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Complexo turístico de Oihole precisa de obras com urgência

Domingos Calucipa | Ondjiva

Na estrada que vai da sede de Namacunde em direcção a Santa Clara divisa-se, à esquerda, junto ao mercado municipal, uma placa a indicar um desvio com os dizeres: “Oihole 15 quilómetros”.

Túmulo do rei Mandume ya Ndemufayo
Fotografia: Domingos Calucipa | Ondjiva

Na estrada que vai da sede de Namacunde em direcção a Santa Clara divisa-se, à esquerda, junto ao mercado municipal, uma placa a indicar um desvio com os dizeres: “Oihole 15 quilómetros”. É o anúncio de um lugar emblemático, pitoresco e com um significado de elevada magnitude histórica para Angola e para a Namíbia, por ser aquele o local onde repousam os restos mortais do rei Mandume ya Ndemufayo, chefe guerreiro Kwanhama, que é herói nos dois países.
A estrada de asfalto leva ao memorial do rei Mandume, um dos poderosos e temíveis soberanos do Sul de Angola durante a resistência contra a ocupação colonial portuguesa. O espaço tem valor histórico, cultural e sobretudo turístico, porque além do túmulo do rei Mandume há infra-estruturas integradas de lazer. Foi a forma encontrada pelas autoridades para levar mais pessoas para o local e com isso divulgar a figura do rei e a história da região.
O percurso é feito em 12 minutos. Antes de atingir o objectivo vislumbra-se à distância um reservatório de água em alumínio que sobressai do verde das árvores. Quando chegamos surge um imponente complexo turístico numa simbiose perfeita entre o homem e a natureza.
À entrada do recinto lê-se na pedra negra a lápide “Este memorial ao rei Mandume ya Ndemufayo foi inaugurado por sua excelência Engº José Eduardo dos Santos, Presidente da República de Angola, a 6 de Fevereiro de 2002”. O portão está escancarado. Á esquerda, a bandeira nacional flutua ao vento. No interior ouve-se o chilrear dos pássaros e também vozes humanas. Num instante demos conta que as vozes eram dos guardas da empresa encarregada da reabilitação do complexo turístico.
No pátio, o capim e as folhas secas de árvores tomaram conta do espaço. Nos tectos das varandas abundam ninhos de pássaros e de marimbondos. As portas estão encerradas com teias de aranha. Uma zeladora da limpeza arranca o capim da entrada do monumento com a ajuda de uma enxada.
O túmulo do rei é a 100 metros da área residencial. Ali os paus que cercam a campa continuam intactos e originais. Mas notam-se pequenas fissuras na campa construída de mármore que tendem a alastra-se. A visita continuou pelos apartamentos térreos, também todos encerrados. No anfiteatro o cenário é o mesmo.
O Complexo Turístico do Oihole está desaproveitado e praticamente abandonado. Os visitantes estão privados de desfrutar daquele espaço de lazer e de turismo. O Complexo do Oihole está a receber obras de reabilitação há mais de dois anos por uma empresa de construção local. As obras começaram mas nunca conheceram avanços e hoje estão praticamente paralisadas.
A reabilitação prevê arranjos na campa, cujas fissuras se alastram a cada dia. Para a área residencial e de lazer está prevista a construção de mais quartos, a construção de uma biblioteca, um museu e uma piscina.
Os trabalhos consistem ainda na pintura dos imóveis, construção de jardins e arranjos no pavimento.
O director provincial da Cultura, Celestino Vicente, disse que a paralisação das obras se deveu a problemas financeiros. “O complexo do Oihole estava a receber algumas obras de melhoramento e ampliação, mas as obras foram interrompidas, e neste momento o Governo Provincial está a fazer tudo, juntamente com o Governo Central, para as obras recomeçarem”, salientou Celestino Vicente.
    
Estátua ao rei
 
Um a estátua do rei Mandume Ya Ndemufayo de grandes dimensões vai ser erguida nos próximos tempos na cidade de Ondjiva em homenagem à sua figura. Celestino Vicente revelou que a estátua de Mandume fica precisamente no local onde era a sua ombala. A Cultura Provincial está empenhada na pesquisa de outras figuras, muitas delas anónimas, que também se evidenciaram na resistência à ocupação colonial.
“Existem outras figuras históricas que precisam de ser divulgadas e conhecidas, por isso existe uma comissão interministerial que está a trabalhar nisso, e a nível da província estamos a trabalhar também”, sublinhou o director da Cultura.
    
Espaços turísticos
 
Fazer turismo na província do Cunene, particularmente na cidade de Ondjiva, é um desafio difícil de realizar por falta de espaços de lazer.
O complexo do Oihole era a opção de muita gente, mas está inoperacional. Por isso muitos preferem aos fins-de-semana atravessar a fronteira com a Namíbia ou rumar para o rio Cunene, na vila de Xangongo, 100 quilómetros a norte.
Júlio Estêvão, de 28 anos, foi um dos frequentadores do complexo do Oihole, pequeno paraíso na mata. Para o jovem, a recuperação da infra-estrutura contribui para a arrecadação de dinheiro na província e é mais um espaço de lazer da juventude. 
A paralisação daquele espaço belisca de certa forma o já pobre mosaico turístico da província.
 
Turismo e cultura
 
O turismo e a cultura andam de mãos dadas. O Complexo de Oihole é um lugar turístico que nos primeiros tempos da sua existência ofereceu serviços de hospedagem, de restauração e uma casa de espectáculos. Comporta uma gama de infra-estruturas modernas cobertas de capim, e serve ao turismo cultural. Mas está inoperacional.
No seu melhor, visitar o Oihole é conhecer a história do país, as inúmeras vicissitudes que o povo ambó viveu durante as guerras de ocupação colonial, a resistência e determinação dos chefes tradicionais. O lugar conserva um simbolismo de grande valor histórico e cultural.
Em Oihole existe o memorial de Mandume Yandemufayo, rei dos kwanhamas, uma das figuras incontornáveis da luta de resistência à ocupação colonial no território do Cunene.
O monumento foi construído para homenagear a figura do soberano, o povo ambó e todos os guerreiros anónimos que ofereceram resistência aos portugueses.
Situado a 45 quilómetros da cidade de Ondjiva o memorial foi erguido na localidade onde o rei perdeu a vida.

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