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Cuito sem aterro sanitário

José Chaves | Cuito

A forma como o lixo recolhido na cidade do Cuito é tratada constituiu um atentado ao ambiente e à saúde pública, reconheceu ontem o chefe do Departamento do Ambiente na província do Bié.

Munícipes defendem a criação de condições para que o lixo deixe de ser exposto a céu aberto
Fotografia: Edições Novembro

Raimundo Kufa acrescentou que a falta de um aterro sanitário e de uma incineradora inviabiliza a realização de um trabalho moderno e eficaz, na recolha e tratamento de resíduos sólidos no Cuito.
“Até os resíduos hospitalares são queimados ou expostos às águas pluviais, sem o mínimo de cuidados ambientais, correndo o risco de afectarem os lençóis freáticos da região”, sublinhou Raimundo Kufa, acrescentando que o lixo recolhido na cidade do Cuito e nos bairros periféricos é depositado ao relento, na zona do quilómetro 12, na comuna do Cunje, próximo de residências.
Segundo Raimundo Kufa, apesar do apoio dado pelo Governo Provincial à empresa responsável pela recolha do lixo na cidade do Cuito, consubstanciado em meios técnicos para auxiliar no trabalho de recolha e tratamento dos resíduos sólidos, o que trouxe melhorias significativas nas acções de limpeza na cidade e arredores, existem ainda muitas insuficiências que devem ser superadas.
Raimundo Kufa disse que o tratamento de resíduos sólidos exige a aplicação de técnicas e métodos que permitem a recolha selectiva dos resíduos tóxicos e não tóxicos, até à fase de reciclagem, sem afectar os ecossistemas. “Isso não acontece no nosso seio. É urgente inverter o quadro, sob pena de causarmos danos irreversíveis ao ambiente.”
O responsável provincial do Bié do Departamento do Ambiente defendeu maior educação ambiental às populações dos meios urbanos e aos funcionários das empresas que lidam com o saneamento básico.
Raimundo Kufa disse que o Governo Provincial deve fomentar o surgimento de empresas especializadas no ramo, com competências técnicas e científicas comprovadas. Ainda de acordo com Raimundo Kufa, as empresas de recolha de resíduos tóxicos devem equipar-se com meios mais adequados às quantidades e ao tipo de lixo produzido na região.
“É necessário que o Go-verno construa verdadeiros aterros sanitários, onde serão reciclados ou incinerados os resíduos”, apelou Raimundo Kufa.
A cidade do Cuito e as áreas periféricas albergam mais de 400 mil habitantes, que produzem mais de 20 toneladas de lixo por dia.

 

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