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Circulação fluída entre Huíla e Kuando-Kubango

Domingos dos Santos|

Um movimento frenético de homens e máquinas, com realce para pás escavadoras, cilindros niveladores e bulldozers, marca os trabalhos de reabilitação do troço Matala-Kuvango, na província da Huíla, numa extensão de 169 quilómetros.

 

Um movimento frenético de homens e máquinas, com realce para pás escavadoras, cilindros niveladores e bulldozers, marca os trabalhos de reabilitação do troço Matala-Kuvango, na província da Huíla, numa extensão de 169 quilómetros.
Este troço faz parte da Estrada Nacional 280, que liga as províncias do Namibe, Huíla, Kuando Kubango, em direcção à vizinha Namíbia.
O empreiteiro trabalha 24 sobre 24 horas, todos os dias da semana, e conta com mais de cem trabalhadores, apoiados por 90 camiões e mais de uma centena de máquinas.
Os trabalhos consistem na reconstrução geral da estrada, colocação de pavimento de betão betuminoso e melhoria do sistema de drenagem das águas pluviais, além de outras intervenções necessárias.
De capital importância socioeconómica para a ligação rodoviária entre as três províncias de Angola e a Namíbia, a reconstrução e reabilitação dos 169 quilómetros da Estrada Nacional 280 foi adjudicada à empresa Aerovia, que, por sua vez, subcontratou uma empresa chinesa para a execução dos trabalhos.
Para a reconstrução e reabilitação da Estrada Nacional 280 foram montadas duas britadeiras, que produzem cerca de mil toneladas de pedra por dia. Das infra-estruturas de apoio ao pessoal salientam-se dois acampamentos, onde em cada um funciona, entre outras unidades, um posto médico para tratar casos de emergência, como acidentes de trabalho, além de doenças gerais.
Os trabalhos de reabilitação começaram em Maio de 2007 e, disse o fiscal da obra, Afonso Ronda, estarão concluídos em Agosto do próximo ano.
“Contratualmente, o empreiteiro deve concluir as obras até 31 de Dezembro deste ano, mas as chuvas, que têm caído com muita intensidade, estão a provocar atrasos em alguns troços, razão pela qual a obra só vai ser entregue, muito provavelmente, em Agosto de 2010”, explicou.  
Apesar das fortes chuvas que se fazem sentir na província da Huíla, mais de 70 quilómetros já foram asfaltados, facto que deixa feliz os automobilistas que todos os dias circulam naquela via, fazendo a ligação entre as cidades do Lubango e de Menongue, capital da província do Kuando Kubango.
“A estrada foi alargada de seis para oito metros e vai ter bermas de meio metro de cada lado, duas faixas de rodagem e lancis”, disse, acrescentando que a próxima fase é a da sinalização e sistema de drenagem das águas pluviais.
Afonso Ronda, moçambicano, residente em Angola há um ano, garantiu que o empreiteiro tem estado a cumprir com os “requisitos especificados no contrato”.
“Este pavimento que está a ser construído foi concebido para um período de vida útil de 15 anos”, frisou.
O material utilizado para a reabilitação da estrada cumpre com os padrões exigidos pelo Laboratório de Engenharia de Angola, referiu Afonso Ronda, da empresa Africon, responsável pela fiscalização da obra.
“Temos laboratórios em alguns acampamentos que realizam todos os ensaios necessários para controlo da qualidade”, disse, acrescentando que os ensaios são feitos não só pelo empreiteiro, mas pelos técnicos da empresa fiscalizadora da obra, para a reverificação dos resultados obtidos nos primeiros testes.
 “Se o fiscal verificar que o material depois de aplicado não tem qualidade, é removido”, disse, reconhecendo já ter se verificado casos do género. “Os trabalhos foram rejeitados e o material removido”, disse.
O empreiteiro conta com uma central de brita para o asfalto com capacidade para produzir mil toneladas por dia. O asfalto é adquirido na cidade do Namibe, na central de produção de asfalto com capacidade para produzir 300 toneladas por hora.

Troço Cacula-Ngola

Ligar a cidade do Lubango aos municípios do interior e, consequentemente, às províncias vizinhas é o grande o objectivo da reabilitação da Estrada Nacional 120, que faz a ligação entre as localidades de Cacula, na província da Huíla, e Caála, no Huambo, com 300 quilómetros, divididos em cinco empreitadas.
Uma dessas empreitadas é o troço Cacula-Negola, em direcção à província do Huambo, numa extensão de 59 quilómetros. Com 40 quilómetros de estradas já pavimentadas e sinalizadas, o empreiteiro prevê terminar a reabilitação deste troço, cujos trabalhos começaram em Março de 2008, em Fevereiro de 2010.
“Já temos 40 quilómetros todos pavimentados e sinalizados, faltando concluir 19 que, por causa das chuvas, que este ano começaram mais cedo, vão terminar somente em Fevereiro de 2010”, explicou Manuel Rodrigues, assessor técnico da Planasul, empresa subcontratada pela Paviterra para reabilitar aquela via.
Quando concluída, a estrada vai ter uma plataforma de dez metros e meio de largura, duas faixas de rodagem, de sete metros cada, para uma velocidade de 80 quilómetros à hora, bermas de um metro de cada lado, lancil de betão e uma cerca em toda a extensão, para evitar a invasão de animais, sobretudo gado bovino.
Ainda na Estrada Nacional 120, a empresa está, também, a reabilitar o troço Cusse-Caluquenbe, com 74 quilómetros. As obras desse troço, que com as mesmas dimensões do outro, estão avaliadas em cerca de 65,8 milhões de dólares.
 
Mão-de-obra 

Uma mão-de-obra composta por 260 trabalhadores, sendo 60 angolanos e 200 chineses, trabalha em regime “non stop” para que a obra termine nos prazos estabelecidos nos contratos, apesar de este ano São Pedro ter aberto as comportas do céu mais cedo do que o previsto.
Bernabé Cabinda Chuvica, operador de máquinas, disse que, “apesar de o salário ser magro”, sente “orgulho por contribuir no processo de reconstrução e construção de estradas que vão ligar o país inteiro”.
“Não digo que ganho pouco, não dá é para satisfazer todas as minhas necessidades, mas o mais importante é saber que estou a contribuir para a reabilitação das estradas da província da Huíla, em particular, e do país, em geral,”, disse.
José Canhão, igualmente operador de máquinas, é outro filho da Huíla que trabalha todos os dias para que a Estrada Nacional 280 esteja pronta nos prazos previstos nos contratos.

Automobilistas satisfeitos

Adriano Muchanga, taxista que faz a rota Matala-Kuvango, há quatro meses, mostrou-se regozijado com a reabilitação daquele troço, pois agora pode circular com maior comodidade e tranquilidade.
“Hoje, com a reabilitação deste troço, já viajamos à-vontade, ao contrário do que acontecia anteriormente, em que, por causa do mau estado da estrada, tínhamos muitos problemas de avarias com as nossas viaturas”, explicou, reconhecendo o empenho do Governo na reabilitação e construção de estradas em todo o país.
“Para que haja crescimento e desenvolvimento num país é necessário estradas que vão permitir ligar o litoral ao interior, possibilitando a circulação de pessoas e bens, reabilitação e construção de novas escolas, hospitais e outras infra-estruturas que concorrem para o bem-estar das populações”, afirmou.
José António, comerciante, residente no Kuvango, disse que a reabilitação do troço “vai reduzir de 11 para duas horas o tempo de viagem” entre Matala e Kuvango e acredita que, com a estrada reabilitada, o preço da viagem possa reduzir, pois os taxistas “deixam de ter a desculpa de cobrar alto por causa do mau estado da via”.
“Se o preço vai baixar ou não, depende dos próprios taxistas, mas acho que terão que baixar, porque eles dizem que cobram a actual tarifa, que é de mil kwanzas, pelo mau estado da estrada”, explicou.
Já  Avelino Kangupe, professor no Kuvango, louvou a iniciativa do Governo em reabilitar as estradas do país, mas lamentou a “morosidade na execução dos trabalhos”.
Avelino pensa que, com a “reabilitação das estradas da província vai melhorar a vida das populações do interior, pois vai ser possível o escoamento de produtos do campo para a cidade e vice-versa”.
Carlos David disse que a viagem para  o Kuvango agora é confortável, pois já foram asfaltados muitos quilómetros de estrada: “Daqui até Kuvango a estrada está toda pavimentada e sinalizada, o que garante uma viagem tranquila”.
O caminho é longo. Por isso, alguns preferem dormir, enquanto outros contemplam as paisagens que a natureza oferece ou acompanham o trabalho de reabilitação de estradas realizado por angolanos, chineses, brasileiros e portugueses.
 “A estrada Matala-Kuvango agora está muito boa e em apenas duas horas chegamos ao destino”, disse, Bernardino da Costa, enquanto observava a paisagem.

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