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Covid-19: “Caporroto” é “antídoto” em comunidades rurais do Cuanza-Norte

Marcelo Manuel | Ndalatando

Comunidades rurais dos municípios do Cazengo e Lucala, província do Cuanza-Norte, acreditam que a bebida caseira “caporroto” é o melhor antídoto contra a pandemia da Covid-19.

Nessas localidades, a população alega não ter dinheiro para a compra de materiais de biossegurança para a prevenção da doença.
Fotografia: Edições Novembro

Nessas localidades, a população alega não ter dinheiro para a compra de materiais de biossegurança para a prevenção da doença. Além disso, queixa-se também da inexistência de locais para aquisição de máscaras faciais, álcool etílico e gel para a desinfecção das mãos, bem como da falta de informações sobre os perigos da doença.

António Gaspar, de 78 anos, comerciante e residente na zona do KM10, município de Cazengo, conta que na comunidade poucos são os vizinhos que usam a máscara facial, álcool em gel e lavam as mãos com água e sabão. Segundo ele, uns assim procedem por falta de recursos e outros por pura ignorância, tendo denunciado a existência de indivíduos que acreditam que o “caporroto”, (aguardente caseira feita do bagaço da banana ou de açúcar) é o melhor antídoto contra o novo coronavírus.

No mesmo bairro, Marcelina Domingos, de 57 anos, disse que, desde que nasceu, nunca teve contacto com álcool-gel. Conta que actualmente não sabe onde recorrer para obter a máscara de protecção, tendo realçado que a situação se agrava pelo facto de estar desprovida de dinheiro.
“Em Abril, eu e minhas vizinhas recebemos da Administração Municipal de Cazengo uma barra de sabão, que usamos para lavar a roupa, que há muito andava suja, por falta de detergente”, disse.

Já no KM11, onde está localizado o Hospital Sanatório do Cuanza-Norte, um grupo de jovens, com idades compreendidas entre os 18 e 35, jogava “Não te irrites”. Questionados sobre os perigos da Covid-19, responderam que sabem da gravidade da doença, mas que têm certeza que a pandemia está confinada apenas a Luanda.

Nas regiões do Pambas e Golova, município do Lucala, vivem-se dias difíceis. Os camponeses dizem que, devido à pandemia da Covid-19, não conseguem escoar a produção agrícola, em função da fraca circulação de automobilistas. A camponesa Antónia dos Santos, residente na Pamba-Real, contou que, por falta de clientes, tem armazenado cerca de 300 quilos de bombó. Aponta a cerca sanitária provincial como um factor crucial para o défice de transporte na região.

Na companhia de outras cinco camponesas, ignoram todas as medidas de prevenção contra a doença e mostra-se triste pelo facto de agora encontrar várias dificuldades para alimentar os seis filhos. Na zona dos 200 fogos habitacionais, vulgo, “Cem Casas”, à entrada da vila do Lucala, que dista a 35 quilómetros da cidade de Ndalatando, surgiu um novo mercado informal, criado por um grupo de mulheres, que de forma descuidada e sem as medidas de protecção contra a Covid-19, correm para junto de qualquer viatura que pára no local.

No mercado é possível adquirir o tomate, beringela, repolho, feijão, jinguenga, dentre outros produtos, provenientes do campo. Madalena Bumba, de 25 anos, queixa-se da falta de clientes e lembra dos tempos que os viajantes, vindos de Luanda e Malanje, compravam todos os produtos. Afirmou que tem a máscara de protecção individual, mas deixou de usar, por lhe causar respiração ofegante. Disse que o seu esposo criou em casa condições para a lavagem das mãos com água e sabão.

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