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Cresce a procura de material escolar

Elautério Silipuleni | Ondjiva

Pais e encarregados de educação de Ondjiva, no Cunene, estão a acorrer às livrarias e mercados informais para adquirirem material escolar, uniformes e outros acessórios para os educandos, tendo em vista o ano lectivo que está prestes a começar.

O preço do material escolar sobe quase todos os dias na cidade de Ondjiva o que está a preocupar os pais e os encarregados de educação
Fotografia: João Gomes

Pais e encarregados de educação de Ondjiva, no Cunene, estão a acorrer às livrarias e mercados informais para adquirirem material escolar, uniformes e outros acessórios para os educandos, tendo em vista o ano lectivo que está prestes a começar.
Numa ronda efectuada na quarta-feira, em Ondjiva, por alguns locais de venda de material didáctico, os encarregados de educação afirmaram ser necessário adquirir os materiais quanto antes, para que os seus educandos tenham tudo aquilo de que necessitam, logo no primeiro dia das aulas.
De acordo com a funcionária pública Isabel Tuyeni Fernandes, os encarregados de educação devem adquirir o material escolar muito antes do início das aulas, independentemente do nível académico que as crianças estejam a frequentar. Em seu entender, o facto dos pais se mostrarem preocupados em comprar o material com antecedência é um factor de motivação para o aluno. Santos António comprou apenas o material essencial. Acompanhado pelos três filhos, disse que o outro material, de acordo com as necessidades de cada um, vai ser comprado ao longo do ano lectivo. Quando foi abordado pela nossa reportagem já tinha comprado cadernos, livros, lápis de cor, compasso, régua e outros materiais indispensáveis, no mercado informal da cidade de Ondjiva.
O movimento em torno da aquisição do material didáctico é intenso em vários estabelecimentos comerciais e mercados da cidade, mas o Jornal de Angola registou maior procura no mercado informal de Sumukwyo e da Alemanha, e nos estabelecimentos Nosso Super e Shoprite, onde se compra de tudo um pouco. “Como vê, aqui os materiais estão a subir conforme se aproxima o início das aulas, por causa das poucas opções nesta cidade de Ondjiva, em termos de locais de venda destes materiais”, disse Santos António.
 
Faltam livrarias
 
Quando faltam apenas alguns dias para o início das aulas, os encarregados de educação estão preocupados com a falta de livrarias na província do Cunene.
Munícipes contactados pela nossa reportagem disseram que a falta de livrarias no Cunene obriga-os, muitas vezes, a recorrer a outros pontos do país ou até mesmo à vizinha Namíbia. “Há quem tenha muitos filhos a estudar em diferentes níveis. Com os preços praticados nos mercados, onde é que vamos parar?”, desabafou, ao Jornal de Angola Celeste Ndapandula, empregada doméstica e mãe de três filhos, todos em idade escolar. Celeste afirmou que o material está caro e as livrarias são poucas, daí o alto preço praticado pelos revendedores, que os vão buscar a outros pontos.
Na cidade de Ondjiva, refira-se, existe apenas uma livraria que, na altura em que efectuávamos a nossa reportagem, se encontrava fechada, o que nos impossibilitou de ouvir os responsáveis sobre os preços praticados.
 
Na rua e mercados

 
Ninguém sabe, ao certo, a origem do material vendido nas ruas e mercados paralelos, mas é aí que se adquire tudo a preços que, não sendo baixos, podem ser discutidos. O mercado de Sumukwyo é o maior fornecedor de material escolar nesta época. Alguns vendedores recusam-se a dizer quem lhes fornece o material, limitando-se apenas a afirmar que compram a várias pessoas que vêm de Luanda e da Huíla.
Anastácio Sapalo disse que os preços da praça são mais acessíveis, acrescentando que variam em função da classe. Até à oitava, oscilam entre quinhentos e 1.500 kwanzas, “temos preços para todos os bolsos”, realçou.
Os manuais das classes do I ao II ciclo custam entre dois e quatro mil kwanzas, enquanto os cadernos, no mercado paralelo e em algumas esquinas da cidade, custam no mínimo 50 kwanzas, o mesmo preço de uma esferográfica. A venda de batas é outra actividade muito exercida nesta altura do ano.
 “Compro tecido para batas escolares, que são confeccionadas por um costureiro, para posteriormente serem vendidas e nesta altura é um negócio muito rentável”, disse Agostinha Casseça.

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