Províncias

Falecidos na Namíbia foram sepultados

Domingos Calucipa| Ondjiva

Os corpos de 22 cidadãos angolanos falecidos nos últimos três anos em diferentes hospitais da Namíbia por doença e que se encontravam abandonados pelos familiares, foram a enterrar ontem nos cemitérios municipais do Kwanhama, Namacunde e de Ombadja, num ambiente de profunda consternação e elevado sentido de solidariedade da comunidade local.

Angolanos falecidos em hospitais namibianos e abandonados pelos familiares foram sepultados no Cunene
Fotografia: Domingos Calucipa


Os corpos, 12 dos quais de recém-nascidos, foram transladados para Angola na terça-feira provenientes do país vizinho, após um longo processo de negociações entre os dois governos, que permitiu as exéquias no solo pátrio.
Os cidadãos transladados, com idades entre os zero e os 54 anos, naturais ou residentes no Cunene, faleceram entre 2010 e 2013 em hospitais e cadeias da região norte da vizinha Namíbia.
Denúncias das autoridades da província e do país vizinho indicam que tem sido prática de alguns angolanos o abandono dos seus familiares doentes ou falecidos naquelas unidades hospitalares, por alegada incapacidade financeira, quando confrontados com o pagamento dos serviços de internamento, principalmente no processo de transladação dos corpos.
O vice-governador do Cunene para o sector político e social, José do Nascimento Veyelenge, disse que o Executivo assumiu o seu papel e tudo fez para que os corpos dos cidadãos angolanos fossem sepultados com a devida honra e dignidade. O governante afirmou que a província do Cunene, em particular, está de luto por receber os seus filhos que por razões de doença foram em busca de saúde no país vizinho e que não tiveram a sorte de regressar com vida.
“Neste momento estamos diante destes corpos inertes, muitos deles inocentes, e nada mais nos resta senão fazermos a última homenagem a estes compatriotas, sepultá-los conforme mandam as regras da nossa Constituição e a tradição da região e dizermos que estamos com as famílias enlutadas”, disse o vice-governador durante o velório.
O representante do Gabinete da Presidência da República para os Assuntos Diplomáticos, Agostinho Van-Dúnem, disse haver uma preocupação expressa do Presidente da República pelo sucedido, para quem tudo deve ser feito no sentido de evitar situações do género no futuro.
“Estamos aqui para testemunharmos, trazermos a mensagem de solidariedade e de cumprimento do nosso dever de Estado. Deixamos a mensagem de que devemos continuar empenhados no sentido de, no futuro, evitarmos este tipo de situações”, salientou.
Agostinho Van-Dúnem adiantou que a negociação da transladação com o Governo da Namíbia durou perto de seis meses, desde o momento em que o Presidente da República teve conhecimento de que naquele país existiam há mais de dois anos alguns corpos de cidadãos angolanos que precisavam de ser transladados para o nosso país.
“Foram baixadas instruções aos nossos organismos, como os Governos Provinciais, as nossas missões diplomáticas, os consulados e também alguns departamentos ministeriais para trabalharem no sentido de que estas situações não se repitam no futuro”, disse Agostinho Van-Dúnem.
Os corpos foram acomodados à chegada no Quartel dos Bombeiros em Ondjiva, onde permaneceram toda a noite de terça-feira, em que se cumpriu o velório e foi rezada missa. De seguida foram a sepultar.

Tempo

Multimédia