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Malária e Sida são as principais causas de morte

Adelaide Mualimusi | Ondjiva

Pelo menos 844 pessoas morreram o ano passado em distintas unidades hospitalares da província do Cunene, sendo a principal causa a malária, indica o informe anual da direcção provincial da Saúde.

Em 2009 foram realizadas campanhas de vacinação que culminaram com a imunização de 137.537 crianças
Fotografia: Jornal de Angola

 
Pelo menos 844 pessoas morreram o ano passado em distintas unidades hospitalares da província do Cunene, sendo a principal causa a malária, indica o informe anual da direcção provincial da Saúde.

Entre as principais causas de morte nos hospitais, a malária posiciona-se a frente da lista com 388 óbitos, a seguir vem o VIH/Sida com 124, as doenças respiratórias agudas com 90, o sarampo com 74, as diarreicas com 62, a tuberculose com 42 e os acidentes de viação com 29 óbitos.
Durante o ano findo, os centros registaram um total de 109.023 internamentos, sendo 84.482 por malária, 13.245 por doenças respiratórias agudas, 1.059 por sarampo, 8.458 por diarreias, 771 por tuberculose, 698 por VIH/Sida.
O balanço aponta para uma ligeira diminuição da mortalidade por malária em relação ao ano de 2008. A redução, de acordo com o director provincial da Saúde, Eduardo Ayumba, deve-se à maior divulgação das medidas de prevenção que o sector tem vindo a implementar na província. Já o número de óbitos foi elevado quanto ao de 2008.
 “Temos a realçar que a província sofreu um surto epidémico de sarampo e alguns casos de meningite nos últimos quatro meses do ano findo, o que provocou o aumento do número de óbitos”, aclarou.

Vacinação

Durante o ano de 2009, na província foram realizadas campanhas periódicas de vacinação que culminaram com a imunização de 137.537 crianças, dos zero aos 5 anos, contra a pólio, o sarampo, a febre-amarela e o tétano. Às referidas crianças também foi administrada a vitamina A.
Das crianças vacinadas, 53.l38 pertencem ao município do Cuanhama, 27.548 de Ombadja, 20.858 de Cuvelai, 18.025 de Namacunde, 10.484 do Cuanhama e 7.237 do Curoca.
Ainda no mês de Outubro realizou-se a campanha “Viva a Vida com Saúde”, em que foram dadas 260.364 doses de sarampo a nível provincial, sendo 249.l44 no município da Cahama, 920.000 no Cuanhama, 175.200 no Curoca, 335.020 no Cuvelai, 336.060 em Namacunde e 587.020 em Ombadja.
 
Unidades sanitárias
 
A direcção provincial da Saúde do Cunene controla actualmente 116 unidades sanitárias, sendo o Hospital Geral de Ondjiva, sete hospitais de referência, 92 postos de saúde e 17 centros de saúde.
A província conta ainda com duas escolas técnicas de formação básica profissional de saúde, das quais uma na cidade de Ondjiva e outra na Missão Católica do Chiulo.
 
Recursos humanos

O Hospital Geral funciona com 42 médicos, cinco dos quais nacionais, enquanto.
Já o hospital de Namacunde conta com oito médicos, sendo cinco russos e três cubanos, nas especialidades de ginecologia e bstetrícia, pediatria, cirurgia, internistas e clínica geral.
O hospital municipal de Ombadja funciona com sete médicos, enquanto o da Cahama possui quatro médicos. Os municípios do Cuvelai e do Kuroca contam apenas com um médico angolano de clínica geral cada. O centro hospitalar do Chiulo conta com dois médicos italianos de clínica geral.
       
Perspectivas para 2010
 
O director provincial da Saúde, Eduardo Ayumba, disse que, para o ano de 2010, pretende-se a conclusão da ampliação dos hospitais do Chiulo e Xangongo, a criação de núcleos de formação permanente em todos os municípios e a conclusão da vedação do hospital do Cuvelai.
A abertura de mais 12 áreas de saúde no quadro do processo de revitalização, montagem de dezanove painéis solares para cadeias de frio, organização dos serviços de triagem no banco de urgência no hospital geral de Ondjiva, constam entre as prioridades.

Necessidades básicas

Eduardo Ayumba indicou alguns materiais e equipamentos necessários nos hospitais a nível provincial, sendo aparelhos de RX, de ecografia, monitor e a construção de uma nave para os serviços de isolamento de doenças infecto-contagiosas no hospital geral de Ondjiva, como as principais necessidades.
Também foram indicadas como acções prioritárias a construção de albergues para acomodação dos médicos, sobretudo estrangeiros, para evitar o arrendamento constante de casas, descentralização e desconcentração dos serviços materno-infantil no hospital geral da cidade, aquisição de material médico e de medicamentos e apetrecho das unidades sanitárias.
É imperiosa também a compra de 58 botijas de gás butano e seus componentes, para as mini arcas do Programa Alargado de Vacinação, compra e montagem de painéis solares, admissão de mais pessoal, entre médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico terapêutico e pessoal hospitalar para as áreas administrativas.
Acrescentou que os hospitais precisam de ambulâncias e outras viaturas de apoio hospitalar, construção ou ampliação de laboratórios de análises clínicas e seu apetrecho. Há ainda a destacar a necessidade de ampliação dos hospitais do Chiulo e Xangongo e residência dos funcionários.

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