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Governo socorre vítimas das cheias no Cunene

Yara Simão|

O governador da província do Cunene, António Didalelwa, garantiu em entrevista ao Jornal de Angola que a situação nas zonas afectadas pelas cheias está sob controlo, porque existem apoios disponibilizados pelo Governo angolano para acudir os sinistrados.

Crianças da comuna do Evale procuram atravessar as barreiras de água para atingir locais com melhores condições de segurança
Fotografia: Mota Ambrósio

O governador da província do Cunene, António Didalelwa, garantiu em entrevista ao Jornal de Angola que a situação nas zonas afectadas pelas cheias está sob controlo, porque existem apoios disponibilizados pelo Governo angolano para acudir os sinistrados.
O governador disse que a subida do nível das águas começou com um mês de atraso, mas tende a aumentar. “As águas que vêm do rio Kaculuvali, no Lubango, desaguam no rio Cunene, que recebe também as correntezas do rio Mucope, desce as proximidades da comuna do Humbe, no município do Ombanja, para o Angomuculo em direcção ao Kalueke, onde a ponte foi destruída pelas chuvas”, relatou.
Ontem, a província recebeu a visita da ministra do Ambiente, Fátima Jardim, e do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas (FAA), general Francisco Furtado, que, acompanhados pelo governador, visitaram as comunas do Mupa e Evali. Segundo o governador, as famílias daquelas localidades perderam as suas casas e mantimentos. “São pessoas que dependem de donativos, e hoje estão sem nada porque as lavras estão inundadas”.
António Didalelwa informou que estão a receber apoio do Governo central.“Temos alguns meios aéreos que estão a levar apoio alimentar às comunidades, nomeadamente às localizadas em Mupa, Omukolongondje, Kubate e Kalonga. Temos também a comuna do Evali, onde é possível enviar os alimentos por via terrestre, com o apoio das FAA, que disponibilizaram duas viaturas para apoiar os sinistrados”.
O governador acrescentou que a cada dia que passa o número de sinistrados está a aumentar. “Ontem mais 12 pessoas ficaram sem casas, nas comunas de Evali e Cuvelai. Mas o maior problema é dar abrigo através de tendas e alimentos. Outra questão que aflige tem a ver com a educação, porque temos cerca de seis mil alunos fora do ensino”, disse.
“Nas comunas do Evale e Mupa tivemos de arranjar tendas gigantes para servir de salas de aula. Os dias de inactividade vão obrigar a uma revisão do calendário escolar, porque os alunos estão mais atrasados que os outros”, disse o governador, acrescentando que prossegue a busca de soluções com o apoio do Governo central.
António Didalelwa frisou que a chuva continua a ser ainda um problema, porque impede a distribuição de alimentos e tendas. “Os técnicos aconselharam-nos a não viajar com chuva, por isso temos atrasado a entrega de alimentos e tendas às populações de áreas intransitáveis”, disse.
O governante revelou que até aqui não foram registados casos de morte e mostrou-se confiante que o estudo apresentado pela ministra do Ambiente, Fátima Jardim, sobre as causas, consequências e medidas a tomar contra o fenómeno, possa ser apresentado e aprovado a nível central.

Apoio das FAA

O Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Angolanas (FAA), Francisco Pereira Furtado, também esteve na província do Cunene para uma visita de constatação às unidades militares e as vítimas das cheias. O general disse que a situação é grave, nas comunas do Mupa e Evali. “As forças armadas têm estado a colaborar activamente no programa de protecção civil, dando todo o apoio às populações”.
Os apoios, disse, são meios de transportes terrestres e aéreos e também um reforço do destacamento de fuzileiros navais, para aquelas áreas de difícil acesso. “A situação ainda é preocupante. Começa-se a notar uma situação bastante grave, porque (aliada às cheias) as chuvas vão provocando mais inundações”, disse.

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