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Cuando Cubango: Comandante Kwenha está interdito a voos nocturnos

Carlos Paulino | Menongue

O aeroporto Comandante Kwenha, em Menongue, capital do Cuando Cubango, está interdito à aterragem e descolagem de aeronaves no período nocturno, devido à destruição do sistema de iluminação da pista e candeeiros da zona de aproximação, por acções de elementos desconhecidos, que roubaram, igualmente, vários metros da cerca de vedação.

Aeroporto com capacidade para aviões Boeng 777-300 AR só vai funcionar por enquanto para voos diurnos
Fotografia: Nicolau Vasco |Edições Novembro

O governador da província, Júlio Bessa, durante a jornada de campo, orientou o adjunto para os Serviços Técnicos e Infra-Estruturas, o administrador municipal de Menongue, os responsáveis dos órgãos de Defesa e Segurança, a Empresa Nacional de Navegação Aérea (ENNA) e a Sociedade de Gestão de Aeroportos (SGA) para despoletarem todos os mecanismos visando a reposição dos equipamentos vandalizados.

Reinaugurado em finais de 2014, o aeroporto de Menongue possui uma pista de três mil e 750 metros de comprimento e quarenta e cinco de largura. Tem capacidade para receber aeronaves do tipo Boeing 777-300 AR.

O terminal de passageiros está numa área de mais de quatro mil metros quadrados, equipado com sete balcões para o "check in", detector de metais, sistemas de raio X e uma extensa área de parqueamento de viaturas.

No mesmo perímetro, o governador e a comitiva que o acompanhava constatou, igualmente, com preocupação, a construção desordenada de mais de 200 residências de tipologia diversa, junto à cabeceira da pista do aeroporto Comandante Kwenha, colocando em perigo a aterragem e descolagem de aeronaves que, em caso de acidente, pode ceifar vidas humanas.

O governante, manteve, de seguida, um breve encontro com os moradores dos bairros ao redor do aeroporto, aos quais manifestou o seu descontentamento pelo aumento exponencial de construções anárquicas, destruição da vedação do aeroporto, roubo da iluminação da pista e a vandalização das torres de aproximação de aeronaves, assim como do perigo que correm as pessoas e animais ao atravessar a pista.

Realçou que este tipo de comportamento reprovável, que está a ganhar contornos alarmantes nos últimos tempos preocupa seriamente o governo da província, porque coloca em perigo a vida de centenas de pessoas e das próprias aeronaves.


Demolição

Júlio Bessa garantiu que apesar de as pessoas construírem casas de forma anárquica junto ao aeroporto, o governo da província não vai demoli-las, sobretudo nesta altura em que o mundo está a ser assolado pela pandemia da Covid-19.

Por esta razão, apelou a quem estiver a construir a paralisar já as obras e aguardar até que o governo da província ou a Administração Municipal de Menongue encontrem uma solução.

"Na cidade de Menongue existem muitos terrenos em locais seguros para se distribuir à população e onde possa ter melhor facilidade no acesso à água potável, energia eléctrica, escolas e unidades sanitárias. Por este facto, não há necessidade de alguns citadinos construírem as casas em zonas de risco", disse.


Vedação

O governante acrescentou que outra medida passa pela construção de um muro de vedação para se evitar a passagem de pessoas, animais e motociclos na pista do aeroporto, cadastramento das residências construídas a 500 metros dos marcos da antiga delimitação e diálogo com os seus proprietários.

O soba do bairro Castilho, João Dumba, justificou que os moradores da sua área de jurisdição construíram as residências junto ao aeroporto Comandante Kwenha, por causa da burocracia e preços altos da venda de terrenos em zonas seguras e urbanizadas na cidade de Menongue e bairros periféricos.

Disse que no bairro Castilho são controlados 5.800 habitantes que vivem em 2.600 residências e que aqueles que invadiram o perímetro do aeroporto devem respeitar a decisão que o governo tomar para que sejam alojados em áreas de melhor segurança.

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