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Chinguar diversifica culturas

Sergio V. Dias | Chinguar

O município do Chinguar, situado a 75 quilómetros do Cuito, capital do Bié, é uma referência na cultura da bata rena. A fazenda Vinevala, que cultiva o produto em maior escala no país, surge como cartão de visita da região, sobressaindo nela ainda diversidade de culturas, como as do trigo, feijão e milho.

Fazenda Vinevala está fortemente apostada na produção de batata e ainda nas culturas do trigo e feijão
Fotografia: Garcia Mayatoko | Mbanza Congo | Edições Novembro

A grande aposta dos responsáveis da fazenda passa por expandir o negócio. No ano transacto, a título experimental, a fazenda Vinevala produziu cerca de 50 toneladas de trigo, que foi comercializados ao preço de 500 kwanzas o quilograma.
Não é por acaso que responsáveis de zonas industriais das províncias do Cuanza-Sul, Malanje e Cuando Cubango se deslocaram à fazenda Vinevala com o propósito de adquirirem o produto e posteriormente transformá-lo em farinha de trigo.
Um outro projecto com impacto  positivo na região é o  “Aldeamento Ki Kuia”, enquadrado no  programa “Eco Vilas”, que prevê a construção de sistemas de produção de alimentos, fomento da aquicultura e  produção de frutas.
O projecto, financiado pelo Ministério do Comércio, em parceria com o Governo Provincial do Bié, faz parte do Programa de Combate à Fome e à Pobreza, do qual consta  a construção de casas na aldeia de Cantão 4, numa superfície de 25 hectares.
No mesmo espaço, estão em construção um posto de saúde e uma escola primária e do I ciclo do ensino secundário. A chegada do comboio do Caminho-de-Ferro de Benguela ao Bié impulsionou as trocas comerciais entre as  populações.  Entre os ganhos, destaca-se a construção de escolas, postos de saúde e outras infra-estruturas socioeconómicas.
Das obras em curso, realce para o projecto dos 200 fogos habitacionais, no qual o município beneficiou de 150 residências e 20 outras evolutivas. Também foram construídas dez moradias para os quadros locais.
Relativamente ao programa de autoconstrução dirigida e às reservas fundiárias, até ao momento foram criados vários planos de urbanização. O programa “Água para todos” e os programas ligados à agricultura, com destaque para a construção de escolas de campo, com vista ao reforço das associações de camponeses e cooperativas agrícolas, também ganham espaço no Chinguar. O Centro de Logística e Distribuição, com oito câmaras de conservação de produtos, é outra referência.

Saúde e Educação

O sector da Saúde dá passos firmes na boa direcção, com a construção do Hospital Municipal,  a existência de 17 postos sanitários, um centro materno-infantil no Chinguar, assim como outros dois nas comunas do Cangote e Cutato. As unidades sanitárias garantem a assistência médica e medicamentosa as populações.
A construção da Repartição da Saúde, ampliação dos serviços na área de morgue, bloco operatório, raios X, hemoterapia e de laboratórios, dão  sustentabilidade ao sector na circunscrição.
A nível da Educação, foram matriculados  este ano 45.795 alunos, inseridos em escolas do ensino primário, I e II ciclo secundário e magistério primário. As aulas são asseguradas por 1.331 professores, cifra considerada exígua pela administradora local, Beatriz Napende Diniz, que diz existir 3.345 crianças fora do sistema de ensino.

Morro de Chimbango


Quanto à energia eléctrica e de abastecimento de água, a situação tem melhorado significativamente. O fornecimento da luz eléctrica é feito através de seis grupos geradores, ao passo que a água por sistemas de manivelas, que funcionam com painéis solares. No município do Chinguar salta ainda à vista o morro turístico de Chimbango, considerado o ponto mais alto da província do Bié. É onde pontifica o Santuário de Nossa Senhora de Fátima, que assinalou em Maio último a festa do jubileu dos 75 anos.
Por ocasião da efeméride, o núncio apostólico de Angola e São Tomé e Príncipe,  Monsenhor Petar Rajic, abençoou a  capela com  missa do quinto Domingo de Páscoa, que juntou mais de sete mil fiéis de diferentes pontos do país.
Com uma extensão de 3.054 quilómetros quadrados, o Chinguar conta com uma população estimada em 130 mil habitantes, que se dedica essencialmente à actividade agrícola, distribuída, além da sua sede, pelas comunas do Cutato e de Cangote.O Chinguar faz fronteira a sul com Chitembo, a sudoeste com Cuito, a oeste com Cachiungo, na província do Huambo, e no corredor norte com  Cunhinga.
Depois da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975, passaram pela região oito administradores, Neto Pinto, Manuel Pena, Gabriel Essuvu, Augusto Barros, Carlos Candembe, Calvino Chingongo, Maria Domingos e a actual, Beatriz Napende Diniz.

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