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Falta de madeira dificulta trabalho em marcenarias

Elautério Silipuleni | Ondjiva

A falta de uma serração de madeira na cidade de Ondjiva, província do Cunene, está a dificultar a actividade das marcenarias locais, que, para produzirem mobílias, são obrigadas a recorrer a outras províncias do país.

Fotografia: DR

Contactados pelo Jornal de Angola, os proprietários de pequenas marcenarias na cidade de Ondjiva afirmaram que tem sido bastante difícil o trabalho de transformação de madeira em mobílias e outros meios, por causa da escassez da matéria-prima a nível da província do Cunene.

João Bueno Gimbi, proprietário de uma marcenaria no bairro Kafitu I, disse que a falta de madeira a nível da província do Cunene tem estado a ensombrar a criatividade dos marceneiros e estimula os clientes a optarem por produtos importados, em detrimento dos nacionais.
Marceneiro há 34 anos, João Gimbi disse que actualmente a madeira serrada para o fabrico de mobília é adquirida a partir dos mercados de Luanda e Benguela, facto que tem estado a encarecer os custos de produção e de venda dos mobiliários e outros artigos manufacturados.
A título de exemplo, precisou que uma tábua de madeira serrada, de quatro metros, é adquirida no mercado de Luanda e/ou Benguela no valor de oito a nove mil kwanzas, que, adicionados aos custos de transportação, chega a custar 11 a 12 mil kwanzas, contra os sete mil praticados anteriormente na província do Cunene.
O marceneiro Jorge da Costa Bingu, do bairro Caculuvale, em Ondjiva, reconhece que as dificuldades para aquisição da madeira no Cunene aumentaram nos últimos tempos e defende a instalação na província de serrações de madeira, para facilitar os trabalhos dos marceneiros.
Disse que a sua marcenaria fornece ainda aos consumidores produtos para acabamento de residências e empresas, como portas, janelas, tecto falso, cómodas, guarda-fatos, suportes de cortinas e outros.
A marcenaria, que conta com 15 trabalhadores, de acordo com Jorge da Costa Bingu, reduziu nos últimos tempos a produção, devido aos custos onerosos na aquisição de madeira.
Já Alfredo Saculenda afirma que não tem sido fácil a produção de mobílias no Cunene. “Para adquirir a madeira é um grande sacrifício. Temos de nos deslocar para outras paragens para conseguir o produto e muitas vezes a preços muito altos”, sublinhou.
A província dispõe de uma capacidade anual de exploração de 15 mil metros cúbicos de madeira, distribuídos nos municípios do Cuvelai e Cuanhama (cinco mil cada), Namacunde com três mil e Cahama com dois mil metros cúbicos ao ano.

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