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Combate à pobreza em debate

João Silva | Dundo

O papel da mulher rural no desenvolvimento das comunidades e no combate à pobreza foi abordado durante uma palestra realizada ontem, com a participação de mais de 300 camponesas agregadas na cooperativa agropecuária do Txatanda Canjamba, município do Chitato, na Lunda-Norte.

Mulheres da cooperativa agropecuária do Txatanda Canjamba falam numa palestra sobre os seus direitos e deveres
Fotografia: Eduardo Pedro | Edições Novembro

A palestra, que marcou a abertura da jornada das actividades alusivas aos dias 15, 16 e 17 de Outubro, datas consagradas mundialmente, pelas Nações Unidas, à mulher rural, à alimentação e ao combate à pobreza no seio das comunidades, foi promovida pela Direcção Provincial da Família e Promoção da Mulher, que, para este ano, tem como lema central “Promover a mulher rural para dinamizar o desenvolvimento local e o combate à fome e a pobreza”.
Maria Helena, porta-voz das mulheres camponesas da cooperativa agrícola Txatanda, que se manifestou satisfeita pelo facto de a Direcção Provincial da Família e Promoção da Mulher ter escolhido a regedoria do Comboio, onde está localizada a associação, para a abertura oficial do programa de actividades, sublinhou que a mulher rural é a franja da sociedade que mais sofre com a violação dos seus direitos elementares, tendo em conta as condições pelas quais realiza as suas actividades no campo e sociais.
As violações dos direitos das mulheres, acrescentou, precisam de ser revistas por quem de direito, pois as dificuldades que as camponesas experimentam no exercício das suas tarefas produtivas podem ser ultrapassadas com a criação e manutenção das redes sanitárias junto da população no meio rural, comercialização dos produtos agrícolas, aquisição de instrumentos de trabalho, sementes, fertilizantes, adubos, bem como reabilitação das vias de acesso, para facilitar o escoamento dos produtos agrícolas, e expansão do processo de ensino e alfabetização das mulheres.
Maria Helena considerou ser relevante salientar que o meio rural, apesar dos esforços que o Governo tem empreendido, ao apoiar com instrumentos e imputs e incentivar o fomento da agricultura, ainda carece de maior atenção do Executivo e seus parceiros, para se alcançar os propósitos preconizados, sobretudo no combate à fome e redução da pobreza.
Segundo a responsável das mulheres camponesas, quando se fala da diversificação económica no país, as mulheres rurais também têm uma palavra a dizer.
 “A organização da actividade agropecuária, a implementação das políticas que visam a melhoria das acções nos campos de cultivo, que passam pelos micro-créditos agrícolas, devem merecer atenção especial,  para minimizar as dificuldades das mulheres rurais na produtividade e na estabilidade social da população dessas localidades”, sublinhou.
Maria Helena reafirmou que as mulheres rurais da província da Lunda-Norte, apesar das dificuldades que enfrentam, continuam firmes, presentes e prontas para desempenharem o seu papel de fortalecer a sociedade, a economia e as famílias.
Segundo a directora provincial da Lunda-Norte da Família e Promoção da Mulher, Amélia Paula Valente, a maior parte das mulheres angolanas está integrada na produção agrícola, reconhecendo-se, nas comunidades, o seu papel na gestão e utilização dos alimentos e recursos materiais.
A efeméride, reconhecida pelas Nações Unidas, segundo a directora provincial do Minfamu, é comemorada em mais de 100 países do mundo, incluindo Angola, como digno reconhecimento à contribuição da mulher nas economias de qualquer sociedade.
Amélia Paula incentivou as mulheres camponesas da cooperativa Txatanda e não só no sentido de continuarem a empenhar-se no desenvolvimento da agricultura, como via de estabilização económica e redução da fome, miséria e do combate à pobreza no seio da população da região.
A responsável provincial da Lunda Norte da Família e Promoção da Mulher mostrou-se satisfeita com o trabalho e os resultados apresentados pelas mulheres camponesas da cooperativa agrícola Txatanda.
A província da Lunda-Norte, concretamente o município do Lôvua,  acolhe o acto central do Dia Mundial da Alimentação, a assinalar-se no próximo dia 16.
De referir que na província da Lunda Norte, governo e parceiros sociais têm apoiado os camponeses organizados em associações e cooperativas agrícolas, com sementes, fertilizantes e instrumentos de trabalho, visando o aumento da produção, no âmbíto do programa do Executivo de combate à fome e diminuição da pobreza nas comunidades.
As vias de acesso às áreas de cultivo têm sido também intervencionadas, para facilitar as trocas comerciais e o escoamento dos produtos do campo para os principais mercados da Lunda-Norte e das províncias vizinhas.

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