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Mais infra-estruturas na comuna do Evale

Elautério Silipulene | Evale

A comuna do Evale foi dotada com novas infra-estruturas para substituir as que foram destruídas pelas enxurradas no tempo das chuvas e as obras prosseguem na construção de equipamentos básicos.

O município conta com um Centro de Saúde em processo de reabilitação para melhor prestação de serviços à população
Fotografia: Venâncio Amaral

A comuna do Evale foi dotada com novas infra-estruturas para substituir as que foram destruídas pelas enxurradas no tempo das chuvas e as obras prosseguem na construção de equipamentos básicos. É uma das cinco comunas que compõem o município do Kwanhama e fica situada 66 quilómetros a norte de Ondjiva, capital da província do Cunene. Tem uma extensão territorial de 4.012 quilómetros quadrados com uma população de 33.368 habitantes, cuja principal actividade é a agricultura de subsistência e criação de gado bovino.
Hoje, a comuna do Evale tem uma nova imagem e os habitantes têm a esperança de que na próxima época das chuvas tudo vai correr bem. Para já estão todos a viver dias melhores, graças às obras de reconstrução. A administradora comunal, Celeste Muhala, disse que o Programa de Investimentos Municipal permitiu a recuperação e construção de várias infra-estruturas básicas e está em fase de conclusão a construção de novos postos de saúde e escolas. As empreitadas em curso incluem um novo edifício da administração, a casa para administradora e habitações para quadros técnicos.
Apesar dos avanços conseguidos, a administradora admitiu que a comuna de Evale se debate com inúmeras dificuldades, como consequência das cheias que se verificaram na província do Cunene nos últimos anos e que afectaram também a zona, com a destruição de várias infra-estruturas económicas e sociais.
Revelou que ao todo, 2.411 pessoas foram afectadas pelas cheias deste ano na comuna do Evale, na sua maioria camponeses, que viram as suas lavras devastadas pelas águas.
A administradora assegurou que as famílias sinistradas têm recebido ajuda do Governo Provincial, do Executivo e de organizações não governamentais.
 No que diz respeito ao fornecimento de água potável e energia eléctrica às populações, Celeste Muhala disse que há ainda muito por fazer. Na sede da comuna, a água ainda não jorra nas torneiras, o que obriga as pessoas a utilizarem água não tratada das cacimbas e chimpacas, locais que também servem para dar de beber ao gado.
A administradora Muhala diz que esta situação pode ser invertida nos próximos tempos com a abertura de vários furos e também a reabilitação dos já existentes, a aquisição e colocação de sistemas de energia solar nos furos de água, projectos em curso e que permitem às populações consumir água potável a breve prazo.
A vida na comuna do Evale é mais segura durante a noite, porque foram instaladas placas solares para iluminação pública e das casas na sede comunal.
Celeste Muhala reconheceu que a energia solar tem facilitado em grande medida a vida das pessoas, que vêem agora satisfeitas as suas necessidades de utilização dos electrodomésticos.
A administração pretende agora ampliar a rede de distribuição eléctrica, estando em vista a aquisição de um gerador para melhorar o fornecimento de energia à população, visto que a comuna está crescer.
“O nível de desenvolvimento da comuna e o crescimento da população aumentou muito nos últimos tempos, por isso há que trabalhar para dar melhores condições de vida aos seus habitantes e levar o progresso a esta região”, salientou Celeste Muhala.
 
 Educação e saúde
 
O sector da educação no Evale está também em franco crescimento. No presente ano lectivo estão matriculados 11.338 alunos da iniciação ao I ciclo do ensino secundário e há um total de 176 professores.
Ao todo, estão em funcionamento 59 escolas, sendo uma do I ciclo do ensino secundário. A comuna tem ainda 3.031 crianças fora do sistema normal de ensino por falta de salas de aulas e de professores.
Para a cobertura total do ensino são necessárias escolas nas localidades de Onaiwe, Omalyata, Onaxui, Okapangu, Omala e Onambwa.  Na área da saúde, a comuna do Evale conta apenas com um centro de saúde com 14 camas, que funciona com quatro técnicos de enfermagem e oito auxiliares, em serviço permanente.
O centro tem uma ambulância para a evacuação dos doentes mais graves para a sede municipal e atende diariamente 85 pacientes vindos de todos os pontos da comuna.  A administradora Celeste Muhala disse que para suprir as faltas que existem no sector da saúde, são necessários técnicos sanitários nas localidades que ainda não têm assistência médica e medicamentosa.
Na comuna, as doenças mais frequentes são a malária, com o registo desde o princípio do ano até agora de 659 casos, seguida por diarreias, com 92, doenças sexualmente transmissíveis, com 43, e conjuntivite com 39 casos. 
Celeste Muhala defendeu o enquadramento de pessoal especializado na área da maternidade, embora reconheça o bom trabalho efectuado pelas parteiras tradicionais: “elas têm feito um excelente trabalho, mas é preciso modernizar os serviços de assistência materno-infantil”, disse.  
 
Agricultura destruída

 
No que toca ao sector da agricultura, a administradora Celeste Muhala afirmou que a maior parte dos camponeses da comuna foi mobilizada para trabalhar as terras, mas as fortes chuvas que caíram este ano destruíram os campos cultivados, originando o insucesso das colheitas.
A administradora está preocupada com a carência alimentar que as comunidades enfrentam em consequência das cheias que assolaram a região.
“As inundações que se registaram comprometeram praticamente o ano agrícola, pelo que pedimos a atenção dos órgãos competentes para intervenção urgente”, solicitou.
Celeste Muhala realçou que tem sido feito o possível para garantir apoio alimentar às famílias necessitadas para minorar os problemas que enfrentam. Também incentivou os camponeses a criarem cooperativas.
A administração comunal está a trabalhar em vários projectos para melhorar a oferta dos serviços sociais básicos à população, que na sua maioria se dedica ao cultivo de cereais: “estamos todos esperançosos que nos próximos tempos a comuna dê um bom passo em frente no sector da agricultura para podermos combater as carências alimentares que neste momento se registam no seio das comunidades e fomentar a criação do gado”.
A comuna tem solos férteis que permitem desenvolver a agricultura e são excelentes para o cultivo de cereais e tubérculos. Tem também grandes potencialidades no domínio das pedreiras.
A população do Evale tem ainda como principal actividade a pecuária, que constitui a primeira fonte de riqueza da comuna.

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