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Apoios empurram os negócios para a frente

Adelaide Mualimusi | Ondjiva

O dia 19 de Março vai ficar marcado na memória de Kuta Francisco, de 34 anos. Em plena comemoração da data consagrada aos pais, o jovem foi contemplado com um conjunto de instrumentos de trabalho para salão de beleza, no âmbito do Programa Nacional de Apoio aos Jovens Empreendedores.

Maria Luísa que recebeu motorizadas é a prova de que nunca é tarde para iniciar uma actividade quando há vontade e determinação
Fotografia: Venâncio|Ondjiva

O dia 19 de Março vai ficar marcado na memória de Kuta Francisco, de 34 anos. Em plena comemoração da data consagrada aos pais, o jovem foi contemplado com um conjunto de instrumentos de trabalho para salão de beleza, no âmbito do Programa Nacional de Apoio aos Jovens Empreendedores.
Kuta Francisco, que está entre um grupo de 40 jovens beneficiários que, no ano passado, deu entrada dos seus documentos, no Balcão Único do Empreendedor (BUE) do município de Cuanhama, a solicitar financiamento para os seus negócios, recebeu material correspondente à segunda fase do projecto.
Até agora, ele e mais outros 234 jovens já tinham usufruído do programa de apoio aos empreendedores, depois dos primeiros 195 do ano passado.
O jovem revelou que sempre acreditou nas promessas do Executivo, daí nunca ter perdido as esperanças de que um dia ia fazer parte dos beneficiários do crédito para levar avante o seu negócio. “O Executivo está a dar oportunidade aos jovens para acederem ao microempreendedorismo e vou fazer tudo para abrir o meu salão”, afirmou.
Antes de aderir ao BUE, Gaudência Romana, de 26 anos e que também já recebeu material, considerava-se uma pequena empreendedora. Por isso, concorreu ao programa para formalizar a actividade de revenda de produtos, numa cantina.
Para ela, é uma grande oportunidade que o Executivo dá aos jovens, para porem em prática as suas habilidades empresariais, razão pela qual desafia outros como ela a trabalharem com inteligência para que o negócio renda e permita empregar algumas pessoas. Romana recebeu uma máquina de gelados e outra de pipocas, aparelhos que reforçaram o negócio que montou, na zona do bairro Pioneiro Zeca, em Ondjiva, onde comercializa frescos, guloseimas, detergentes, bebidas, entre outros produtos.
Para ela é ponto assente que este negócio dos gelados é bastante rentável, principalmente nesta altura, de  altas temperaturas naquela província. “Temos apenas de saber gerir bem o que conseguimos com algum sacrifício”, salientou. Maria Luzia é a prova de que nunca é tarde de mais para iniciar uma actividade, quando a vontade e a determinação são grandes.
Aos 53 anos, recebeu três motorizadas de três rodas, para o exercício da actividade de moto táxi na cidade de Ondjiva. “Acredito que quando as pessoas virem a minha iniciativa, principalmente os meus vizinhos, vão acreditar que o BUE é uma realidade”, afirmou.
Maria tem a certeza que, com o andar do tempo, as motorizadas vão ajudar a conseguir meios de circulação mais eficazes para o serviço de táxi, como um carro, que lhe pode dar maiores rendimentos.
O coordenador do BUE do Cunene, Paulo Simões, disse que o programa, criado pelo Executivo para diminuir a pobreza, entregou, nesta segunda fase, diversos conjuntos de materiais aos jovens locais.

BUE no combate à pobreza


Os bens entregues são normalmente compostos por geradores, máquinas de gelados e de pipocas, arcas, mesas, geleiras, televisores, fogões, micro-ondas, meios de transporte, entre outros, adquiridos a partir de uma empresa local. Paulo Simões garantiu que o BUE do Cunene tem as portas abertas para atender qualquer cidadão, desde que tenha mais de 18 anos, iniciativa para montar um negócio e dinamismo para participar no desenvolvimento económico do país.
“O cidadão deve apenas apresentar duas fotografias tipo passe, igual número de cópias do Bilhete de Identidade, uma capa de processo e factura pro-forma”, salientou.

Milhares de processos


Desde a abertura do Balcão Único do Empreendedor , a instituição já recebeu três mil processos, 235 dos quais foram financiados, enquanto outros aguardam que se cumpra a tramitação.
“O BUE tem feito inspecção aos estabelecimentos comerciais dos cidadãos que já beneficiaram do crédito e notamos que estão a ir bem, conforme as expectativas”, contou Paulo Simões, para adiantar que a instituição tem explicado à população, através dos meios de comunicação social, como funciona o processo.
Frisou, por exemplo, que o valor atribuído ao beneficiário corresponde a 679 mil kwanzas para começar o negócio e o resto é da responsabilidade do empreendedor, que deve saber como trabalhar para que o negócio cresça.
Os serviços do BUE a nível da província do Cunene já estão a funcionar nos municípios de Cuanhama, Namacunde, Cahama e Ombadja, estando prevista a abertura de outros quatro, ainda este ano, no Cuvelai, Curoca, Santa Clara e Calueque.
No BUE funcionam os bancos de Poupança e Crédito (BPC) e de Comércio e Indústria (BCI), a segurança social, estatística, veterinária e as administrações municipais.

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