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Construção de internato promove maior acesso de crianças ao sistema de ensino

João Upale | Virei

Um internato municipal com capacidade para albergar 300 camas vai ser construído e apetrechado na sede municipal do Virei, Leste da província do Namibe, com vista a garantir maior acesso ao sistema de ensino e aprendizagem no acolhimento de crianças e adolescentes e não só, oriundos do interior e também da sede do município, que procuram estudos ao mais alto nível, e permitir que as mesmas abdiquem da prática de transumância.

Fotografia: DR

A execução das obras, enquadradas no Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), deve durar seis meses, está a cargo da empresa de construção civil Luaz & Filhos Limitada e está avaliada em 89 milhões e 202 mil kwanzas.

O Lar comporta quatro blocos, dos quais dois dormitórios com 150 camas cada, refeitório, cozinha, sala de informática para 90 utilizadores, sala de reuniões e uma área administrativa com quatro gabinetes.

A par do internato constam ainda cinco dos 15 projectos para o Virei, a construção e apetrechamento de um Centro Médico com 60 camas na comuna de Cainde com duas enfermarias com dez camas, salas pós parto, de operação, de aconselhamento sobre HIV/Sida, e outras estruturas de apoio como o refeitório, depósito de medicamentos e casa mortuária com quatro gavetas, a ser erguida numa superfície de 2.814 metros quadrados.

Com um montante avaliado em 283 milhões 194.067,58 de kwanzas, essa infra-estrutura sanitária está encarregue à empreiteira Adriano da Silva Limitada, que deve entregar as obras num prazo de 180 dias.

Uma outra superfície, de 8.000 metros quadrados, vai ser ocupada com a construção e apetrechamento de um Posto Médico com capacidade para dez camas na localidade de Luvar, comuna de Cainde, também com seis meses de execução, a cargo da empresa Chave Ngola Limitada, num montante de 248 milhões 596.084 de kwanzas.

Juntam-se a essas empreitadas a execução de sete (7) chimpacas no deserto do Virei pelo grupo Majopo Limitada, avaliada em 21 milhões de kwanzas, também com o tempo de execução de seis meses.

A par disso, três outras chimpacas vão igualmente ser implantadas nas localidades de Khande, Mukhanga e Kavelundu. Estas vão custar aos cofres do Estado 8 milhões 910.118,12 kwanzas, e a empresa encarregue pelos trabalhos é a Emakaty, Limitada. O governador provincial do Namibe, Archer Mangueira, que lançou a primeira pedra para a construção do Internato, referiu que o PIIM, agora, “é uma realidade no município do Virei”, tendo admitido que os cinco projectos lançados nesta municipalidade incidem essencialmente nos três domínios, sendo a educação, saúde e infra-estruturas para apoio à pastorícia.

São domínios de destaque por serem “críticos e importantes” para o desenvolvimento da província, sendo a educação e a saúde factores que incidem no investimento do capital humano, ou seja, na formação integral das pessoas para que elas contribuam de forma decisiva e efectiva para o desenvolvimento integrado da província e, particularmente, do município do Virei, asseverou Archer Mangueira.

Mitigar o impacto da seca


Referiu que este município foi dos mais afectados pela seca a nível nacional, daí a razão de priorizar a construção de infra-estruturas como as chimpacas, que podem facilitar a criação e o desenvolvimento da pastorícia no Virei, por ser “muito rico” na produção e na exploração do gado.

Com essas chimpacas vão certamente reduzir ou mitigar o impacto da seca nas zonas mais desérticas deste município. O governador reiterou o apelo aos empreiteiros, aos fiscais e à própria administração municipal para observarem com rigor as disposições contratuais que definem as relações entre várias partes envolvidas nessas empreitadas, de maneira a que haja bastante rigor na qualidade das obras e no cumprimento dos prazos.

O governador lembrou que foi no Virei onde lançou o desafio para cumprir com o prazo definido na altura, e a observar, para o cumprimento das condições preparatórias, para que os projectos do PIIM, não só deste município, fossem lançados seguindo os procedimentos instituídos a nível central e respeitando também os prazos que estavam definidos pela Coordenação Central.
Hoje podemos dizer, com grande satisfação, que o PIIM não é só já uma realidade na nossa província, mas também no município do Virei - enfatizou.

A expectativa do governo local é de tudo fazer nesse sentido e contar com mais projectos no âmbito do PIIM no município do Virei, acrescentou.
“Vamos continuar a trabalhar para que mais projectos possam ser lançados aqui no Virei, e estamos esperançados que isto aconteça a curto prazo, porque a própria Vila precisa de outra vida, dinâmica, qualidade, para que os nossos concidadãos sintam as melhores condições de viver e praticar as suas actividades”, concluiu o governador.

O administrador municipal do Virei, Lénine dos Santos Francisco, salientou que o momento é um momento elevado para a população, por constituir uma grande honra e satisfação por todo o trabalho que o município foi realizando em coordenação com os distintos órgãos do governo provincial, para o cumprimento, com rigor, de todas as regras e procedimentos estabelecidos pela Lei 9/16 de 16 de Junho (Lei dos Contratos Públicos).

Mais postos de trabalho

O administrador disse ter a “plena certeza” que essas acções de carácter social trarão enormes benefícios, desde a melhoria dos cuidados primários de saúde, passando pela assistência médico-medicamentosa, à redução da taxa de mortalidade, maior acesso ao sistema de ensino e aprendizagem, melhoria da qualidade de vida das populações na redução dos efeitos causados pela seca e, consequentemente, proporcionará mais de 185 postos de trabalho, principalmente para a camada jovem.

“No nosso entender é um ganho bastante positivo”, aflorou, tendo reconhecido que, para chegar até aqui, foi necessário, por parte do governador Archer Mangueira, visão, ousadia e coragem, a quem enalteceu o seu esforço, dedicação e espírito de missão e dos demais órgãos intervenientes que estiveram envolvidos na preparação e elaboração, para que o Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), fosse uma realidade na província do Namibe, e, em particular, no município do Virei.

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