Províncias

Estragos em Ombadja preocupam as autoridades

Dionísio David |Ondjiva

O administrador municipal de Ombadja, província do Cunene, Manuel Domingos Taby, considerou difícil e preocupante o quadro de sinistralidade que atingiu a região por causa das chuvas torrenciais.

Há estradas cortadas e as cheias nos rios isolaram quimbos e muitas casas
Fotografia: Elautério Silipuleni | Ondjiva

O administrador municipal de Ombadja, província do Cunene, Manuel Domingos Taby, considerou difícil e preocupante o quadro de sinistralidade que atingiu a região por causa das chuvas torrenciais.
Domingos Taby disse que a situação é crítica, na medida em que nos últimos dias se tem registado chuva intensa na província e particularmente no município de Ombadja. As tempestades provocaram dezenas de desalojados principalmente aqueles que vivem nas margens dos dos rios Cunene e Caculuvale.
O administrador de Ombadja deu a conhecer que no  município estão registadas 468 famílias que abandonaram as suas residências ou quimbos à procura de socorro, junto de familiares ou parentes em sítios seguros.
Domingos Taby informou que nas comunas do Humbe e Mucope, no norte do município, estão desalojadas 386 famílias e em  Xangongo estão 36 pessoas sem abrigo.
A situação é ainda mais preocupante porque é impossível socorrer, por terra, as populações afectadas. Há estradas cortadas e as cheias nos rios isolaram quimbos e casas. Grande parte das vias municipais está intransitável.
Domingos Taby informou que a produção agrícola está seriamente afectada e as colheitas comprometidas já que, grande parte das plantações está submersa. Sem meios de alimentação, as populações do interior do município de Ombadja vão precisar de apoios durante o cacimbo em alimentação, sementes e ferramentas para fazerem novas culturas nas lavras. O administrador de Ombadja prevê um quadro de penúria alimentar a partir dos meses de Maio e Junho.

Solidariedade com as vítimas

O governador provincial do Cunene, António Didalelwa, na companhia de Bento Raimundo, da Associação dos Jovens Provenientes da Zâmbia, deslocou-se à localidade de Mahengue, uma das povoações da comuna do Humbe, onde constatou os estragos provocados pelas chuvas.
O governador do Cunene entregou às populações sinistradas medicamentos para acudir aos doentes. A situação é muito grave porque Mahengue está, há mais de um mês, isolada devido às cheias do rio, que cortaram as vias de acesso ao resto do município.
António Didalelwa deixou às populações palavras de incentivo, tendo garantido que esta semana o Governo Provincial vai distribuir apoios em alimentação, medicamentos chapas de zinco e roupa
Bento Raimundo, presidente da associação dos jovens angolanos regressados da Zâmbia, disse que a sua instituição está solidária com o governo e povo do Cunene, “neste momento crítico e de muito sofrimento, caracterizado pelas inundações que continuam a afectar grande parte da população do meio rural”. Referiu ainda que no quadro desta solidariedade deslocou-se ao Cunene para no terreno avaliar o nível das necessidades e as vias possíveis para acudir às vítimas das cheias.

Crianças na escola

A povoação de Mahengue tem 18.907 habitantes. Na sede existe uma escola para as classes do ensino primário, desde iniciação à sexta classe, onde estão matriculados 947 alunos e cinco professores a leccionar. Em fase de conclusão estão as obras do um centro de saúde com oito divisões, cujos serviços de assistência médica e medicamentosa são assegurados por três profissionais.
De acordo com o responsável da saúde de Mahengue, Agostinho Mendes, o quadro sanitário caracteriza-se pelo surgimento de paludismo, diarreias e tosse convulsa, como consequências das inundações que afectaram um considerável número de habitações. Garantiu que apesar das dificuldades, existem medicamentos suficientes para suprir as necessidades locais.

Tempo

Multimédia