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Consultas gratuítas a crianças com problemas de audição

Fernando Neto | Mbanza Congo

Centenas de crianças de Mbanza Congo, na província do Zaire, com problemas auditivos foram consultadas na sexta-feira por uma equipa médica especializada, liderada por Matuba Filipe,

Centenas de crianças matriculadas na escola especial padecem de problemas auditivos
Fotografia: João Augusto

docente universitário e pesquisador angolano de otorrinolaringologia, especialidade que trata doenças dos ouvidos, nariz e garganta.
Matuba Filipe frisou que a iniciativa beneficia a população, em particular as crianças.
Em Dezembro último, o médico observou e recolheu amostras de pus de 34 crianças da escola do ensino especial de Mbanza Congo, para análises laboratoriais.
As amostras servem para determinar a tipologia de micróbios presentes nos tímpanos das crianças e determinar o tratamento a ser administrado. O especialista entende que os medicamentos devem estar ao alcance das famílias, de modo a evitar que as doenças se agravem por falta de tratamento.
Uma vez determinado o tipo e grau de perda de audição, as crianças recebem aparelhos auditivos.
“É importante termos ideia do que se passa com as pessoas que deitam pus nos ouvidos, chamadas de otites na fase aguda ou crónica, e através dos exames microbiológicos determinar alguns medicamentos ou, de forma empírica, indicarmos fármacos, em função da nossa experiência”, disse. Matuba Filipe lembrou que as causas da baixa de audição são várias e podem manifestar-se antes ou durante a gravidez no caso das mulheres, durante ou depois do parto.
O especialista disse que as crianças devem ser levadas ao hospital logo que manifestem dores ou apresentem pus nos ouvidos, tendo em conta que mais de sessenta por cento contraem problemas de audição.
“Notamos que grande parte destas doenças são adquiridas depois do parto e podem ser evitadas, por isto estamos a desenvolver este projecto, que está na sua fase inicial, aproveitando a experiência do Zaire, para estender às províncias de Luanda e Namibe”, frisou.
Matuba Filipe vai ministrar uma palestra em Mbanza Congo, para explicar à comunidade as medidas úteis para proteger os tímpanos. O especialista desaconselhou a automedicação quando surgem dores e corrimento de pus nos ouvidos.
“Algumas pessoas da nossa comunidade torram uma barata e colocam o pó nos ouvidos da criança quando esta tem dores, ou deita pus. Claro que o ouvido que pulga não dói e os pais deixam passar muito tempo, um período em que o pus se acumula na cabeça e provoca danos graves”, sublinhou.
A escola do ensino especial de Mbanza Congo tem matriculadas 75 crianças deficientes, das quais 49 padecem de problemas auditivos. Francisca Maria Lopes, mãe de dois filhos, levou o primogénito de seis anos ao médico Matuba Filipe. A criança queixou-se de dores nos tímpanos pela primeira vez aos quatro anos de idade. A medicação indicada pelos pediatras apenas tem causado alívio, porque depois de alguns dias o pus volta a aparecer. “Agora tenho esperanças que o meu filho possa vir a ficar bom de verdade. Este é o meu principal desejo”, disse.

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