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A salvação das pessoas e do gado no Cunene

Domingos Calucipa| Ondjiva

A escassez de água potável na província do Cunene pode conhecer uma viragem, nos próximos meses, quando estiver concluído o projecto de extensão de uma conduta vinda do rio Cunene, em Xangongo, para abastecer grande número de localidades da região.

Trabalhos do projecto de extensão da conduta contam com a participação de muitos jovens
Fotografia: Venâncio Amaral|Ondjiva

A escassez de água potável na província do Cunene pode conhecer uma viragem, nos próximos meses, quando estiver concluído o projecto de extensão de uma conduta vinda do rio Cunene, em Xangongo, para abastecer grande número de localidades da região.
O chefe do departamento de águas da Direcção Provincial de Energia e Águas, João Evangelista Kamati, disse ontem tratar-se de um projecto de iniciativa central, que tem a finalidade de tirar proveito do enorme caudal do rio Cunene.
Assim, está programada a construção de uma conduta que leva a água, numa primeira fase, às populações e ao gado de Xangongo, comuna da Môngua, povoação de Bulunganga, cidade de Ondjiva e comuna da Anhanga.
Sem revelar o valor do investimento, o João Evangelista Kamati salientou que a segunda fase da conduta de água contempla a sede da comuna do Chiede e a localidade de Ohongo, podendo ainda chegar à Namíbia.

Trabalho de jovens

João Kamati disse que decorre, neste momento, a colocação de uma tubagem de 63 centímetros de diâmetro, num percurso de 100 quilómetros, entre Xangongo e Ondjiva, com uma capacidade de transportar 1.015 metros cúbicos de água por hora, quantidade suficiente para abastecer as zonas seleccionadas. O responsável das águas disse que, no terreno, os trabalhos avançam com toda a normalidade e  que as obras contam com o envolvimento de centenas de jovens, até então desempregados.
Manuel David e Gregório Vakelekeni figuram ente os jovens envolvidos nas obras da nova conduta. Eles encaram o projecto como a “salvação” de muita gente e do seu gado, uma vez ainda dependerem totalmente da água das chuvas.
Manuel David, na casa dos 30 anos, habitante da comuna da Môngua, afirma que desde a infância que a água foi sempre uma dor de cabeça, principalmente para o consumo da população. “Na minha zona bebemos água retirada das lagoas, onde o gado também bebe e isso não é bom, uma vez que nos causa muitas doenças, e aos nossos visitantes”, observa o jovem.
David considera a construção da linha de água como “o maior ganho de todos os tempos” na vida dos habitantes da sua localidade, tendo em conta que ela vai reduzir a dependência das chuvas.
As obras, a cargo de uma empresa cubana, arrancaram no início do ano passado e estão em ritmo acelerado. Até Dezembro, a água chega à cidade de Ondjiva, como apontam as previsões da Direcção local da Energia e Águas.
João Kamati assegurou que, até ao momento, estão estendidos os tubos junto à estrada entre Xangongo e Ondjiva. O próximo passo é ligar os tubos, seguindo-se, posteriormente, a abertura da vala onde vai ser enterrada a tubagem.
Outros trabalhadores, disse, estão concentrados na construção do centro de captação e das instalações da Empresa de Tratamento de Água, no Xangongo.  Outra infra-estrutura de apoio está a ser erguida em Môngua, entre Xangongo e a cidade de Ondjiva, e a sua execução já leva um avanço na ordem dos 70 por cento.
O chefe do departamento das águas anunciou que a cidade de Ondjiva e a vila do Xangongo vão beneficiar, nos próximos tempos, de uma rede canalizada de distribuição de água.
Numa primeira fase, referiu João Kamati, o projecto vai beneficiar a vila de Xangongo, onde, neste momento, o empreiteiro está a preparar as condições para colocar a canalização.  A canalização da cidade de Ondjiva vem na fase seguinte, mas, até lá, a água já deve chegar ao centro de distribuição e aguardar apenas pela conclusão da rede de distribuição.

Abertura de mais furos

No quadro do programa “Água para Todos”, estão em curso inúmeros trabalhos de abertura de furos e sistemas de água nos seis municípios da província do Cunene.
Os trabalhos compreendem a construção de 100 novos furos e a reabilitação de igual número, além de seis pequenos sistemas que já estão a ser edificados. Os sistemas de captação, com um ou dois furos de água cada, contam com tanques elevados que distribuem a água por gravidade, através de pequenas redes domiciliares e para chafarizes instalados nos bairros.  O chefe de departamento da Direcção Provincial de Energia e Águas disse estarem a beneficiar de sistemas as sedes das comunas de Oncócua (Curoca), Otchijau (Cahama), Naulila e Ombala yo Mungo (Ombadja), Chiede (Namacunde) e Evale (Cuanhama). Os projectos foram lançados em Maio de 2010.

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