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Agências da ONU apoiam combate à malnutrição

Dionísio David | Chulo

O combate à malnutrição severa nas crianças em unidades clínicas da província do Cunene vai ganhar outra dinâmica, com a mobilização de um fundo no valor de cerca de seis milhões e meio de dólares disponibilizados pelas agências das Nações Unidas que operam em Angola.

Um ângulo da cidade de Onjiva capital da província do Cunene onde foi anunciada a mobilização de um fundo para combater a malnutrição
Fotografia: JAImagens

O coordenador residente das Nações Unidas e do Programa da organização para o Desenvolvimento, Pier Paolo Balladelli, anunciou ontem o facto, no Chulo, no âmbito de uma visita de constatação efectuada à província do Cunene.
O diplomata referiu que as Nações Unidas, através das suas agências, pretendem apoiar a província do Cunene, face à problemática da seca e da fome, consequências da falta de chuva dos últimos três anos.
Pier Balladelli referiu que, neste momento, há casos de malnutrição aguda, severa e moderada nas crianças dos seis meses aos cinco anos, cuja situação clama por uma intervenção urgente, sobretudo das autoridades locais.
Referiu que é necessário a realização de um levantamento das famílias vulneráveis a nível das comunidades rurais, para, em conjunto com parceiros internacionais, em particular as Nações Unidas, se encontrar uma resposta urgente.
O médico ao serviço das Nações Unidas disse que uma das respostas tem a ver com a mobilização de recursos financeiros, para garantir a melhoria da assistência nos hospitais de referência, com destaque para o do Chulo, Ondjiva e outros municipais.
Além destes estabelecimentos, referiu ser necessário que os recursos financeiros sejam aplicados noutros centros de saúde de maior concentração populacional, para que os casos de malnutrição encontram ali respostas adequadas. O responsável da PNUD em Angola enfatizou que 2014 e 2015 foram os anos em que se registaram mais casos como consequências da crise financeira, dai que os níveis de malnutrição severa duplicaram, no ano antepassado, com 391 registos, entre os meses de Janeiro e Outubro, só a nível do hospital do Chulo.
No ano passado, em igual período, a mesma unidade clínica registou 125 casos, situação que decorre da degradação das condições alimentares, associada à rotura das reservas e da morte do gado, o principal suporte financeiro das comunidades. Pier Balladelli ressaltou que, face à esta situação, as Nações Unidas, em particular o Unicef, OMS e FAO, entenderam juntar-se às autoridades governamentais, avançando com uma proposta para se conseguir o referido fundo.
O referido fundo vai servir para a compra de alimentos de tipo terapêutico, destinados aos hospitais, com intuito de acudir os casos de malnutrição aguda e severa, explicou o responsável. Além de alimentos para os centros de saúde, o fundo visa ainda melhorar os pontos de água, através da reabilitação e reparação das sondas e furos existentes e reabrir outros que deixaram de funcionar de um tempo à esta parte.
O plano de emergência e, com base no referido fundo, prevê a cedência de sementes de curta duração às famílias camponesas, para além das acções de vigilância sobre a situação da seca no sentido de facilitar uma resposta pronta por parte dos intervenientes.
Por isso, Pier Balladelli solicitou às autoridades para reforçarem a parceria com as agências internacionais, tendo em conta o facto de o país estar, neste momento, a sofrer uma crise financeira como resultado da queda do preço do petróleo no mercado internacional.

Total disponibilidade

O governador em exercício do Cunene, António dos Santos Candeeiro, manifestou total disponibilidade do Governo Provincial em cooperar com as Nações Unidas, na realização urgente das acções que concorram para a resolução dos problemas que afectam as comunidades, em particular as crianças em situação de malnutrição.
O responsável mostrou-se preocupado com a difícil situação com que as populações se deparam, em particular as do meio rural, devido à prolongada seca que assola a província, daí reiterar o engajamento do governo para mitigar os efeitos da fome.

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