Províncias

Cunene tem projectos para combater a seca

O Ministério da Energia e Águas, através do Instituto Nacional dos Recursos Hídricos (INRH), está a trabalhar na elaboração de três projectos, com destaque para dois de barragens, com vista a combater a seca que afecta a Região Sul do país, sobretudo a província do Cunene.

Falta de água em comunidades da província do Cunene causa vários transtornos à população
Fotografia: DR

Os projectos de combate à seca poderão estender-se também às províncias do Namibe e do Cuanza-Sul (localidade de Porto Amboim), mas a prioridade recai para o Cunene, região onde a situação é mais crítica, segundo o director-geral do INRH, Manuel Quintino, entrevistado quarta-feira, pela Angop, a propósito do Dia Mundial da Água, que hoje se assinala.
Os projectos no Cunene, acrescentou, vão contemplar a construção de duas barragens hidroagrícolas, sendo a primeira na zona do Ndue e a segunda na localidade de Calucue, para reservar água para a população, o gado e a agricultura. Segundo Manuel Quintino, os estudos de viabilidade técnica ambiental dos projectos começaram em meados de 2015 e terminaram em Dezembro de 2018. Dada a envergadura dos empreendimentos a construir, o pe-ríodo mínimo de execução será de 40 meses para a sua conclusão, acrescentou.
Em Janeiro último, uma equipa técnica, acompanhada por empresas internacionais, visitou os locais, no Cunene e na província do Namibe, para implementar certas soluções de combate à seca e, também, no Cuanza-Sul, na região do Porto Amboim.
Além das barragens, há um outro projecto de retirada de água do rio Cunene, na secção de Cafu, para o abastecimento à zona das Oshanas, fundamentalmente para as localidades de Namacun-de e Cumato.
Manuel Quintino disse tratar-se de soluções técnicas de engenharia que passarão pela transferência de caudais, com a retirada de água em zonas com alguma abundância para zonas com grandes défices.
Segundo o responsável do INRH, a solução do problema da seca no Cunene e noutras regiões do país passa por construir barragens, acumular água e fazer a recarga do lençol freático, para que, na eventualidade de surgirem problemas de seca, se recorra ao lençol freático e retirar a água subterrânea para suprir as necessidades.
Apesar de o país dispor de 47 bacias hidrográficas principais e 30 secundárias, Manuel Quintino explicou que falar de abundância de água no país é relativo, por haver muita água na Região Norte do país onde chove bastante, mas grande escassez na parte Sul.
O grande problema, segundo o director do INRH, não reside na falta de água, mas na falta de investimentos para captação, tratamento e distribuição nos grandes centros habitacionais, para que as populações tenham acesso à água, para suas necessidades e para os centros industriais.
Manuel Quintino entende ser necessário aumentar os investimentos no sub-sector das águas, para que as indústrias consigam ter água a custos baixos e laborar de forma normal, sem percalços, em termos de abastecimento de água.

Tempo

Multimédia