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Crédito agrícola para camponeses

Armando Sapalo | Dundo

A partir da próxima semana, 14 mil camponeses da província da Lunda-Norte vão beneficiar de crédito agrícola de campanha, com vista a aumentarem os níveis de produção e melhorar a qualidade de vida das comunidades rurais. O anúncio foi feito, ontem, no Dundo, pelo governador Ernesto Muangala.

Produtores têm recebido sementes diversas e instrumentos de trabalho
Fotografia: Benjamim Cândido

O governador provincial da Lunda-Norte, Ernesto Muangala, revelou, no Dundo, que cerca de 14.000 camponeses da província vão beneficiar, brevemente, de crédito agrícola de campanha, com vista a aumentarem os níveis de produtividade e melhorar a qualidade de vida nas comunidades rurais.
O governador Ernesto Muangala referiu que o Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza neste momento encontra-se na secretaria do Banco de Poupança e Crédito (BPC), aguardando-se pela homologação de um total de 96 projectos de camponeses locais.
O responsável mostrou-se preocupado com a fraca adesão dos camponeses locais ao Crédito Agrícola de Campanha, tendo defendido a necessidade dos mesmos aproveitarem a iniciativa do Executivo, que tem como finalidade ajudar os cidadãos a participar no processo de desenvolvimento económico e social da região.
Ernesto Muangal salientou que o referido crédito vai permitir o desenvolvimento das comunidades rurais, assim como o relançamento da produção agrícola, no âmbito do Programa de Combate à Fome e Redução da Pobreza.
“Agora mais do que nunca, os nossos camponeses têm a oportunidade de poderem incrementar os seus níveis de produção e, por isso, devem aderir a este pacote financeiro”, apelou o governador Ernesto Muangala, que anunciou que o lançamento oficial da entrega do crédito acontece, no município de Xá-Muteba, nesta semana.
O governador Ernesto Muangala pediu também aos administradores municipais para imprimirem maior dinamismo a nível dos comités de pilotagem, com vista a permitir que mais camponeses beneficiem de financiamento, a partir da próxima campanha agrícola.
O gerente do BPC no Dundo assegurou que a instituição tem todas as condições criadas para que os camponeses beneficiem do financiamento, a partir desta  semana.
Vitorio Lopes Ngugi disse que a nível da Lunda-Norte, o processo de concessão de crédito está a ser conduzido em quatro balcões, localizados nos municípios de Xá-Muteba, Lucapa, Cambulo e o balcão do Chitato, que tem a missão de gerir todo o sistema.
Mas, além das referidas agências, o gestor disse que o banco criou uma outra, na localidade do Cacolo, na província da Lunda-Sul, para atender os camponeses dos municípios do Lubalo, Cuílo e Caungula, tendo em conta o factor proximidade.
Vitorio Lopes Ngugi afirmou que todos os documentos remetidos ao banco foram viabilizados e, neste momento, estão a ser notificados os requerentes para que iniciem o processo de criação de contas bancárias, aguardando-se, também, pela assinatura de contratos com os potenciais fornecedores de inputs agrícolas.
Destacou os municípios do Xa-Muteba, Cuango e Capenda Camulemba como sendo os que estão mais avançados em termos de regularização dos processos dos camponeses associados, junto do Banco.

 Falta de documentação

Sobre os motivos do atraso na concessão de crédito, o responsável esclareceu que a morosidade deveu-se a uma série de lacunas registadas nalguns documentos remetidos ao BPC, com particular realce para o plano de necessidades dos associados, que é acompanhado da factura assinada pelo empresário que garante o fornecimento de materiais agrícolas.
O Crédito Agrícola de Campanha, esclareceu Vitorio Lopes, consiste em dois pacotes. O primeiro visa financiar acções de exploração durante uma época agrícola, enquanto o outro tem a ver com os custos da aquisição de instrumentos agrícolas e sementes para as culturas prioritárias, de acordo com a realidade de cada região.
O gerente do BPC revelou que o valor máximo a conceder equivale a 5.000 dólares, convertidos em kwanzas, por beneficiário, com uma taxa de juro estimada em cinco por cento. O empréstimo, afirmou, deve ser reembolsado num período de dez meses.
O responsável bancário disse que o objectivo do empréstimo, consubstanciado na aquisição de equipamentos fixos, como máquinas, motobombas, catanas, enxadas e outros equipamentos destinados ao apoio dos camponeses organizados em cooperativas e associações, visa incentivar o aumento do rendimento familiar.
Vitorio Lopes afirmou que o crédito tem ainda a missão de melhorar a qualidade de vida das comunidades rurais, no quadro dos programas locais de combate à fome e redução da pobreza.

Celeridade na atribuição

O presidente da União Nacional dos Camponeses de Angola (UNACA), na Lunda-Norte, solicitou maior celeridade na atribuição do Crédito Agrícola de Campanha, com vista a facilitar a actividade dos camponeses locais.
Daniel Mutambuleno disse que, em função da morosidade que se regista na disponibilização do financiamento, os camponeses locais continuam a clamar por apoios, mormente para a aquisição de instrumentos de produção, sementes e fertilizantes.
O presidente da UNACA alertou que a morosidade na atribuição do crédito tem concorrido negativamente no incremento da produção agrícola a nível de toda a província da Lunda-Norte e pode comprometer, sobretudo, a presente campanha, naquela parcela do país, onde são cultivados essencialmente a mandioca, milho, feijão, hortofrutícolas, batata-doce e amendoim.
Neste momento, estão a ser promovidos encontros entre as administrações municipais, os técnicos  da direcção provincial da Agrcultura e Desenvolvimento Rural e responsáveis de associações e cooperativas agrícolas, com a finalidade de se acelerar o processo de apresentação da documentação necessária e o acompanhamento subsequente a ser dado para a normalização dos créditos junto dos bancos, segundo o presidente da União Nacional dos Camponeses de Angola , na Lunda-Norte.

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