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Cresce produção de hortofrutícolas

Estanislau Costa| Lubango

O gosto pela criação de gado bovino, caprino e outros animais, bem como o incentivo do Executivo, com a criação do Crédito Campanha e Investimento, tendo contemplado vários agro-pecuaristas, permitiu o surgimento de fazendas produtivas nas províncias da Huíla, Namibe, Cunene e outros pontos do país.

Imensos hectares de matagal foram transformados em locais produtores de alimentos
Fotografia: Estanislau Costa| Lubango

O gosto pela criação de gado bovino, caprino e outros animais, bem como o incentivo do Executivo, com a criação do Crédito Campanha e Investimento, tendo contemplado vários agro-pecuaristas, permitiu o surgimento de fazendas produtivas nas províncias da Huíla, Namibe, Cunene e outros pontos do país.
Os produtores, principalmente da Huíla, reconhecem que os nove anos de paz efectiva foram decisivos, por tornar possível às autoridades reconstruir os principais troços rodoviários e vias secundárias e terciárias, facilitando o acesso às zonas mais recônditas, para pesquisa de áreas apropriadas às acções agro-pecuárias e do ecoturismo.
A dedicação, criatividade e dinamismo dos agro-pecuaristas moldou a imagem de imensos hectares de matagal em espaços com um número considerável de gado bovino, caprino e outros animais de alta qualidade, em condições para o fomento animal nas novas e antigas fazendas recuperadas. O número de fazendas ascende às 40, facto que impulsiona o fomento animal e produção de cereais e hortofrutícolas.
Na fazenda de António da Costa, situada nos arredores do município da Chibia, além de várias e encantadoras casas típicas, favoráveis ao desenvolvimento do ecoturismo, estão preparados vários hectares para o cultivo de milho, massango, massambala, batata e hortícolas.
O fazendeiro apostou também no cultivo de citrinos, tendo plantado e a dar já os primeiros frutos, 500 laranjeiras. Disse que as plantas foram importadas da África do Sul, adaptaram-se bem ao solo, ao clima e, neste momento, já dão frutos comercializados no mercado informal e formal.
Lubango, Quipungo, Matala, Tunda dos Gambos, Chibia, Capunda-Cavilongo, Humpata e outras localidades com terras aráveis são actualmente pontos de referência, por possuírem diversas fazendas produtoras, assim como espaços verdes, piscinas e outras áreas recreativas e de lazer, para adultos e crianças.
O empresário Luís Nunes instalou na sua fazenda, situada na Tunda dos Gambos, uma área desportiva de tiro aos pratos, onde semestralmente são realizadas competições nacionais e internacionais. No local, existe também um complexo habitacional, com condições de albergar turistas nacionais e de vários pontos do mundo.
No município da Humpata o destaque vai para o complexo agro-industrial Laranjinha, que, além da fábrica de transformação de derivados de fruta, possui uma fazenda com 248 mil plantas de laranjeiras. O campo frutícola, no topo da produção, atinge 65 toneladas por hectare de laranjas do tipo Valência Turky, Late, Delta e Bahininha Navel.
O complexo agro-industrial é pioneiro na aplicação do programa de repovoamento e renovação de plantas dos pomares espalhados em várias áreas da província da Huíla e de outros pontos do país, tendo fornecido mais de 60 mil plantas de frutas diversas, importadas da África do Sul. Pertencente à Caixa de Segurança Social das Forças Armadas Angolanas, o complexo contribuiu para o repovoamento e renovação de plantas de laranjeiras, tangerineiras, limoeiros, mangueiras, macieiras e pereiras. Este programa está orçado em mais de 160 mil dólares.
Evaristo Macedo, ligado ao complexo Laranjinha, disse que no começo do programa foi testada a qualidade das plantas, adaptação ao solo e clima das zonas contempladas pelo programa. Houve depois a importação de plantas e os resultados são hoje visíveis: muita colheita de fruta nas fazendas.
Afirmou que o fornecimento de novas plantas, de diversas espécies, além do surgimento de novos pomares, permitiu a reactivação de várias fazendas abandonadas e outras com baixa produção, por causa da antiguidade das árvores.

Novas oportunidades para os naturais

Os populares naturais das zonas onde estão implantadas as fazendas estão satisfeitos por terem oportunidades de emprego, que os habilita, em muitos casos, a aprender um ofício, técnicas de cuidar de plantas, sistemas de rega e quantidade de humidade, tipos de solos e métodos de cuidar os animais.

Orçamento dos projectos

Os fazendeiros nacionais empregaram na aquisição de espaços, vedação, desmatamento, construção de infra-estruturas habitacionais e para os animais, abertura de picadas, aquisição de gado bovino, caprino e outros, recrutamento e formação dos trabalhadores, meios mecanizados, entre outras acções, mais de 200 milhões de dólares.
A reactivação e abertura de novas fazendas, no dizer do empresário da área de hotelaria e turismo, Joaquim Silva, representa um passo importante para atrair mais turistas, mostrar as potencialidades da província e da região, para a promoção do ecoturismo, actualmente muito apreciado. 
A Cooperativa dos Criadores de Gado do Sul de Angola (CCGSA), desde o seu surgimento há sete anos, está a dinamizar e a organizar a actividade agro-pecuária da região sul, tornando-se num dos elos de ligação entre os fazendeiros, criadores tradicionais e o Executivo. A cooperativa está empenhada nas acções de fomento animal de alta qualidade e melhoria do gado tradicional na região sul.
O presidente da agremiação, Luís da Fonseca Nunes, disse ao Jornal de Angola que o maior empenho dos associados centra-se "no aumento da produção, sobretudo de carne e de outros bens do campo". Já o criador tradicional de gado bovino, Afonso Camuele, qualificou de positivas as actividades desenvolvidas pela Cooperativa dos Criadores do Sul de Angola, por unir os criadores tradicionais com os de animais de alta selecção, melhorar a qualidade do gado bovino de todos, cooperar nos programas de sanidade animal e aumentar o rebanho da região.
Com 100 cabeças de gado bovino e 40 de caprino, Afonso Camuele pasta ele próprio os seus animais. "Herdei os animais dos meus tios e esforço-me para aumentar cada vez mais o número. Dei importância às mangas de vacinação, por causa das sensibilizações feitas pela cooperativa e brigadistas", disse.

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