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Cunene com crescimento consolidado

Elautério Silipuleni | Ondjiva

A província do Cunene está a viver dias de festa devido ao seu 40º aniversário, assinalado no passado dia 10 de Julho, data em que se separou do então distrito da Huíla, assumindo a categoria de província, em 1970.

Várias infra-estruturas sociais e económicas foram construídas na cidade de Ondjiva e noutras localidades da província do Cunene
Fotografia: Jornal de Angola

A província do Cunene está a viver dias de festa devido ao seu 40º aniversário, assinalado no passado dia 10 de Julho, data em que se separou do então distrito da Huíla, assumindo a categoria de província, em 1970. Em todos os municípios decorreram, até ontem, actividades comemorativas, com destaque para a realização de feiras, nas quais foram expostas as potencialidades locais. A região tem alcançado índices de crescimento assinaláveis, durante estas quatro décadas, que se reflectem nos diferentes sectores da vida socio-económica.
O crescimento do Cunene começou a ser consolidado no início de 1990. Para trás ficaram as marcas dos bombardeamentos aéreos do então regime do apartheid, como consequência do apoio prestado por Angola na luta pelo fim do regime racista na África do Sul e pela independência da vizinha República da Namíbia. Passos seguros rumo ao desenvolvimento já foram dados e muitos outros estão em curso. Centenas de infra-estruturas foram criadas, edifícios, pontes e estradas. A circulação entre o campo e a cidade aumentou em quantidade e qualidade.
Deslocarmo-nos de Ondjiva, capital do Cunene, para qualquer localidade da província deixou de ser uma preocupação. Hoje há melhores estradas e mais meios de transporte, permitindo uma comunicação mais fluida entre as populações e a concretização das suas aspirações. Estes benefícios contribuem também para o desenvolvimento das localidades.
As condições sociais e económicas das populações melhoram em cada dia que nasce. A oferta de bens de consumo aumentou e a produção interna de alimentos tem estado a registar índices satisfatórios para os habitantes desta região do Sul de Angola.
O crescimento da província traduz-se também na construção de mais escolas, hospitais, centros e postos de saúde, em todos os cantos da região, surgindo igualmente vários centros comerciais e turísticos.
Nos últimos anos, a província tem testemunhado a abertura, em quase todas as sedes municipais e comunais, de escolas primárias, secundárias e, nalguns casos, institutos médios e centros de formação profissional, que absorvem crianças e jovens que se encontravam fora do sistema de ensino. Muitos deles já conseguiram formar-se na província e, desse modo, alcançaram o seu primeiro emprego, permitindo-lhes dar um contributo com o seu saber no desenvolvimento da região.
Em Ondjiva já podem formar-se, desde o ano passado, técnicos superiores nas áreas de Biologia, Agricultura, Laboratório e Enfermagem, graças à abertura da Escola Superior Politécnica.
As opções para formação média também podem variar. Além do Instituto Médio Politécnico, existe o Instituto Médio de Administração e Gestão de Ondjiva, inaugurado no princípio deste ano.
 
Melhor rede hoteleira tem atraído forasteiros
 

Os 40 anos da província do Cunene traduzem-se igualmente no crescimento da rede hoteleira e comercial, principalmente na cidade de Ondjiva e na localidade de Santa-Clara, com a construção de hotéis, pensões, restaurantes, lugares de lazer, casas comerciais, entre outros, o que tem atraído um elevado número de visitantes, grande parte em trânsito para a República da Namíbia, em negócios.
Ao longo destas décadas, vários são os empreendimentos hoteleiros de iniciativa privada que entraram em funcionamento, com o intuito principal de minimizar a carência que a região regista no sector face à crescente procura.
A província tornou-se destino turístico para muitos cidadãos nacionais e estrangeiros, como afiançou o governador do Cunene, António Didalelwa, quando procedia à abertura das jornadas comemorativas do 10 de Julho. “Coloca-se agora a necessidade de continuar a construir e reabilitar mais infra-estruturas do ramo, para que o Cunene esteja à altura do seu povo e continue a dar uma boa imagem aos nossos visitantes”, afirmou.
A cidade de Ondjiva e a localidade fronteiriça de Santa-Clara são os locais mais atractivos para os visitantes.
 
Nem tudo são rosas

Apesar dos ganhos registados, nem tudo tem sido um mar de rosas. Nos últimos três anos, a região viveu dias difíceis por conta das inundações que se fizeram sentir durante a época das chuvas, causando inúmeros prejuízos materiais às populações e ao Estado.
Muitos são os cidadãos que ficaram sem as suas moradias e haveres, encontrando-se actualmente a viver em centros de acolhimento criados de emergência pelo governo local, alguns habitando nestes locais desde as primeiras cheias, verificadas em 2008.
Durante este período das cheias, habitações e outras infra-estruturas, como estradas, pontes e escolas, ficaram danificadas. Ao todo, 12.943 pessoas foram afectadas pelas inundações e 8.705 alunos privados de frequentar as aulas. As chuvas causaram ainda a destruição de 962 campos agrícolas.
Para procurar minimizar todos estes problemas, o governo tem envidado esforços para a recuperação do que foi destruído e dar esperança à população. 
 
Reabilitação de equipamentos
 
Numa altura em que a província se encontra no rescaldo das festas de comemoração do seu 40º aniversário, são visíveis os sinais de recuperação das infra-estruturas destruídas durante as cheias. Durante o ano passado, vários empreendimentos foram inaugurados na província. A título de exemplo, refira-se a ponte sobre o rio Cunene, em Xangongo, um troço de 107 quilómetros entre Ondjiva e Humbe, na Estrada Nacional 105, o que facilita a circulação de pessoas e bens, entre muitas outras infra-estruturas sociais e económicas que foram sendo construídas.
Depois da alguma letargia nas obras de reabilitação, como consequência da crise económica mundial, que obrigou à desafectação dos recursos destinados a obras um pouco por todo o país, Ondjiva acorda agora com o ruído de homens e máquinas a recuperar o tempo perdido e a mudar, para melhor, a imagem das ruas da cidade. São visíveis, logo às primeiras horas da manhã, homens e máquinas pesadas a revolverem os solos onde decorrem obras de aplicação e colocação de um novo tapete asfáltico, substituição de passeios e lancis, numa extensão de sete quilómetros.
Os trabalhos decorrem a bom ritmo, tendo em conta as acções preliminares que estão a ser feitas, e dentro em breve estarão concluídos. As obras que estão a ser feitas actualmente consistem ainda na colocação de um novo sistema de esgotos na cidade, para que a água das chuvas não se acumule sobre o asfalto, o que tem sido o principal agente causador da degradação das ruas.
    
Potencialidades agro-pecuárias
 
A agricultura, a pecuária, a exploração da madeira, a pesca artesanal nas margens do rio Cunene são as actividades produtivas da maior importância para a província. A agricultura é desenvolvida na maior parte da região e é uma actividade complementar da pecuária, tendo por base o cultivo de massango e massambala. O milho e o feijão aparecem nas regiões mais húmidas.
 Os solos são férteis, próprios para o cultivo de cereais, tubérculos e outros produtos essenciais, nos municípios do Cuvelai e Ombadja, localidades consideradas celeiros agrícolas. Mas a pecuária é mesmo a actividade com maior potencial na província, onde a criação de gado bovino, caprino, suíno, ovino e equinos já faz parte da cultura local.
 A província possui ainda outros recursos importantes para o desenvolvimento da região, como é caso do ferro, recursos hídricos proporcionados pelos rios Cunene, Cuvelai e Kakuluvar, florestais, pedras preciosas, granito vermelho, e muitos outros por explorar.
 
Situação geográfica 
                                                  
A província do Cunene situa-se na região Sul do país, com uma superfície de 77.213 quilómetros quadrados e uma faixa fronteiriça com a Namíbia de 460 quilómetros, dos quais 120 correspondem ao troço internacional do rio Cunene, desde as quedas do Monte Negro às do Ruacaná. Relativamente aos limites, a província confina a Norte com a Huíla, a Sul com a vizinha República da Namíbia, a Leste com o Kuando-Kubango e a Oeste com a província do Namibe.
A sua divisão político-administrativa compreende 273 aldeias, 20 comunas e seis municípios: Kwanhama, Ombandja, Kahama, Namacunde, Cuvelai e Curoca. Os principais grupos étnico-linguísticos são os ambos, nyaneka-nkhumbis, hereros, ovakwangalas (bushman’s) e mutuas, estes dois últimos não bantus.
Na província do Cunene governaram Kundi Paihama, entre 1976 e 1979, general Ary da Costa, de 1979 a 1983, Pedro Mutindi, de 1983 a 2008, e, actualmente, é governada por António Didalelua, que está no cargo desde 2008.

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