Províncias

Aumenta número de crianças no ensino

Quinito Kanhameni| Ondjiva

Os esforços empreendidos pelo executivo do Cunene na construção e ampliação de infra-estruturas escolares e enquadramento de mais professores para o sector da educação nos últimos anos, está a permitir a redução do número de crianças fora do sistema normal de ensino na província, disse ao Jornal de Angola o director provincial da Educação, Ciência e Tecnologia local, Apolo Ndinoulenga.

Os esforços empreendidos pelo executivo do Cunene na construção e ampliação de infra-estruturas escolares e enquadramento de mais professores para o sector da educação nos últimos anos, está a permitir a redução do número de crianças fora do sistema normal de ensino na província, disse ao Jornal de Angola o director provincial da Educação, Ciência e Tecnologia local, Apolo Ndinoulenga.
Segundo Apolo Ndinoulenga, à medida que se vão construindo novos espaços educativos e a expansão da rede escolar para as comunas e outras localidades, o número de crianças fora do sistema normal de ensino diminui. Por exemplo em 2010 o quadro apontava para 11 mil crianças e este ano o número passou para um total de nove mil. O director afirmou que o enquadramento progressivo de novos docentes na função pública tem permitido a entrada, em cada ano, no sistema de ensino, de mais de duas mil crianças. De acordo com o director da Educação, a província do Cunene conta com um total de 183 escolas de construção definitiva, perfazendo 656 salas de aulas, sendo 157 escolas para o ensino primário, 17 do I ciclo, e 9 escolas do II ciclo.
Para o ano lectivo 2011, foram matriculados 189.005 alunos, dos quais 170.225 do primeiro nível, 13.225 no I ciclo e 5.555 no II ciclo do ensino. O sector é assegurado por 4.108 professores de todos níveis. Destes, 1.392 ingressaram na função pública no ano passado.
O director disse que apesar dos esforços empreendidos pelo executivo local, na criação de condições que garantam o normal funcionamento do sector da Educação, ainda há muito trabalho por realizar.

Ensino médio
 
O responsável afirmou que dos seis municípios que constituem a província, quatro têm o ensino médio, nomeadamente Ombadja, Kwanhama, Namacunde e Cahama. Por cobrir estão o Curoca e o Cuvelai. Entre as escolas desse nível destaca-se um Instituto Médio de Administração e Gestão, o Instituto Médio Politécnico de Ondjiva e o Instituto Médio de Omupanda, afecto à Missão Católica, este último ministrando o curso de Ciências Humanas.
Paralelamente, o Programa de Alfabetização e Aceleração Escolar (PAAE), na província do Cunene, está a conhecer resultados positivos, fruto do empenho dos responsáveis do sector, alfabetizadores e parceiros. Segundo dados da direcção da Educação, de 2007 a 2010 foram alfabetizados 64.693 alunos de ambos os sexos. Estão envolvidos no Programa cinco parceiros sociais, designadamente a Igreja Anglicana e a Igreja Evangélica Congregacional de Angola, IECA, a Administração Municipal do Kwanhama e a ADPP (Ajuda de Desenvolvimento do Povo para Povo).
Para este ano, estão matriculados 17.091 alunos com idades compreendidas entre os 15 e os 35 anos. Foram ainda capacitados 579 professores sobre o segundo módulo do ensino.

 Colaboradores
sem remuneração

O Instituto Médio Politécnico Doutor António Agostinho Neto em Ondjiva, está entretanto sem dinheiro para pagar mais de 24 professores que trabalham em regime de colaboração na instituição. Hilário Sikalepo, director do instituto, disse que a escola não paga os subsídios de colaboração desde 2009, pelo facto das verbas não estarem cabimentadas, situação que considera constrangedora porque cada dia que passa a dívida aumenta. Segundo o director estão a ser envidados os esforços junto do ministério de tutela para a liquidação da dívida contraída ao longo do tempo. Para o responsável a disponibilidade e paciência dos professores é gratificante, pelo que pede a sua máxima compreensão pelos transtornos. Salientou que esses professores, em número de 25, manifestaram a sua disponibilidade de leccionar mesmo sem remuneração. O responsável afirmou que este ano foram matriculados um total de 400 novos alunos, enquanto que 600 outros ficaram de fora por falta de professores.


Contratação
de colaboradores

Com 16 salas de aulas e capacidades de absolver 1.920 alunos, a instituição tem um corpo docente constituído por 85 professores efectivos e 25 colaboradores. Devido a insuficiência de quadros, a Instituição tem sido obrigada a recorrer à contratação de colaboradores. Acrescentou que para suprir a demanda a escola necessita de mais 50 professores, para perfazer um total de 135 efectivos. A escola conta com os cursos de Biologia, Inglês, Português, Matemática, Física, Bioquímica, Geohistória e Administração Pública leccionados em três turnos. Desde a sua fundação, em 1994, a instituição já lançou para o mercado de trabalho 1.983 técnicos. De acordo com Hilário Sikalepo, na falta do ensino superior na província, muitos técnicos recorrem a província da Huíla, de onde alguns já regressaram com o nível superior, fazendo o grosso do actual corpo docente na província. Já com a abertura da Escola Superior Politécnica de Ondjiva, em 2009, muitos encontram ainda dificuldades para dar sequência aos seus estudos, por esta não ter os cursos correspondentes. Em parte, os alunos que terminam o médio na escola são obrigados a trocar de especialidade e outros vão estudar para fora da província, como as cidades do Lubango, Luanda e Huambo. Somente os formados em Bioquímica têm a sorte de continuar com o curso na escola superior local. A instituição, fundada em 1994, está vocacionada para a formação média de quadros para a Educação e Administração pública. Durante os primeiros quatro anos trabalhou em instalações provisórias, passando depois para edifício próprio, construído de raiz, localizado no bairro Naipalala. A mesma se encontra confinada numa zona residencial, sem mais nenhum espaço para ampliação, o que impossibilita a criação de infra-estruturas, como ginásios e salas de conferência e campo para a prática de educação física, além de que clama ainda por vedação. Para a prática de actividades desportivas e educação física o Instituto tem utilizado o pavilhão Gimno-Desportivo de Napalala, o campo de futebol onze dos Castilhos e o campo polivalente do Instituto de Administração e Gestão. Segundo o responsável, estes lugares nem todos os dias estão disponíveis. A escola não possui biblioteca nem sala de conferências.

Biblioteca virtual
 
O Instituto Médio de Administração Pública e Gestão de Ondjiva vai criar este ano uma biblioteca virtual, com dois computadores, além de livros, para servir de suporte de pesquisa e consulta aos alunos, disse o director Lazaro Nhukuete. Lazaro Nhukuete sublinhou que a biblioteca virtual vai reforçar o Ciber Café - que já funciona desde a abertura da escola e pode atender seis pessoas -, com mais oito computadores. O Jornal de Angola ficou a saber que para o uso de Internet os alunos internos pagam 100 kwanzas por hora e os externos 200. O Instituto comporta 17 salas de aulas, 12 das quais são de aulas teóricas e cinco laboratórios com 20 computadores de última geração, com os programas de informática aplicada e primavera para o curso de gestão de empresas. Conta com um total de 72 professores, seis dos quais são colaboradores.
Os equipamentos têm assistência em manutenção da empresa portuguesa LUZES.
De acordo com o director, apesar da falta de professores, há melhorias no trabalho. Estes anos foram admitidos apenas 360 alunos por insuficiência de professores. São ministrados os cursos básico e médio. O primeiro compreende a formação de auxiliares de contabilidade, secretariado e assistente de secretariado, enquanto que o médio tem formação nas áreas de gestão de empresas, contabilidade e secretariado.
 
Ensino superior

A província do Cunene tem uma Escola Superior Politécnica pertencente à Universidade Mandume Ya Ndemufayo, a sexta região académica, que compreende as províncias do Namibe, Kuando-Kubango, Cunene e Huíla, com sede no Lubango.
A escola de nível superior foi institucionalizada em 2009, possui oito salas e lecciona no período diurno e pós laboral nas especialidades de Agronomia, Enfermagem, Análises Clínicas e Laboratoriais e Biologia. No presente ano estão matriculados 330 estudantes. Para as aulas práticas do curso de Análises Clínicas Laboratoriais, a escola possui duas viaturas apetrechadas com meios técnicos de última geração.
O corpo docente é constituído por 51 especialistas, sendo 49 de nacionalidade cubana e dois nacionais. A Escola Superior conta com dez residências para professores, com capacidade para 30 quartos, um restaurante, uma sala de conferências, uma biblioteca como suporte de pesquisa, além de diversos compartimentos para a área administrativa. Estão em curso obras de ampliação para 10 salas de aulas, contra as oito existents, quartos de banho e aérea administrativa. Quando forem concluídas, vão ser introduzidos novos cursos, como Matemática, Psicologia, Química e Sociologia.
Estão a ser dados passos para a construção do Campus Universitário do Cunene na localidade de Oshimbala, a cinco quilómetros a oeste de Ondjiva.

Tempo

Multimédia