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Cuemba aposta na exploração de madeira

Matias da Costa | Cuemba

A Administração do Município do Cuemba, na província do Bié, tem em vista um projecto de exploração de madeira, aproveitando as potencialidades dos 13.250 quilómetros quadrados, dos quais 40 por cento com recursos florestais,

Um pormenor da sede do município do Cuemba onde a produção do mel e de arroz por ser significativa é vendida em outras regiões
Fotografia: Edson Fabrízio | Cuemba

para o contributo da sustentabilidade económica, informou ontem a administradora daquela municipalidade.
Laurinda Capocolola disse tratar-se de um projecto que vai regular e disciplinar todo o processo decorrente do exercício de exploração da flora e trazer rendimentos sustentáveis para esta parcela do corredor Leste da província do Bié.
As localidades de Muambalo, na comuna do Munhango, e a de Caita, na de Sachinemuna, são as áreas seleccionadas para o efeito.
A administradora do Cuemba disse que estão registados vários processos de investidores que manifestaram interesse na exploração da madeira do município.
“Outros, que de forma ilegal exploravam a flora, procuram legalização junto da administração”, disse Laurinda Capocolola, para quem, nos próximos tempos, pequenas indústrias transformadoras vão começar a comercializar e a exportar madeira produzida na província do Bié.
A iniciativa, que tem a perspectiva de reduzir as importações e contribuir para a diversificação económica, vai também aliviar  os encargos financeiros dos serviços administrativos do Estado.
O uso racional das florestas, obedecendo as práticas aceitáveis, salvaguardam os aspectos económicos, ambientais, sociais e culturais, além de se afirmar como um sector decisivo no emprego e no rendimento de milhões de famílias, afirmou a administradora Laurinda Capocolola.
Para a administradora do Cuemba, a dimensão do projecto é já uma referência na província, com perspectivas de  se atingir outras áreas, constituindo um impulso real à economia. Laurinda Capocolola garantiu que a produção de mel e de arroz é outra componente a ser explorada, com grandes margens de retorno e produção numa escala industrial, mas condicionada à falta de pequenas indústrias transformadoras e ao fraco escoamento.

Produção de mel e arroz

No presente ano, a capacidade de produção artesanal de apicultura atingiu perto de 200 mil quilogramas de mel em duas estações, que envolveram 380 produtores e 250 colmeias na comuna do Munhango.  Quanto ao arroz, numa área de 40 hectares da comuna de Sachinemuna, a produção cifra-se em 60 toneladas por ano. O responsável do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) no Cuemba, Azevedo Selhunga, disse que os produtores do mel e de arroz já conseguem sustentar-se com a sua actividade, o que tem permitido melhorar a qualidade de vida da população rural.
Azevedo Selhunga disse que, com a produção em escala alargada, o município beneficiou de uma máquina para descasque do arroz, aguardando apenas a sua instalação e outras componentes técnicas para o arranque.  O responsável do IDA refere, por outro lado, que, neste momento, o descasque se processa manualmente. A instituição controla, para o efeito, um total de 118 associações de camponeses e 18 cooperativas agrícolas no município do Cuemba.

O comboio da paz

O único meio de transporte que tem servido para o escoamento dos produtos e consequente suspiro dos munícipes da região do Cuemba é o comboio.
Apesar de se revelar como uma opção insuficiente, devido a quantidade de produção, visto que ainda constitui um grande desconforto o uso da estrada nacional 250, a locomotiva do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) serve de grande alternativa aos produtores.
O comboio, com duas frequências semanais, tornou-se hoje o centro de todo o processo de intercâmbio comercial entre os povos do Huambo, Bié, Moxico e de outros pontos.
A vila do Munhango, no Cuemba, regista com frequência a afluência de passageiros que embarcam com produtos para comercializar noutros mercados, com realce para o mel bruto e alguns produtos culturais. O produtor de mel António Chivela adianta que tem recebido com regularidade  solicitação de mel por compradores de Luanda, Benguela e Moxico, por considerarem a zona a melhor na produção natural do produto, a nível do país.

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