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A Igreja segue os passos da comunidade

Dionísio David| Ondjiva

O governo angolano, nos últimos oito anos de paz, tem tido maior desempenho para a melhoria das condições de vida dos angolanos, apesar das dificuldades de ordem económica e financeira que o país enfrenta, reconhece o padre superior da Missão Católica de Omupanda, na província do Cunene, Pio Hipunhaty.

 
 O governo angolano, nos últimos oito anos de paz, tem tido maior desempenho para a melhoria das condições de vida dos angolanos, apesar das dificuldades de ordem económica e financeira que o país enfrenta, reconhece o padre superior da Missão Católica de Omupanda, na província do Cunene, Pio Hipunhaty.
Falando em nome de Dom Fernando Guimarães Kevanu, bispo da Diocese de Ondjiva, o sacerdote começou por caracterizar a situação vivida antes do alcance da paz efectiva, tendo lembrado que, apesar da desarticulação dos serviços administrativos e sociais na região, por um período de quase oito anos, tudo foi feito para que a situação
voltasse à normalidade. A igreja tem acompanhado com particular atenção todo o processo da reposição dos serviços administrativo com vista a melhoria das condições de vida das comunidades, tendo sido alcançado como primeiro benefício sem sombra de duvidas o fim da violação do direito fundamental da pessoa humana, o direito à vida.
Lembrou que com a guerra não se tinha direito à vida. Felizmente, com a conquista da paz foi conseguido um dos benefícios há muito almejados. Precisou que com a paz foi possível obter-se a livre circulação de pessoas e bens, o direito à assistência médica e medicamentosa, à educação e ensino, o direito de viver na área de preferência, em suma são visíveis as realizações feitas nos últimos oito anos de estabilidade politica.
Tendo afirmado que gostaria de ver mais coisas a serem realizadas, reconheceu que cada coisa tem o seu tempo e nada pode ser feito de um dia para outro.
“Temos a experiência recente daquilo que foi a destruição das infra-estruturas administrativas e sociais, as igrejas também não escaparam”, disse. Citou como exemplo a Missão de Cafima, que tinha sido bombardeada pela aviação do exército do então regime racista sul-africano, onde morreu naquela época o Padre Manico, a missão do Kuamatu, da Mupa, da Môngua e de Omupanda. Disse que esta situação originou a que apenas duas, das seis missões até então existentes, tivessem que funcionar no tempo da guerra: a da Môngua e a do Chulo. Referiu que hoje a situação é diferente, já se tem todas as missões a funcionar em pleno, apesar de haver ainda carências em infra-estruturas. Tudo se deve à paz que se vive na província e no país em geral.
O clérigo enfatizou que a guerra é a expressão máxima da violação dos direitos humanos. O conflito armado lançou a confusão entre famílias, entre o povo angolano.
Como se viu, o conflito durou décadas e as feridas de uma década não podem ser curadas de um dia para outro, por isso é que a igreja está a desenvolver um programa de educação para a paz e reconciliação para todas as famílias angolanas, a insistir no apelo à reconciliação do perdão e da necessidade de se estender o braço ao irmão. Fez saber que muito antes das autoridades civis enveredarem por este plano, a igreja já tinha apelado a sociedade para a reconciliação e perdão. No actual contexto a igreja deve desempenhar o seu papel e ocupar o espaço a ela reservado: a de mensageira da paz, da harmonia e do amor - sublinhou.
Disse por outro lado que o evangelho ensina as pessoas a como viverem, a relação entre elas com Deus e com o irmão. Neste particular, considerou de excelentes as relações entre a igreja e as instituições do Estado na província do Cunene. Até porque as instituições do Estado têm a Igreja Católica como parceira social, não só na reconstrução nacional, mas principalmente no campo da educação e do e ensino, na assistência médica e medicamentosa às populações, mas sobretudo, no processo de
reconciliação nacional séria e profunda, não excluindo o aspecto religioso.
 
Resgate dos valores
cívicos e morais
 
Padre Pio Hipunhaty considerou o alcoolismo como um mal maior e um drama que a sociedade angolana enfrenta nos dias de hoje. A respeito, frisou que basta se sair um pouco, para ver que a bebida está publicitada em todos os lugares e a difundir-se cada vez mais. “A bebida está a destruir famílias, a juventude, está a minar as bases da sociedade”, sublinhou.
Lembrou que terminada a guerra o álcool, nos dias de hoje, tem sido a que mais mortes provoca nos lares e nas estradas do país, porque as pessoas conduzem constantemente em estado de embriaguês, causando mais acidentes de viação. O alcoolismo tem sido a causa de desarticulação de famílias, dos desentendimentos no seio das famílias e de tantas lutas que acorrem nos bairros, e dos homicídios. Face este quadro, aquela personalidade defendeu a urgente necessidade de se legislar sobre a matéria, reiterando que o álcool deve ser controlado com medidas, porque não é aceitável que crianças e jovens adolescentes estejam a consumir álcool, estejam a vender bebidas, muitas das vezes com os pais nas lanchonetes ou mandados pelos parentes mais velhos a comercializar o álcool. Deste modo está se a contribuir para a destruição da juventude e da sociedade. Acrescentou que por causa do álcool hoje há jovens que abandonaram os estudos, os pais que abandonaram os lares. Há pessoas que eram úteis à sociedade, que fizeram faculdade com ajuda do governo, professores de categoria e hoje andam à deriva, por isso o álcool é um mal que deve ser combatido.
 
Missão Católica de Omupanda
 
Esta missão tem sido a mais importante no campo da educação e ensino. Neste momento estão internados um total de 70 alunos no seminário médio de ambos os sexos, a funcionar há mais de três anos. Para além do seminário médio, existe o ensino primário do primeiro ciclo e também do segundo ciclo, onde um total de 400 jovens frequenta as escolas da missão, cuja avaliação que se faz do desempenho por parte dos alunos é positiva, embora existam ainda dificuldades estruturais. Grande parte dos alunos do ensino secundário apresenta insuficiências e notas baixas, pelo que se torna urgente a reestruturação do ensino primário por formas a dotá-lo da melhor qualidade possível. Apelou aos jovens para que se dediquem mais às actividades socialmente úteis e à formação. Aos responsáveis comunitários, pediu para que ajudem a juventude a crescer, porque só assim se vai poder ter um país do futuro. Pediu igualmente às entidades competentes para que se crie mais escolas especiais e de artes e ofícios.

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