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Espaços habitáveis são mais escassos

Domingos Calucipa | Ondjiva

A escassez de espaços habitáveis, em Ondjiva, dificulta a aquisição de um pedaço de terra. Para esta situação, contribuem as inundações, que, nos últimos anos, afectam a cidade. Assim, quem constrói sem uma avaliação prévia do terreno, arrisca-se a ser desalojado pelas águas. 

Vista aérea de Ondjiva onde as inundações dificultam o crescimento da cidade
Fotografia: Domingos Calucipa

Conseguir hoje um pedaço de terra na cidade de Ondjiva, capital do Cunene, para erguer uma casa ou desenvolver qualquer projecto, está a tornar-se, cada vez mais, um desígnio difícil de concretizar, devido à escassez de espaços habitáveis, devido à onda de inundações que nos últimos anos afecta ciclicamente a região.
Tal intento requer muita prudência, obrigando os interessados a fazer previamente uma avaliação, durante a época das chuvas, para examinar se a área é susceptível a inundações. Por outro lado, é importante informarem-se junto daqueles que residem no local há mais tempo. Quem ignora este procedimento, e decide erguer a sua moradia em qualquer lugar, arrisca-se a um dia ser escorraçado pelas águas das cheias.
Através de um simples olhar, em tempo seco, pode concluir-se que, da vila de Xangongo à cidade de Ondjiva e desta para o município de Namacunde ou do Kuvelai, a região esbanja muita terra por habitar, mas na verdade essa é uma percepção enganosa. Grande parte desses lugares têm sido caminhos das águas das chuvas que se espalham de zona para zona, o que inviabiliza, de certa forma, grandes projectos para estas áreas, como é o caso dos habitacionais.
No caso particular da cidade de Ondjiva, esta está a revelar-se bastante limitada na sua expansão, por estar cercada de vastas chanas que, durante o período das chuvas, acumulam água. Por isso, hoje a capital da província do Cunene cresce em ilhas, já que o casco urbano está a rebentar pelas costuras.
As novas construções deixaram de ser feitas na zona da cidade.
O crescimento urbano observa-se actualmente nos bairros do Kafitu, da Kashila e do Naipalala. É ali que muita gente procura o seu assentamento.
As cheias que têm assolado a região já foram caracterizadas como um dos mais graves desastres ambientais que o país tem conhecido nos últimos anos. Isto a julgar pela devastação de aldeias, espaços de cultivo e de pasto e zonas verdes.
Para o director provincial do Cunene do Urbanismo e Ambiente, Jerónimo Cláudio Kondjasili, todas as acções relacionadas com a necessidade da sustentabilidade da vida humana estão, de certo modo, a afectar a terra, daí que se verifiquem constantes alterações climatéricas com efeitos bastante devastadores.
 “Para contrapor esses reflexos negativos na vida do homem”, sublinhou, “torna-se premente a implementação de acções sustentáveis tendentes à manutenção do equilíbrio ecológico”.
 
    Ausência de zonas verdes
 
A cidade de Ondjiva debate-se com o sério problema da falta de zonas verdes, às quais os munícipes, e em particular a população estudantil, possam recorrer para relaxar as mentes ou assimilar os conteúdos escolares. 
Segundo Jerónimo Kondjasili, nos novos programas habitacionais estão reservados espaços verdes que vão contribuir para a manutenção do equilíbrio ambiental, naquilo que é a devastação do meio e, em contrapartida, a reposição da vegetação.
“A preocupação de cuidar do nosso planeta não é só uma questão do Estado, é de todos nós, cidadãos, que devemos envidar os nossos esforços. Por exemplo, ao cortarmos uma árvore, temos que pensar sempre em plantar outra. Também não devemos fazer o corte desnecessário de árvores”, aconselhou o responsável do ambiente, adiantando que as autoridades da província têm estado a realizar acções de sensibilização, como palestras, para que a informação chegue à população, pois todos são chamados a cuidar da natureza.
 
Recolha e tratamento de lixo é deficiente
 
O problema do saneamento básico da cidade capital continua a constituir uma das grandes inquietações da governação. A recolha e tratamento de lixo revela-se ainda bastante deficiente.
Falta capacidade de recolha dos resíduos sólidos por parte das empresas vocacionadas para a actividade, ao mesmo tempo que faltam contentores. O transporte do mesmo continua a ser feito em carrinhas abertas, em vez de meios apropriados.
O director do Ambiente assegurou que está em estudo um projecto de construção de um aterro sanitário da cidade, que vai permitir que o lixo recolhido não continue a ser despejado nas matas, poluindo o ambiente.
 
   Novas cidades
 
A nível das seis sedes municipais da província foram já criadas reservas fundiárias para a construção de novas cidades.
Os municípios da Kahama e de Ombadja contam com duas reservas cada um, enquanto continua a criação de outras, noutras circunscrições. Jerónimo Kondjasili disse que nos projectos inseridos nas reservas fundiárias é sempre tida em conta a questão ambiental, concretamente espaços verdes com árvores e plantas de várias espécies, bem como a componente do saneamento básico. 
 
    Requalificação dos bairros
 
Os bairros Castilho, Naipalala, Kashila e Onahumba da cidade de Ondjiva vão ser requalificados nos próximos tempos, com vista a conferir uma melhor imagem à capital da província do Cunene, garantiu o director do Urbanismo e Ambiente.
Jerónimo Kondjasili disse que no passado não havia um instrumento orientador das políticas habitacionais. Agora que existe, é com base nele que estão a ser realizadas todas as obras do governo, de edificação de cidades ordenadas.
“Aqui, em Ondjiva, temos a reserva fundiária do Ekuma, temos uma zona urbanizada que é a da Kashila e está em curso a urbanização da zona do Onahumba para realojar os sinistrados das cheias”, salientou.

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