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A senhora que acolhe os comerciantes e turistas

Leonel Kassana |

O comércio fronteiriço está a levar muita gente para a fronteira  angolano-namibiana. A procura de negócios leva até Santa Clara e, depois,  Oshikango, na Namíbia, muita gente. Comerciantes de ocasião em número significativo chegam em aviões da TAAG que por dia escala quatro vezes a cidade  de Ondjiva ou da companhia privada  AN-26.

O comércio fronteiriço está a levar muita gente para a fronteira  angolano-namibiana. A procura de negócios leva até Santa Clara e, depois,  Oshikango, na Namíbia, muita gente. Comerciantes de ocasião em número significativo chegam em aviões da TAAG que por dia escala quatro vezes a cidade  de Ondjiva ou da companhia privada  AN-26.
Mas onde hospedar tanta gente em trânsito para a Namíbia, numa área carente de infra-estruturas hoteleiras, nomeadamente hotéis e pensões? Isabel Piedade, uma  mulher com créditos firmados desde o Lubango, onde há mais de uma década criou o  primeiro supermercado do sul de Angola, atenta, ergueu e está prestes a inaugurar  uma unidade denominada “Pensão Piedade”, mesmo à entrada de Santa Clara.
“Esta é uma futura unidade que acho que irá ajudar bastante na acomodação dos  comerciantes, viajantes, turistas e mesmo pessoas que queiram livrar-se um pouco do stress da cidade de Ondjiva”, disse a empresária, quando mostrava ao Jornal de Angola o seu empreendimento.
Orgulhosa por “poder ajudar no desenvolvimento da província do Cunene”, Isabel Oliveira acrescenta que a pensão foi feita de forma paulatina, à medida que foi adquirindo alguns recursos financeiros. “O investimento foi feito de forma gradual e até agora foram gastos mais ou menos 750 mil dólares. Agora, estamos praticamente na fase final, ou seja, de apetrechamento e pequenos acabamentos”, assegura, prometendo para breve a inauguração da “Pensão Piedade”.
A nossa reportagem pode visitar a futura unidade hoteleira e pode contar dezasseis confortáveis suites - passe a publicidade. Um amplo restaurante, uma esplanada, sala de jogos, entre outros serviços completam a “Pensão Piedade”. “Podíamos investir um pouco mais, mas trata-se de obra sem qualquer recurso ao crédito bancário. Ainda assim, creio, estamos em condições de poder vir a servir os nossos clientes com um mínimo de dignidade”.
Com a criação dessa unidade, Isabel Piedade garante seis empregos directos, mas esse número pode crescer paulatinamente, à medida que o movimento de pessoas for aumentando. Seis postos de trabalho podem ser um número irrisório, mas numa região onde os índices de desemprego, sobretudo entre os jovens, são altíssimos,  isso tem um peso significativo.
A empresária reconhece, contudo, que ultimamente o comércio fronteiriço na região de Santa Clara tem conhecido um certo retraimento. “Neste momento o comércio fronteiriço aqui em Santa Clara está muito em baixo, está fraco mesmo.
Nós não sabemos porque, mas agora poucos homens de negócios vêem para aqui”.Julgo que agora os comerciantes e investidores optaram por comprar mais dentro do país, completa Isabel Piedade, notando que o maior constrangimento para os empresários do ramo hoteleiro é a falta de energia e água. “Há três meses que não temos energia, toda a gente usa geradores, mas estes, ao fim de pouco tempo, estragam, porque trabalham todos os dias. A água é ainda um problema maior, pois todas as semanas as pensões têm de comprar três a quatro cisternas”.

Restaurante “Tia Gia”

Para quem aporta em Santa Clara, existe um restaurante, o “Tia  Gia”, para onde converge a maioria das pessoas. Pertence à senhora com o mesmo nome. Gia começou por confeccionar refeições na sua própria residência, bem próximo da fronteira com a República da Namíbia, mas aos poucos evoluiu para aquilo que hoje é considerado o melhor restaurante da área.
António Francisco, patrão do restaurante “Tia Gia”, por sinal esposo da dona Gia,  explica que “começamos por fazer refeições para os funcionários das  empresas que trabalham na fronteira, como bancos, alfândegas, polícias, imigração, homens de negócio e outras pessoas, quer residentes como de passagem por  Santa Clara”.
Depois, acrescenta, o número de clientes foi subindo, o nível de exigência também e, de uma mesa de quatro lugares, passou-se para duas mesas e aí por diante, para poder atender toda gente.
Ele sublinha, orgulhoso, que foi preciso muita imaginação para atender a elevada demanda sem decepcionar. “Graças às mãos milagrosas da “Tia Gia”, mais pessoas foram se apercebendo que a comida era de boa  qualidade”, nota.
Sublinha que fruto da elevada procura, o casal teve que colocar uma tenda no quintal. “Não poderíamos defraudar os nossos clientes. As tantas, nem na nossa sala de visitas sobrava lugar para receber mais gente. Foi então que os serviços das Alfândegas precisaram do nosso espaço, fizemos o negócio, saímos daquela área,  fomos indemnizados e com os recursos criamos este restaurante”.

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