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Crédito agrícola aumenta vendas

Estanislau Costa| Lubango

As dificuldades no escoamento dos produtos agrícolas vividas, principalmente na época das colheitas, pelos agricultores, vão ser solucionadas, este ano, com a concessão de financiamentos aos comerciantes, garantiu, na sexta-feira, no município da Matala, o ministro da Economia.

Camponeses prometem aumentar a produção sem temer que os produtos se estraguem
Fotografia: Estanislau Costa| Lubango

As dificuldades no escoamento dos produtos agrícolas vividas, principalmente na época das colheitas, pelos agricultores, vão ser solucionadas, este ano, com a concessão de financiamentos aos comerciantes, garantiu, na sexta-feira, no município da Matala, o ministro da Economia.
Abraão Gourgel anunciou esta nova acção do Executivo, na comuna de Capelongo, num encontro com elementos da sociedade gestora do perímetro irrigado da Matala (SODEMAT), das sete cooperativas agrícolas e do titular da pasta da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pesca, Pedro Canga.
Abraão Gourgel disse que a intervenção do Executivo no processo de comercialização dos produtos do campo - uma boa-nova, fundamentalmente para as pessoas dedicadas à lavoura de batata, hortícolas e frutícolas - constitui um incentivo ao fomento agrícola, diversificação e aumento da produção.
O ministro da Economia, que destacou a concessão de financiamentos aos comerciantes como via para a valorização da produção nacional e para facilitar o escoamento dos alimentos provenientes da actividade agrícola, apelou ao rigor das pessoas a serem envolvidas neste processo.
"Vamos agora trabalhar para fazer com que os comerciantes tenham conhecimento da existência de fundos para financiar a aquisição dos bens produzidos pelos agricultores", disse o ministro da Economia.
Abraão Gourgel frisou que já é possível aos comerciantes recorrerem ao "Crédito Campanha" e "Financiamento".
O ministro, que elogiou a dedicação e empenho dos agricultores das cooperativas que exploram as terras do perímetro irrigado da Matala, esclareceu que o produtor, ao recorrer ao crédito, deve "comparticipar com uma percentagem para evitar que o Estado financie todo o projecto".
"Os financiamentos são concedidos, tendo em conta a parcela de terra para lavoura e a quantidade produtiva de cada um", disse, avisando:
"É incompatível ceder um financiamento maior ao produtor que produza uma pequena parcela de terra".
Abraão Gourgel afirmou que as infra-estruturas construídas e em conclusão no perímetro irrigado da Matala, designadamente a fábrica de concentrado de tomate e outros derivados, pronta a funcionar, os três silos para armazenar grãos e a reparação de estradas constituem uma alavanca para o aumento da produção no município.
Os perímetros irrigados, disse,  são motores no processo de produção agrícola, por permitirem o exercício da lavoura de forma ininterrupta e a introdução de meios mecanizados, que aumentam o rendimento por hectare, tornando os preços competitivos.
 
Redistribuição de terrenos

A Sociedade de Desenvolvimento da Matala (SODEMAT), gestora do perímetro irrigado com o mesmo nome, deve proceder imediatamente à redistribuição das terras produtivas, que estão há mais de dois anos sem ser exploradas pelos agricultores.
A decisão é do ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pesca, Afonso Canga, que se manifestou indignado com a existência de dezenas de hectares de terras férteis ao longo do perímetro irrigado da Matala sem serem trabalhadas pelos titulares.
"O presidente da SODEMAT deve, com base aos preceitos da legislação em vigor, notificar os concessionários, sejam eles quem forem, para lhes comunicar que, por não estarem a produzir na parcela de terra do perímetro irrigado que lhes foi atribuída, perdem o espaço, que será entregue a outro produtor com vontade e capacidade para trabalhar", disse.
O ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pesca anunciou que o Executivo está a dotar o perímetro irrigado da Matala com infra-estruturas de suporte ao desenvolvimento da produção agrícola em dimensão industrial para abastecer o mercado nacional.
Afonso Canga exortou as sete cooperativas, compostas por 490 agricultores, que produzem grandes quantidades de hortícolas, batata rena e milho, a ampliarem o cultivo de tomate para servir de matéria-prima à fabrica de concentrados, cuja montagem está concluída e que aguarda apenas pela actividade dos produtores para começar a laborar.
A empresa gestora do perímetro investiu na fábrica 281 milhões de kwanzas, na aquisição e montagem de equipamento. A unidade vai empregar, numa primeira fase, 45 operários e está capacitada para absorver e transformar, diariamente, seis toneladas de tomate.
Afonso Canga, que salientou que a Huíla está no bom caminho quanto à produção de alimentos, especialmente batata, carne e hortaliças, garantiu novos apoios à SODEMAT para fortalecer a capacidade mecanizada e de tracção animal.
 
Complexo de frio e silos
                       
Os agricultores vão deixar de se preocupar com a deterioração dos produtos hortícolas com a construção e montagem de câmaras frigoríficas, com capacidade para conservar 1.800 toneladas. A gestora do perímetro investiu para o efeito 250 milhões de kwanzas.
Com a nova unidade de conservação, o complexo de frio da área produtiva da Matala está preparado para conservar 2,3 toneladas produtos que necessitam de média e baixa temperatura.
O maior produtor de batata no município da Matala, Francisco Domingues, está satisfeito com a instalação do complexo de frio na comuna de Capelongo por facilitar as actividades dos produtores.
Com cem toneladas de sementes de batata rena a conservar nas câmaras da SODEMAT, na Matala, e da Ecofrio, na Humpata, Francisco Domingues diz sentir-se mais aliviado com a protecção dada aos produtos perecíveis.
"Já não tenho de me preocupar em arranjar sítios para conservar as sementes ou ter de vender a preços muito baixos a batata rena para não se deteriorar".
A construção dos três silos e montagem de equipamento moderno custa, à Sociedade de Desenvolvimento da Matala, cerca de sete milhões de euros, financiados pela linha de crédito de Espanha.   
        
Exploração de terras
 
O presidente da Sociedade de Desenvolvimento da Matala (SODEMAT), Arsénio Salvaterra, apresentou aos ministros da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas e da Economia a proposta para o pagamento de uma taxa de exploração de terras cultiváveis ao longo do perímetro e da água.
O pagamento de uma taxa de exploração de terras do perímetro irrigado, a definir pelo Executivo, disse, permite a auto sustentação da empresa gestora e faz com que os produtores contemplados com campos para a lavoura valorizem as áreas, produzam e aumentem o cultivo.
O ministro da Economia, Abraão Gourgel, afirmou que a institucionalização da taxa de cobrança de exploração de terra e da de água vai ser apresentada às entidades competentes.
"Estamos de acordo em tornar sustentável os perímetros para racionalizar a aplicação do orçamento e deixar de suportar algumas despesas".

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