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Instituto Agrário fica pronto em Dezembro

Yara Simão | Cunene

A agricultura é a base de subsistência da população do Cunene, calculada em mais de 230 mil habitantes, pese embora os caprichos da natureza em matéria de chuvas, que por excesso ou defeito dificultam a vida aos lavradores.

Na província está em fase de conclusão o centro de captação e tratamento de água que sai da comuna do Xangongo para Ondjiva
Fotografia: António Pereira

A agricultura é a base de subsistência da população do Cunene, calculada em mais de 230 mil habitantes, pese embora os caprichos da natureza em matéria de chuvas, que por excesso ou defeito dificultam a vida aos lavradores. Mas as questões climáticas têm hoje solução, principalmente num país fértil como Angola, onde a terra medra sem esforço e os recursos hídricos parecem inesgotáveis. Basta ter técnicos que ajudem a rentabilizar o cultivo e orientem os camponeses quanto à irrigação.
Maioritariamente constituída por agro-pastores, a província do Cunene aguarda com expectativa a conclusão da obra de construção do instituto agrário, prevista para Dezembro. A escola técnicoprofissional de agropecuária vai ter dez salas, zona administrativa, quatro laboratórios de química e física, mecanização e terras, numa primeira fase, e posteriormente vão ser construídos currais e granjas.
A par desta importante empreitada, outras estruturas estão a ser erguidas na província, como as cem casas para os antigos combatentes, uma iniciativa do Executivo angolano.Ao mesmo tempo, o centro comunitário da juventude está a ser apetrechado e as obras do Palácio Municipal de Ombadja estão praticamente concluídas.

Energia e água

A energia e água têm sido um quebra-cabeças para a população, mas o martírio está em vias de ter fim, com a reabilitação e ampliação da barragem de Calueque e a conclusão do centro de captação e tratamento de água, que sai da comuna Xangongo para a capital da província. O administrador municipal de Ombadja, Manuel Domingos, disse ao Jornal de Angola que, neste momento, os munícipes beneficiam de energia eléctrica e água potável, através do sistema térmico, uma via que considera dispendiosa, “tendo em conta o combustível e lubrificantes que nem sempre são de fácil aquisição”.
Esta subestação vai beneficiar também a população dos bairros por onde passar a tubagem. No município já é visível a escavação por onde vão passar e a expectativa da população é grande. Ombadja, que engloba cinco comunas, 12 povoações e 56 aldeias, deu grandes passos em vários sectores, com destaque para a Educação.
 Actualmente tem 204 escolas, das quais 66 são de construção definitiva e 138 feitas com material precário. Este ano, foram matriculados 61.586 alunos.
No sector da Saúde, o município não ficou para trás. Possui uma rede sanitária composta por dois hospitais, dez centros de saúde e 20 postos médicos, suportados por nove médicos, e 239 efectivos, entre enfermeiros, técnicos básicos e auxiliares hospitalares. Dada a vulnerabilidade da pandemia do VIH/SIDA e de outras doenças endémicas, no município de Ombadja, foram ainda criados 14 centros de testagem voluntária e cinco salas de imunização para crianças menores de cinco anos e mulheres grávidas.

Comércio muda vidas

No Cunene, o modo de vida da população dos vários municípios está a mudar. No da Cahama, a estrada principal foi reabilitada numa extensão de cerca de 80 quilómetros e está dentro do plano do Governo Provincial a construção da via que liga a Cahama a Curoca.
A actividade comercial e hoteleira está a crescer e a melhorar a vida dos habitantes. Actualmente, existem 18 lojas de pequena dimensão, enquanto em 2009 apenas havia três, além do mercado informal, com 30 comerciantes.
Para melhorar as condições de venda, está a ser construído um mercado municipal que, numa primeira fase, vai dispor de espaço para cem vendedores e melhorar as condições de conservação dos produtos.
É ainda pretensão do Governo Provincial, a abertura, em breve, do Balcão Único do Empreendedor, para apoiar os interessados em realizar actividades económicas, através da concessão de créditos.
 
Combate à pobreza

Margarida Ulisavo, administradora municipal da Cahama, a 18 quilómetros da capital da província, garante que o programa do Executivo está a ser desenvolvido. “Só em 2009, tivemos matriculado 14.910 alunos e em 2012 o número aumentou para 18.330, com direito a material e ensino gratuito”, disse.
Na área da saúde, o único hospital existente foi ampliado e aumentou os serviços. Foram construídas mais enfermarias, salas de parto, um bloco operatório e salas de consulta pré-natal.
Para o próximo ano, “é nossa meta construir o segundo aldeamento de 24 casas evolutivas na comuna de Otchindjau, reforçar os serviços de saúde no município, com medicamentos e material necessário ao funcionamento”, concluiu.

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