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Governador do Cunene cria comissão para a seca

O governador provincial do Cunene, António Didalelwa, criou uma comissão para diagnosticar e resolver os problemas que enfrentam as populações e o gado local, em consequência da seca que perdura há dois anos.

 

Plantações e animais não são poupados pela seca e os criadores de gado na província percorrem quilómetros à procura de pastos e água
Fotografia: Eduardo Cunha

Dados avançados pelo Governo Provincial referem que mais de 350 mil pessoas estão afectadas pela falta de chuvas nos Cuanhama, Curoca, Ombadja, Cahama, Namacunde e Cuvelai.
A comissão, coordenada pelo vice-governador para o sector político e social, José Veyeleinge, integra os directores da Assistência e Reinserção Social, Agricultura, Energia e Água, Justiça, Saúde, Educação, Cultura, Obras Públicas e os administradores municipais.

Comunas mais afectadas

As comunas do Mucope, Humbe e Ombala-yo-Mungo, no município de Ombadja, são as mais afectadas pela seca, referiu o administrador municipal. Cerca de 120 mil pessoas estão directamente afectados pela falta de chuva.
Manuel Taby disse que a seca originou a destruição das culturas agrícolas e a falta de água nas chimpacas (reservatórios de água das chuvas). O administrador salientou que “a situação é preocupante, mas não é alarmante nem de calamidade, embora mereça a devida atenção e um acompanhamento especial do Governo”.  A administração de Ombadja está a colocar nas aldeias e povoações afectadas reservatórios de 250 mil litros de água para ser distribuída por meio de camiões-cisternas.
O administrador municipal de Ombadja explicou que a situação é crítica também para os animais, devido à escassez de água e de pasto. Para resolver a situação, os Serviços de Protecção Civil do Cunene e a Administração Municipal de Ombadja vão continuar a abastecer a população com água, em três dias alternados, até que se resolva o problema. Fruto da seca, boa parte dos criadores de gado, na província do Cunene percorre todos os dias centenas de quilómetros para se instalar nas margens dos rios Cunene e Caculuvale, em busca de pastos e água para os animais.
Manadas de gado, acompanhadas dos criadores das comunas de Chitado, Môngua, Humbe, Ombala-yo-Mungo, Onepolo e das povoações de Caluenque, Hoji-ya-Henda, Mahengue ya Mukulo, são vistas com frequência em busca de água e alimento para os animais.
A comuna de Canganda, no município de Ombadja, e a localidade de Chipelongo, na Cahama, são as mais procuradas pelos criadores de animais por se encontrarem nas margens dos rios Cunene e Caculuvale.
Devido a grande procura, o administrador comunal da Canganda, Walter Fonseca, disse que o pasto está a ser insuficiente para atender as grandes manadas que aí chegam a diário.

Trabalho com parceiros

Para acautelar o agravamento da situação e evitar o surgimento de possíveis doenças do gado bovino, o administrador comunal anunciou uma série de encontros com os homólogos das comunas vizinhas, para estudarem estratégias de prevenção.
As autoridades da comuna de Canganda estão a preparar as mangas e postos de vacinação de gado, em coordenação com administração municipal e os serviços de Veterinária, para imunizar os animais.
Outras localidades com grande concentração de animais são as de Tchipelongo e Vime, no município da Cahama. Nestas, estão cerca 25 criadores de gado acampados nas margens do rio Caculuvale, para facilitar a abeberamento do gado, embora o pasto seja escasso.

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