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Estamos determinados a desenvolver o Cunene

Leonel Kassana |

Jornal de Angola – Em traços gerais quais são as acções mais relevantes do governo do Cunene?

António Didalewa –
O programa executivo do Cunene tem vários itens. Estamos a cumprir o programa que está aprovado para a governação no período que vai de 2008 a 2012, que dá grande destaque aos sectores sociais, como a educação e saúde. Temos cinquenta e seis médicos, dos quais seis angolanos e centenas de técnicos a trabalhar em várias unidades, quer na capital como nos centros de saúde dos municípios.

 
Jornal de Angola – Em traços gerais quais são as acções mais relevantes do governo do Cunene?

António Didalewa –
O programa executivo do Cunene tem vários itens. Estamos a cumprir o programa que está aprovado para a governação no período que vai de 2008 a 2012, que dá grande destaque aos sectores sociais, como a educação e saúde. Temos cinquenta e seis médicos, dos quais seis angolanos e centenas de técnicos a trabalhar em várias unidades, quer na capital como nos centros de saúde dos municípios. Quanto ao abastecimento de medicamentos, temos um programa de combate à pobreza e este programa dá grande relevância à saúde. Foram descentralizadas verbas para os municípios destinados à aquisição de medicamentos. Já não há problema de medicamentos.
Na área da educação estamos a construir muitas escolas e vamos continuar com esse processo, com o objectivo de absorver aquelas crianças que estão fora do sistema de ensino ou as que estudam em condições precárias, como por baixo de árvores, e então podermos colocá-las em condições de estudo por baixo de um tecto. Isso está em curso, há muita coisa que já foi feita e outra que continuamos a fazer. Por outro lado, devo informar que anualmente o governo central tem enviado para aqui os decretos que orientam os concursos públicos, porque construir só paredes sem ter professores também não faz sentido. Assim, à semelhança do ano passado, este ano houve concurso público para a admissão de professores. Ainda não está fechado e estamos à espera que o presidente do Tribunal de Contas venha a província, provavelmente o próximo mês, fechar os concursos. Para além da educação foram feitos concursos púbicos para as áreas da saúde e outras da função pública, portanto estamos no bom caminho.

 JA – Como é que o executivo equaciona a solução para o fornecimento de energia e água, particularmente à cidade de Ondjiva?

AD
– Bem, a nossa energia vem da República da Namíbia e nós temos tido algumas dificuldades no seu fornecimento nos últimos tempos. Desde o dia 16 de Março que se registou uma avaria no transformador que fica na localidade de Onunu, há quinze quilómetros do outro lado da fronteira. Isso veio trazer enormes dificuldades, pois nós recebíamos seis megawat’s, mas agora ficamos reduzidos a três. Já está a ver as dificuldades que isso levanta, não é? Trata-se de uma preocupação muito grave, não só para a população, mas também para o governo e da qual já demos, oportunamente, conta ao Ministério de Energia e Águas. Comuniquei pessoalmente este assunto a semana passada à ministra de tutela e ela decidiu enviar uma delegação a Windhoek para, junto da direcção da Nampower - a empresa que gere a energia na Namíbia - uma solução. Foi assinado um acordo e isso nos anima.

JA – Mas o que acontece, efectivamente? Fala-se, enfim, de uma dívida da parte angolana…

AD
– Ora, o que posso dizer, e esta é a informação disponível, é que aconteceu uma avaria num transformador do lado da Namíbia. A delegação do Ministério de Energia e Água integrou, também, o representante do Cunene. Estou à espera que traga o relatório circunstanciado… Essa é a situação real.

JA – E quanto ao abastecimento de água, numa província que até é atravessada por dois rios de grande caudal, como o Cunene e Cuvelai?

AD –
Em relação a água, nós temos aqui três fontes de fornecimento de água, mas ainda não estão a funcionar. A primeira fonte, talvez a menos significativa, vai levar a água à cidade a partir de Oipembe. É lá onde está a ser construída uma estação de captação de água que vai ser bombeada, depois, para um reservatório de água com capacidade para 500 metros cúbicos. As obras estão em curso e falta pouco para terminarem. Esse tanque faz parte do sistema todo. Enquanto isso, a empresa Imbomdex está a renovar toda a canalização para que a água chegue ao consumidor em boas condições. Este é o primeiro projecto. A outra fonte é que sai do Kalueque passa pela Namíbia, uma parte vem para Angola através do posto de Oshikango e depois daqui para Ondjiva. Esse projecto já está em curso e vai trazer água para a cidade. O último projecto, definitivo, também já iniciou e vai trazer a água a partir do rio Cuenene na vila do Xangongo, cerca de 100 quilómetros a norte de Ondjiva. Esse sistema vai ser suportado por uma tubagem de 60 centímetros de diâmetro e, para além de Xangongo, vai distribuindo a água pelas localidades onde passa, nomeadamente Môngua, Mbulunganga, Missão da Milunga. No meio rural por onde passa vai abastecer quer as pessoas quanto o gado.

JA – Como é que o seu executivo lida com as inundações cíclicas nesta região?

AD
– Bem, as inundações começaram em 2007/2008 e daí a esta parte a situação tem sido particularmente penosa para a província do Cunene, afectando seriamente a economia das populações, com a destruição de lavras, morte de gado, por um lado e, por outro, dificultando a circulação de pessoas e bens.
As inundações são, também, um factor de estrangulamento da execução dos programas concebidos pelo governo, sobretudo aqueles que estão ligados à melhoria e oferta de serviços sociais básicos às populações, sobretudo no meio rural. Como deve calcular, a situação é muito séria. Quer o governo central, como o local, têm estado muito empenhados em minimizar o problema das inundações, enquanto se equaciona uma solução definitiva. Em 2009 comunicamos e pedimos ao executivo a criação de um gabinete de infra-estruturas para e regulação da cidade de Ondjiva e a bacia hidrográfica do rio Cuvelai. A criação desse gabinete foi autorizada em 2009/2010 começou efectivamente a funcionar.

JA – Mas, em concreto, o que é que esse gabinete trouxe de novo para a estratégia de combate às inundações?

AD
– Esta é uma boa questão. O gabinete continua a trabalhar e se verificar, à volta da cidade, temos vários diques de protecção. Esses diques foram construídos com o dinheiro deste gabinete. As obras continuam. Esse gabinete de infra-estruturas construiu várias passagens hidráulicas, pois, se está recordado, em 2009, as imagens que correram o mundo mostraram Ondjiva como uma cidade que estivesse numa chana completamente inundada. Por falta de passagens hidráulicas a água subiu, digamos assim, para a estrada asfaltada e em alguns casos atingiu mesmo o nível da cintura.

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