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Comuna de Cota é recordada em Lisboa

Sérgio V. Dias

Alice Costa Saraiva, 65 anos, é uma portuguesa que fala de Angola com nostalgia. Diz guardar boas recordações do então posto administrativo (comuna) do Cota, no concelho (município) de Kalandula, distrito (província) de Malanje, onde viveu de 1957 a 1974 e lhe nasceram os dois filhos.


 
Alice Costa Saraiva, 65 anos, é uma portuguesa que fala de Angola com nostalgia. Diz guardar boas recordações do então posto administrativo (comuna) do Cota, no concelho (município) de Kalandula, distrito (província) de Malanje, onde viveu de 1957 a 1974 e lhe nasceram os dois filhos.
Quer voltar a Angola para rever a terra, velhos amigos e os lugares por onde passou “bons e inolvidáveis momentos” da juventude. “Ainda hei-de visitar Angola, um dia”, diz embevecida.
Recorda que a localidade do Cota, no município de Kalandula, é a que mais a marcou durante os 17 anos de Angola, não apenas por ter sido lá onde se casou e nasceram os filhos, mas, sobretudo, pela simples e hospitaleira maneira de ser da população.
“Foi no Cota que construí a minha vida, casei-me e criei os meus dois filhos. Enfim, adorei essa região próxima das Quedas de Kalandula, não apenas por ser muito bonita, mas, acima de tudo, porque ali passei alguns dos momentos mais marcantes da minha juventude e convivi com pessoas maravilhosas”, disse.
Dona Alice conta que não dispunham de fortuna, ela e o marido tinham apenas uma moagem e uma pequena loja, onde vendiam produtos alimentares e alguns outros, como roupas, calçado, enxadas.
“Cota era um lugarejo pequeno onde todos nos conhecíamos”, recorda com saudades.
“Tínhamos uma moagem, onde preparávamos a croeira para obter a fuba de bombó. Eu e meu marido transportávamos, regularmente, sementes de horto-frutículas para as lavras da região que tinha pessoas maravilhosas”, lembra.
Acrescentou que naquele tempo as transacções comerciais eram feitas com base na confiança, nem sempre se exigia o dinheiro a pronto, o “vale para pagar depois era quase sempre a moeda de troca”. 
Dona Alice conta que, mesmo depois de ter deixado o país, em 1974, nunca perdeu o contacto com Angola. A loja onde trabalha, há mais de 30 anos, na Avenida Almirante Reis, em Lisboa, é um local muito frequentado por angolanos.
“Nunca perdi contacto com aquela terra maravilhosa”, declarou Dona Alice.
Alice Saraiva comenta que era com profunda tristeza que ouvia os relatos sobre a guerra que assolou o país durante cerca de 30 anos. “Sempre que ouvia os relatos sobre a guerra ficava com o coração partido. Esta situação abalou-me bastante porque os angolanos não mereciam sofrer como sofriam naquele período. Foi com muita tristeza que ouvia, a partir de Portugal, os relatos da guerra em Angola”, disse sem conseguir conter as lágrimas.
No cimo dos seus 65 anos, Alice Saraiva recorda, ainda, com saudade, as cidades de Malanje, Luanda, Nova Lisboa, actual Huambo, Benguela e Lobito, onde, às vezes, ia de férias com o marido.
Alice da Costa Saraiva sublinha que os dois filhos, hoje homens feitos, anseiam, também, visitar, um dia, a terra que os viu nascer e inebriarem-se com a visão das famosas quedas de água de Kalandula, que não visitam desde meninos.
Durante a longa conversa,  Alice Saraiva falou dos bons tempos da juventude em Angola, onde havia uma grande solidariedade entre as pessoas de lugares pequenos, apesar da pobreza em que muitas famílias viviam.

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