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Crianças das aldeias sem escola aprendem a escrever

Armando Sapalo | Lovua

Cerca de seis mil crianças em idade escolar de aldeias da comuna do Lóvua, município do Chitato, que se encontram fora do sistema de ensino, estão a ser alfabetizadas, no âmbito de um projecto enquadrado no programa de responsabilidade social da empresa de construção civil Odebrecht.

Centenas de crianças fora do sistema normal de ensino e aprendizagem estão a ser alfabetizadas em comunidades da comuna do Lóvua
Fotografia: Armando Sapalo

Virgínia da Silva, responsável da acção social da empresa, referiu que este projecto, designado por “Xicola ya Kututuluca” em língua tchokwe, que em português significa Escola Itinerante, visa facilitar a inserção social e cultural das crianças, proporcionando um clima de harmonia, paz e amizade no seio das comunidades.
O processo de alfabetização está a ser desenvolvido em cinco das 27 aldeias existentes ao longo da Estrada Nacional 225, no troço Lovua-Catata, num percurso de 73 quilómetros.
 “Viemos aqui com o objectivo de participarmos no programa de reconstrução nacional do Executivo, para a construção de um dos troços da Estrada Nacional 225, mas acabámos por descobrir que a população residente nas aldeias circundantes tinha carência de vários serviços, sobretudo a educação das crianças”, explicou Virgínia da Silva.
Além de aprenderem a ler e escrever, as crianças da região também adquirem conhecimentos básicos sobre as regras de boa conduta social, preservação do ambiente e a saúde preventiva.
O programa conta com a parceria do Governo Provincial da Lunda-Norte e consiste no fortalecimento do ensino primário, junto das crianças que ainda não estão matriculadas no sistema normal de ensino e aprendizagem.
O processo, que teve início em Março deste ano, é extensivo a 30 adultos, entre homens e mulheres, integrados no módulo correspondente ao ensino primário.
As aulas têm como incidência didáctica um processo de ensino e aprendizagem que respeita os aspectos culturais das referidas aldeias. Os métodos de ensino e temas utilizados pelos alfabetizadores fazem referência ao quotidiano da população, com destaque para actividades como a agricultura, caça, pesca, alimentação, saúde e o respeito pelas autoridades tradicionais.

Respeitar a cultura

Virgínia da Silva esclareceu que a Odebrecht fez um estudo e concluiu que as populações da comuna de Lóvua se debatem com a escassez de escolas, e a pretensão é atingir as 27 aldeias daquela circunscrição em termos de alfabetização.  
Actualmente, o processo é assegurado por cinco professores cedidos pela Direcção Provincial da Educação dotados de técnicas modernas de transmissão de conhecimentos, com vista a conferir ao ensino de qualidade e boas perspectivas para o futuro das comunidades. 
Virgínia da Silva salientou que a empresa vai, em parceria com as autoridades da província, continuar a desenvolver acções deste tipo junto das comunidades em que estiver a actuar, onde, conforme constatou, os níveis de escolaridade são bastante insignificantes.

Cursos para adultos


A par do programa de alfabetização, assegurado pela “escola itinerante”, os adultos de cinco das 27 aldeias, inicialmente seleccionadas, estão a beneficiar ainda de cursos profissionais, nas especialidades de mecânica, lubrificação e borracharia, graças à montagem de uma micro escola de artes e ofícios.
O programa tem como objectivo preparar os adultos das comunidades da comuna do  Lóvua para, no futuro, até à altura da conclusão das obras da Estrada Nacional 225, ­terem a iniciativa de montar pequenas oficinas, para o seu rendimento familiar.
Nas aldeias do Lóvua está também em curso um programa designado “Cidadania Tcokwe”, que  em coordenação com a delegação provincial da Justiça está a facilitar  o registo de toda a população, entre crianças e adultos.  Neste momento, realçou Virgínia da Silva, encontra-se na sede comunal do Lóvua uma brigada móvel de registo pertencente à delegação da Justiça, que já permitiu o registo de cerca duas mil pessoas.

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