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Autoridades tomam medidas contra a seca

Dionísio David | Ondjiva

O governador provincial do Cunene, António Didalelwa, reuniu-se em Ondjiva com as autoridades tradicionais dos seis municípios e representantes da sociedade civil para a analisar a escassez de alimentos provocada pela seca na região.

Governo tem recebido muitas ajudas que visam aliviar o sofrimento das milhares de famílias afectadas pela falta de alimentos e de água
Fotografia: Jornal de Angola

No encontro participaram também os directores provinciais, administradores municipais e comunais. A seca afecta mais de 500 mil pessoas e um milhão de cabeças de gado, na província do Cunene.
O governador  considerou oportuno o encontro na medida em que é preciso envolver todos os actores da sociedade civil da região na procura de soluções para os problemas que afectam as comunidades e o gado, devido à elevada carência de água e de alimentos.
As populações do Cunene, disse o responsável, sempre souberam enfrentar, com coragem inteligência e determinação, situações difíceis. E lembrou que os habitantes das áreas afectadas estão convencidos que mais uma vez vão saber contornar este obstáculo.
Além da análise da crise actual, o encontro serviu para cumprir as orientações das estruturas centrais. O governador provincial do Cunene recordou que a província é ciclicamente afectada pela seca ou por inundações, devido às suas características geográficas.
A situação de seca generalizada em toda a extensão da província do Cunene afectou as principais culturas da região, como o massango, massambala, milho e feijão. Nas lavras está tudo seco e se não forem tomadas medidas, pode haver fome, argumentou o governador. 

Mais alimentos


No encontro foi tomada uma decisão importante: os administradores municipais têm instruções e fundos para comprar mais alimentos para as comunidades afectadas. A população foi incentivada a elevar os níveis de solidariedade.
O governador provincial do Cunene pediu aos empresários locais, detentores de grandes quantidades de cereais, a venderem a produção ao governo, para que este possa socorrer as populações vítimas da seca e criadores de gado, a levarem os animais para onde existem pastagens e água. Para mitigar a falta de água, o abastecimento está a ser feito com recurso a cisternas, ao mesmo tempo que estão a ser reabilitados alguns furos inoperantes.
“Para o êxito do programa de emergência de abastecimento de água às populações, foram também instalados tanques em diferentes localidades, sobretudo nas aldeias”, sublinhou o governador, notando que os empresários da região vão partilhar a água das suas fazendas com as comunidades vizinhas e o seu gado. Os técnicos de saúde foram instruídos a intensificar a prevenção junto das populações, para evitar doenças. Os serviços locais de veterinária estão a fazer um melhor acompanhamento do gado nas zonas de transumância.
Para a garantir a segurança alimentar vai ser estabelecido na província um sistema de informação e alerta rápido para as calamidades naturais. Está a ser dado apoio aos fazendeiros com sistemas de irrigação, tractores, alfaias agrícolas, adubos, fertilizantes e fundo de maneio para elevarem a produção e proporcionarem mais emprego aos jovens.
O governador da província do Cunene defendeu a criação de mecanismos para a aquisição da produção local a fim de garantir a segurança alimentar. Acrescentou que o governo vai construi armazéns em todas as comunas para guardar os cereais e montar câmaras frigoríficas para a conservação de produtos frescos.
Está prevista a construção de mais mercados municipais modernos, devido à expansão e diversificação de novos produtos agrícolas alternativos, como a mandioca e batata-doce.
O programa de emergência prevê também a abertura de furos de água com mais de 300 metros de profundidade em toda a província, incluindo mais chimpacas em todos os municípios.

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