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Cuando Cubango removeu mais de 170 mil explosivos

Weza Pascoal|Menongue

Um total de 171. 719 engenhos explosivos e munições diversas foram removidos de 2006 a 2018, em todos os municípios da província do Cuando Cubango, informou ao Jornal de Angola, na cidade de Menongue, a responsável de informação da Comissão Nacional Inter-Sectorial de Desminagem e Assistência Humanitária (CNIDAH).

Um dos grandes constrangimentos é o facto de a população invadir as zonas assinaladas
Fotografia: Edições Novembro

Isabel Massela disse que, no referido período, foram removidas 64.542 munições diversas, 74.477 uxos (engenhos explosivos não detonados), 22.455 minas anti-pessoal e 10.245 anti-tanque. Salientou que estes engenhos explosivos foram removidos pelas operadoras de desminagem comerciais Sedita, Petsa , SOC, ICL, VDS, e Demira, as organizações não-governamentais (ONG) Hallo Trust e MGM, e as operadoras governamentais INAD, Engenharia Militar, Polícia de Guarda Fronteira e pela Casa Militar do Presidente da República.
Segundo a responsável, no mesmo período foram desminados 230 milhões e 80 mil metros quadros de terra, que perfazem três mil e 618 quilómetros livres de minas e entregues ao Governo da Província, que por sua vez vai distribuir às populações para agricultura e habitabilidade.
Isabel Massela explicou que, devido à crise económica que assola o país, as actividades de desminagem na região têm sido desenvolvidas com alguma morosidade. “As operadoras da Engenharia Militar, Polícia de Guarda Fronteira e do INAD, instaladas no município do Cuíto Cuanavale, só trabalham quando há casos de emergência e descoberta de um campo minado, por falta de recursos financeiros”, tendo acrescentado que “o mesmo não se verifica com a ONG The Hallo Trust, que está a desenvolver as suas actividades com normalidade nos municípios de Menongue e do Cuito Cuanavale”.
A porta-voz do Conselho Inter-Sectorial de Desminagem fez saber que durante o primeiro trimestre do ano em curso foram removidos, dois mil e 225 munições diversas, 38 uxos, 345 minas anti-pessoal e nove anti-tanque em Menongue e no Cuíto Cuanavale.

Acidentes com mina

Isabel Masssela disse que a província tem registado acidentes com minas porque a população invade as áreas identificadas como campos minados, em busca de mercúrio.
No ano passado, revelou, foram registados sete acidentes com minas e engenhos explosivos não detonados nos municípios de Menongue, Cuito Cuanavale, Cuangar e Mavinga, causando a morte de três pessoas. Em 2017 foram registados seis acidentes com minas e uxos, que resultaram na morte de seis pessoas e o ferimento grave de oito em Menongue, Cuito Cuanavale, Nancova e Mavinga.
“Por falta de financiamento, o sector de desminagem na região deixou de desenvolver as campanhas de sensibilização às população sobre o risco de circulação em zonas minadas”, frisou a responsável.
Isabel Massela disse que a acção de desminagem só vai terminar quando não houver mais acidentes com minas e uxos e as pessoas e bens circularem sem constrangimentos e todas as populações regressarem às áreas de origem, de onde saíram por receio de accionar minas. “Enquanto faltarem recursos financeiros para as acções de desminagem, estaremos longe de atingirmos estes objectivos”, sublinhou.
A falta de viaturas adaptadas, todo-terreno, de financiamento para a materialização dos programas de educação sobre o perigo das minas ,constituem, de acordo com Isabel Massela, as principais dificuldades do sector na região.

Benefícios na província

As infra-estruturas construídas recentemente e a circulação mercantil e de pessoas em várias localidades da província do Cuando Cubango são frutos dos trabalhos desenvolvidos pelos agentes de desminagem.
O projecto da Fazenda Agro-industrial do Longa, destinada à produção de arroz, o perímetro irrigado do Missombo, a ampliação do aeroporto Comandante Cuenha, a Escola de Formação de Técnicos de Saúde, a obra em curso da Universidade Cuito Cuanavale e a construção de centenas de residências do tipo T-3 no bairro Tucuve, arredores da cidade de Menongue, entre outros projectos, são o testemunho de que as acções de desminagem já resultaram em benefícios para a província.
“Os aeródromos dos nove municípios da região e de algumas sedes comunais, o monumento histórico da Batalha do Cuito Cuanavale, o Triângulo do Tumpo e bairro Sá Maria foram construídos em bairro outrora minado”, disse Isabel Massela. “Hoje é possível o reassentamento de populares e a materialização de projectos agro-pecuários em áreas que tinham um nível elevado de contaminação de minas, como nas localidades do Missombo, Jamba Cueio, Cuchi, Cuito Cuanavale, Mavinga e Rivungo”, concluiu.

 

 

 

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