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Centenas de famílias são desalojadas

Dionísio David | Ondjiva

Mais de 240 famílias de Ondjiva, na província do Cunene, foram forçadas a abandonar as suas casas, em consequência das inundações que se registam em grande parte dos bairros da cidade e arredores, revelou ontem o  administrador comunal.

Os acessos a várias escolas também estão inundados e dificultam o processo de ensino
Fotografia: Adelaide Mualimusi|Cunene|Edições Novembro

Amadeu Hidisangue, que falava no termo de uma visita a vários bairros da comuna de Ondjiva, constatou os estragos causados pelas chuvas e garantiu que as autoridades estão a desenvolver estratégias para responder as situações de emergência e diminuir as dificuldades dos sinistrados.
O administrador comunal informou que as inundações que se registam, neste momento, sobre a cidade capital da província surgem na sequência das cheias do rio Evale, situado na bacia hidrográfica do Cuvelai e das enxurradas na região.
Amadeu Hidisangue disse que, apesar de se verificar grandes enchentes sobre a cidade, a situação está sob controlo e que as comissões de moradores continuam a trabalhar no levantamento das famílias sinistradas.
O responsável salientou que o objectivo deste levantamento visa determinar com exactidão o número de pessoas afectadas, isto, por bairro, para depois junto das entidades da Administração Municipal do Cuanhama se encontrarem as devidas soluções.
Amadeu Hidisangue ressaltou que, neste momento, entre os bairros mais afectados pelas inundações  destacam-se os Castilhos, Pioneiro Zeca, Bangula e Naipalala I.
Em relação aos apoios a conceder aos sinistrados, Amadeu Hidisangue garantiu que as autoridades estão a fazer  esforços para mobilizar meios à dimensão das necessidades de cada uma das famílias afectadas. O administrador de Ondjiva disse que em relação ao bairro dos Castilhos, cujas habitações foram seriamente inundadas,   a responsabilidade deve ser atribuída às famílias, tendo em conta que a situação de realojamento dos moradores há muito foi solucionada, entre 2008 e 2009, por ocasião das piores cheias e inundações que afectaram a província.
“Muitas das famílias tinham beneficiado de casas, no bairro Onahumba, nos anos 2008 e 2012, mas, por causa do oportunismo e desonestidade, muitas pessoas acabaram por arrendar as residências e voltar às habitações que se encontram em terrenos de risco", disse Amadeu Hidisangue, para acrescentar:  “Face a actual situação, a responsabilidade já não é das autoridades, mas sim das famílias, pelo que algumas destas vão ser responsabilizadas pela prática de desonestidade e oportunismo.”
O responsável acrescentou que a Administração Comunal vai continuar a tomar medidas punitivas contra as pessoas que adoptarem práticas desonestas, bem como a demolição das casas antes abandonas e declaradas sinistradas. Amadeu Hidisangue explicou que a medida serve para evitar que as famílias retornem às zonas de alto risco com a intenção de voltar a receber novas casas, um negócios que acontece nos bairros, nos últimos anos.

Maior atenção

O administrador comunal de Ondjiva fez um apelo às comunidades da periferia da cidade e aos moradores dos bairros para redobrarem a atenção face aos perigos que as cheias representam, sobretudo às crianças e idosos durante a travessias de pontos e zonas consideradas de risco.
Para a prevenção, Amadeu Hidisangue considera ser necessário que a população informe os serviços de Protecção Civil e Bombeiro sobre eventuais casos de perigo quer relacionados com cheias, quer com descargas eléctrica, uma vez que existem vários cabos e fios eléctricos descarnados pelas ruas.
O segundo-comandante provincial dos serviços de Protecção Civil e Bombeiros, Paulo Kalunga, informou que, até agora, as enchentes sobre a cidade de Ondjiva resultaram já em dois afogamentos:  “Apelo às comunidades para terem maior atenção com os vários obstáculos nesta fase das chuvas, tendo em conta a existência de cacimbas e outras escavações muito profundas”.

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