Províncias

Fome no Cunene agravada

Yara Simão|

Mais de 300 mil pessoas estão em risco de fome por causa da seca que assola a província do Cunene, onde não chove há dois anos, disse ao Jornal de Angola, por telefone, o governador António Didalelwa. António Didalelwa referiu que o governo provincial já tomou as primeiras providências para acudir às populações em situações mais difíceis.

António Didalelwa fala em momentos difíceis
Fotografia: Rogério Tuti

“Estamos preocupados com a situação. Há falta de alimentos, água para as pessoas e para o gado. Estamos a trabalhar num plano para conseguirmos ultrapassar essas dificuldades”, referiu o governador.
O governo provincial está a colher e armazenar grandes quantidades de cereais e alimentos e, com o apoio do Executivo, a trabalhar com uma Comissão Multissectorial coordenada pelo ministro da Agricultura, que se vai acudir às necessidades da população. “A Comissão Multissectorial já começou a trabalhar no sentido de criar condições alimentares para as nossas populações e para o gado que é o meio de subsistência do povo”, disse António Didalelwa ao Jornal de Angola.
Situação idêntica, segundo o governador, vivem as populações das comunas de Mucupe, Onepolo e Humbe, onde muitas pessoas já abandonaram as suas residências e estão acampadas na margem direita do rio Cunene, juntamente com os seus rebanhos.
“A população dessas localidades está a passar momentos muito difíceis, porque há dois anos que praticamente não chove nas suas regiões, facto que está a prejudicar a economia das famílias, cuja base de subsistência é a agricultura e a criação de gado”, lamentou o governador. Na comuna de Ombala yo Mungu, município de Ombadja, os Serviços de Protecção Civil e Bombeiros procederam, na quinta-feira passada, à distribuição de água potável à população afectada pela seca. Foram distribuídos 250 mil litros de água, transportada por camiões cisternas, que serviram para minimizar a carência na região.
O secretário de Estado do Interior para área de Serviços de Protecção Civil, Eugénio Laborinho, garantiu que os serviços de protecção, em paralelo com outros ministérios, “tudo estão a fazer para acudir às populações, com distribuição de água, alimentos e ‘kits’ de sobrevivência compostos por cobertores, utensílios de cozinha, moto-bombas e outros”.
No próximos dias, acrescentou Eugénio Laborinho, vão ser enviados para a província do Cunene os alimentos que já estão nos armazéns. “O governo provincial já tomou as primeiras providências e a comissão composta pelos Ministérios da Assistência e Reinserção Social e Agricultura está a envidar esforços no sentido mandar alimentos para aquela população assolada pela seca”, realçou.
Eugénio Laborinho informou ainda que, apesar do Cunene ser a província mais afectada neste momento, o problema da seca já afectou também as províncias do Namibe e parte de Benguela. 

Tempo

Multimédia