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Campanha agrícola promete grandes colheitas

Domingos Calucipa|Ondjiva

A lavra de Tuleipo, à estrada Ondjiva-Santa Clara, resplandece com uma produção de excelência. O branco do massango sobrepõe-se ao verde caduco das folhas da plantação. São os ventos da bonança, depois de anos de fracas colheitas, causadas por estiagens sucessivas.

 
 A lavra de Tuleipo, à estrada Ondjiva-Santa Clara, resplandece com uma produção de excelência. O branco do massango sobrepõe-se ao verde caduco das folhas da plantação. São os ventos da bonança, depois de anos de fracas colheitas, causadas por estiagens sucessivas.
O produto já está maturado, por isso é momento de colher. A mulher não perde tempo e já deu início à actividade há uma semana, ao mesmo tempo que tudo faz para que as espigas não sejam tomadas pelos pássaros famintos. Esses são os maiores inimigos dos camponeses, porque prejudicam as colheitas.
Tuleipo começa com a actividade de recolha do massango todos os dias ao raiar do sol, para aproveitar a frescura da manhã, às vezes na companhia do marido e das duas filhas. E com ajuda de uma kimbala à cabeça e uma faca bem afiada, ela retira as espigas dos caules e transporta para a omutala (espaço de armazenamento construído de paus). O trabalho arrasta-se até a volta do meio-dia. Quando concluir a colheita, seguir-se-á o processo da debulha. O produto vai ser transportado para o Otchipale (lugar da debulha), onde é feita a separação dos grãos. A seguir é transportado para os celeiros.
O campo de Tuleipo, não superior a dois hectares, está cercado de pinhas e envolta o seu kimbo de cinco cubatas. “Este ano vamos ter muita comida porque cultivamos de verdade. O massango deu muito bem, estamos contentes”, afiançou a mulher camponesa, na língua kwanhama, carregada de muito optimismo. O massango é um cereal que faz parte da base alimentar do povo do Cunene, a par da massambala. Com estes produtos faz-se fuba, fabrica-se bebidas tradicionais, e tantas outras utilidades. A satisfação de Tuleipo é a mesma de muitos camponeses da sua
aldeia, a Omupanda. Naufico, outra aldeã, cultivou em abundância massango e massambala em duas lavras separadas. Ela mostra com todo o agrado os contornos dos seus campos, embora não seja muito comum na tradição local alguém declarar aquilo que a sua lavra produziu ou então o número da sua manada de gado, para evitar a inveja dos outros camponeses menos dedicados. Nas duas lavras o vermelho da massambala e o branco do massango predominam.
A imagem de lavras abarrotadas de produtos estende-se por quase todos os extremos da província do Cunene. Quem se desloca de Ondjiva para o município do Cuvelai, no norte da província, para o município de Namacunde ou para a vizinha cidade do Lubango, por exemplo, constata lavras carregadas de produtos. Estes campos cultivados completam o cenário paisagístico das vias. A beira das vias é notória a comercialização de diversos produtos a preços atraentes, como o milho fresco, abóboras, pepinos, enfim.
As performances produtivas são bastante positivas para os camponeses dos municípios de Ombadja, Cahama e Cuvelai. Para os municípios do Kwanhama, Namacunde e Curoca, as colheitas seriam muito melhores, não fosse o problema das inundações que atingiram as lavras de algumas localidades.
Nestes últimos três municípios, a exemplo do resto da província, os camponeses empenharam-se no cultivo de cereais, tirando proveito da regularidade das chuvas, mas nem todos tiveram a mesma sorte. Muitas lavras ficaram total ou parcialmente submersas, o que prejudicou o crescimento das culturas e consequentemente as colheitas de alguns camponeses.

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