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Cuanza-Norte intensifica combate à doença do sono

Manuel Fontoura | Ndalatando

O Instituto de Combate à Doença do Sono no Cuanza-Norte pretende, a partir dos próximos dias, reforçar as campanhas de luta anti-vectorial, com a criação de novas estratégias montadas a nível de todos os municípios, através dos responsáveis dos hospitais e centros de saúde, em parceria com as administrações municipais.

Vector da doença, a mosca Tsé-Tsé, concentra-se geralmente em charcos no meio da mata
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

De acordo com o chefe de departamento do Instituto de Controlo e Combate à Tripanossomíase, no Cuanza-Norte, Francisco Manuel, o quadro da doença do sono na província ainda é preocupante, tendo em conta os resultados obtidos nas campanhas de prospecção realizadas nas duas últimas semanas, no município da Banga.
Segundo o responsável, nas duas últimas semanas, no município da Banga, foram rastreadas 1.790 pessoas, confirmando-se um caso positivo e 18 suspeitos, o que  significa que o número de infectados poderá crescer proximamente.
“A preocupação estende-se por toda a  província, porque o vector (mosca) pode atingir naturalmente outros municípios circunvizinhos”, disse, acrescentando que, a partir do próximo dia 14 de Maio, inicia uma campanha de prospecção mais abrangente, em diferentes localidades da província, tendo precisado ser importante que a luta anti-vectorial seja feita em simultâneo, com as prospecções activas, para que realmente os trabalhos de combate à doença do sono tenham um impacto positivo sobre a sociedade.
Francisco Manuel disse que os focos da doença que mais preocupa são os localizados no sector do Zanga, arredores da cidade de Ndalatando, que tem sido difícil o seu controlo, pelo facto das pessoas que praticam a agricultura nesta zona pertencerem, na sua maioria, aos bairros da periferia da cidade de Ndalatando.
“Ainda não temos as condições reunidas para fazer uma campanha massiva, para que possamos atingir o município de Cazengo de uma forma geral. Mas queremos contar, como sempre, com o apoio do Governo da província e da administração municipal, para, em conjunto, levarmos a cabo esta luta”, disse.
Outros focos localizados na comuna de São Pedro da Quilemba e Massangano (Cambambe) precisam igualmente de voltar a ser revisados, porque nestas zonas a presen-ça da mosca Tsé-Tsé é mui-to grande.
De acordo com o médico, há um projecto do Governo Central, sobre o Pólo de De-senvolvimento Turístico de Massangano, que a qualquer momento, poderá ser implementado, mas, antes, o departamento de Controlo e Combate à Tripanossomía-se precisa controlar todos os possíveis doentes aí existentes e eliminar na totalidade o vector naquelas localidades, uma vez que será uma fonte de divisas para o país.
Acrescentou que, com o repovoamento animal que se espera no Planalto de Camabatela, é imperioso que se faça um trabalho que vise eliminar a mosca Tsé-Tsé.
Francisco Manuel fez sa-ber que, desde o princípio do ano, foram colocadas 254 armadilhas para a captura da mosca Tsé-Tsé em diversas localidades da província, necessitando-se de pelo mais 500, para cobrir a província toda.
Até ao momento foram capturadas 674 moscas, número considerado ainda irrisório, uma vez que o trabalho de prospecção activa começou recentemente.
O Departamento Provincial de Controlo e Combate à Tripanossomíase no Cuanza-Norte dispõe de técnicos suficientes para atender à demanda, bem como fármacos para o tratamento da doença do sono.

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