Províncias

Automobilistas solicitam emissão de carta da SADC

Adelaide Mualimusi | Ondjiva

Automobilistas nacionais que se deslocam com frequência à vizinha Namíbia clamam pela abertura dos serviços de emissão da carta de condução da SADC na província do Cunene, tendo em atenção a exigência desse documento imposta pelas autoridades daquele país.

Viação e Trânsito no Cunene ainda não emite carta da SADC
Fotografia: Rogerio Tuti | Edições Novembro

Os automobilistas dizem passar constantemente por grandes dificuldades quando circulam em território namibiano, onde a polícia local rejeita a carta de condução angolana de cartolina vermelha e exige a da SADC.
O automobilista Hermenegildo Paredes disse que já chegou a ser detido pelas autoridades policiais namibianas, por ter sido interpelado duas vezes naquele território com a carta de condução de cartolina, preenchida a mão. Eles, sublinhou, alegam que a mesma não é válida no território namibiano.
Explicou que na primeira vez foi-lhe exigida a carta da SADC, mas por não a possuir foi-lhe aplicada uma multa. Mas dias depois, como tinha de regressar àquele país para transportar a sua mercadoria, foi novamente interpelado, só que dessa vez já não foi multado, mas sim detido por três meses e teve de pagar uma multa de três mil dólares namibianos, equivalentes a 82.500 kwanzas.
Lamentou o sucedido e atribui a culpa às autoridades angolanas, que tardam em emitir a carta de condução da SADC nas províncias, em particular no Cunene.
O automobilista e empresário da localidade de Santa-Clara  Beto Soares disse que a falta de um centro de emissão da carta da SADC não se justifica, pois o Cunene, por ser uma província fronteiriça deveria ter instalações para o efeito.
Afirmou que as autoridades da Namíbia obrigam os condutores da região a circularem com a carta da SADC, aplicando multas a todos os que não sejam portadores da mesma.
“Há tempos fui obrigado a viajar para Windhoek, capital da Namíbia, onde consegui trocar a minha carta de Angola pela da SADC, através do sistema que eles têm que consegue distinguir a carta verdadeira da falsa, e leva um ou dois meses para sair. Neste momento já tenho a carta da SADC”, disse Beto Soares.
Revelou que muitos angolanos têm passado por situações de multas e considerou que se o Cunene emitisse já a carta da SADC muitas dessas situações seriam evitadas.
Outro automobilista, António João, salientou que para se viajar da fronteira para uma das províncias da Namíbia é obrigatório o registo da viatura e a apresentação da carta da SADC. Se o condutor estrangeiro não apresentar este documento só pode circular na área fronteiriça por poucas horas.
      O director de Viação e Trânsito do Cunene, João Nunes, disse que em 2010 apareceu uma equipa da direcção geral de Luanda e montou uma antena parabólica no quintal da instituição e alguns equipamentos num gabinete, mas não concluiu os trabalhos.
     João Nunes disse que ainda não existem condições para emissão da carta da SADC, considerando que “são questões que exigem recursos financeiros”.

Tempo

Multimédia