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Depois do longo sufoco chuvas voltam ao Cunene

Domingos Calucipa | Ondjiva

Quase um ano depois de convivência com uma intensa seca, que provocou a morte de dezenas de milhares de cabeças de gado e o abandono de milhares de pessoas das suas zonas de residência, devido à carência de água, a chuva está de volta na província do Cunene, com as primeiras gotas a caírem domingo último, o que está a devolver as esperanças em dias melhores para a população local, após largos meses de total sufoco.

Fotografia: DR

Em diversas zonas da província os habitantes foram surpreendidos, no final-de- semana, com uma descarga de água, depois de passarem meses a fio com muito sol e sem chuva. Na cidade de Ondjiva e arredores, por exemplo, a chuva, embora fraca, começou a cair no início da noite de domingo e só terminou na manhã de segunda-feira, tendo deixado várias ruas alagadas e pequenas lagoas na zona periférica.

As primeiras chuvas serviram para muitos habitantes de Ondjiva, que não têm água canalizada ou fontanários próximos de casa, aproveitarem e encheram os reservatórios . O início das chuvas está a ser comemorado, sobretudo, por criadores de gado, muitos dos quais já haviam perdido as esperanças de sobrevivência dos seus animais ante a calamidade que parecia não ter fim.
Para o criador de gado tradicional, José Tyileinge, da localidade de Oipembe, situada a 10 quilómetros de Ondjiva, a chegada das chuvas é sinónimo do fim do longo período de sofrimento na procura de pasto e de água para a sobrevivência dos animais.
José Tyileinge conta que perdeu vinte cabeças de gado durante a seca severa, e as poucas que sobraram encontram-se bastante debilitadas, “mas caso as chuvas continuem a cair”, trará os animais de volta . David Hinekwandunge, outro criador, tem os animais na zona de transumância de Oshimolo, a mais de 150 quilómetros de Ondjiva, onde existiam as mínimas condições de pasto. Com o início das chuvas já pensa em trazer igualmente o gado.

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