigo bruto, que está a ser comercializado a 500 kwanzas por quilograma. O seu proprietário disse que a iniciativa serve de ensaio da produção do cereal num espaço de 12 hectares, com um aproveitamento de 90 por cento do capital investido.
Devido a este rendimento, sublinhou, a fazenda está a trabalhar em 100 hectares de terra para a cultura do trigo no próximo ano.
Responsáveis de zonas industriais, como as do Cuanza Sul, Malanje e Cuando Cubango, estiveram na fazenda Vinevala com o propósito de adquirir o produto e transformá-lo em farinha de trigo. Por isso, justifica Alfeu Vinevala, a produção do trigo deve ser promovida em todo o país.
 
Grupos etnolinguísticos
 
O Chinguar é habitado por vários grupos etnolinguísticos, sendo mais representativo o umbundo e o menos numeroso o ganguela. Reza a história que a população banto quando chegou à região instalou-se na embala Moma, para praticar caça.
A primeira embala pertencia ao soba Chipalavela, fundada pelo caçador Chimbango vindo do Mungo (Huambo). Este havia instalado um posto de observação de caça no morro turístico de Chimbango, o ponto mais alto da província do Bié.
O município do Chinguar faz fronteira a Sul com o Chitembo, a Sudoeste com o Cuito, a Oeste com o Cachiungo, circunscrito à província do Huambo, e no seu corredor Norte com o Cunhinga.
Depois da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975, já estiveram à frente dos destinos do município oito administradores: Neto Pinto, Manuel de Oliveira Pena, Gabriel Essuvu, Augusto Barros, Carlos Candembe, Calvino Chingongo, Maria Madalena Domingos e a actual, Beatriz Napembe, que revela satisfação pelos programas em execução na região.

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