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Crianças sobrevivem da recolha de lixo

Crianças que moram nas imediações da maior lixeira a céu aberto do município do Lobito, 30 quilómetros a norte da cidade de Benguela, sobrevivem nos últimos dias com a venda de resíduos sólidos, recolhidos no local.

Maior lixeira a céu aberto do município do Lobito é frequentada por muitas crianças e adultos
Fotografia: Edições Novembro

A maioria desses “catadores” de lixo vive em situação de pobreza extrema, em casebres construídos a poucos metros da maior lixeira a céu aberto do Lobito, onde todos os dias lutam pela sua sobrevivência, recolhendo resíduos para serem vendidos.
Exemplo disso são as garrafas de plástico que, apesar de serem nocivas à saúde, devido ao risco de contaminação, são apanhadas por crianças e adultos e vendidas às senhoras, que as utilizam como recipiente para kissângua (bebida caseira), comercializada na via pública.
O soba da zona, Estêvão Soline, afirmou que a população recorre ao lixo por ser a única forma de subsistência. “Quase ninguém tem casa própria, até porque as rendas estão fora do alcance das suas possibilidades”, disse, sustentando que, em função disso, os populares são obrigados a construir casebres nas proximidades da lixeira.
A par desta realidade, há ainda o problema da falta de energia eléctrica na área, enquanto a água é abastecida de dois em dois dias por um camião-cisterna. Cada recipiente de 200 litros é vendido a 300 kwanzas, segundo o ancião.
Questionado sobre a saúde daquelas pessoas, Estêvão Soline desdramatiza a situação, salientando que não tem havido casos alarmantes e que a população tem recorrido a um posto médico no bairro Mbangu Mbangu, situado a cerca de cinco quilómetros da zona onde residem. A autoridade tradicional disse que os referidos cidadãos fazem queimadas no sentido de minimizar os múltiplos e negativos efeitos da acumulação de lixo nas proximida-des da área onde vivem, em-
bora considere insuficientes os esforços, devido à quantidade de lixo.
De acordo com o soba, representantes da Administração Municipal do Lobito ainda não apareceram, este ano, para dar tratamento aos resíduos no mesmo local, situado a 500 metros da estrada nacional 100.
Os resíduos depositados na maior lixeira a céu aberto do Lobito não estão separados, conforme orienta o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), voltado à protecção do meio e à promoção do desenvolvimento sustentável.
Por outro lado, a “sucata” (ferro, alumínio, cobre e ou-tros metais), que os chineses adquirem a quilo no mercado informal, é outro motivo que leva crianças e adultos vulneráveis à lixeira do Lobito, em busca de melhores condições de vida, apesar dos riscos à saúde.

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